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Consenso Americano: Dieta e Atividade física para prevenção do Câncer

O câncer é a segunda causa de morte em todo o mundo. Apesar de sua incidência ter aumentado nos últimos, hoje se reconhece que a doença pode ser prevenida com alimentação e estilo de vida adequados. Recentemente a Sociedade Americana do Câncer (ACS) divulgou novas recomendações dietéticas e de atividade física para o combate e prevenção de diferentes tipos de câncer, são elas:

1. Atingir e manter o peso corporal dentro da faixa considerada saudável; e evite o ganho de peso na vida adulta.

2. Ser fisicamente ativo. Adultos devem praticar de 150-300 min de atividade física de intensidade moderada por semana, ou 75-150 min de atividade física intensa, ou uma combinação de intensidades para atingir o limite superior de 300 min de atividade/semana. Crianças e adolescentes devem praticar pelo menos 1 hora de atividade de intensidade moderada ou intensa por dia. É recomendado limitar o comportamento sedentário: sentar, deitar, assistir televisão e outras formas de entretenimento na tela (videogame, computador);

3. Seguir um padrão alimentar saudável em todas as idades, que inclui: variedade de vegetais verde escuro, vermelho e laranja, leguminosas ricas em fibras (feijão e ervilha); frutas frescas, variáveis e com casca e grãos integrais. Evitar: carnes vermelhas e processadas; bebidas adoçadas com açúcar e adoçantes; ou alimentos altamente processados ​​e produtos de grãos refinados;

4. Não consumir bebidas alcóolicas ou limitar seu consumo a não mais do que 1 dose/dia para mulheres e 2 doses por dia para homens;

Ação comunitária: organizações públicas e privadas devem atuar de forma colaborativa nos níveis nacional, estadual e local para desenvolver, defender e implementar mudanças ambientais que aumentam o acesso a alimentos nutritivos e fornecer acesso a atividade física para todos os indivíduos.

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Impacto da intervenção educacional de profissionais de saúde na identificação da desnutrição em pacientes com câncer

O câncer é a segunda principal causa de morte nos Estados Unidos, e a desnutrição secundária à progressão do tumor e efeitos colaterais do tratamento são frequentes. Embora haja evidências indicando que a terapia nutricional melhora os resultados do paciente, estima-se que até metade dos casos de desnutrição são mal classificados ou não diagnosticados.

O uso de uma equipe multidisciplinar para avaliar o estado nutricional é fundamental para reduzir atrasos no início da terapia nutricional. Consequentemente, educar todos os membros da equipe oncológica para avaliar o estado nutricional pode aprimorar o diagnóstico nutricional precoce e levar a melhores resultados para os pacientes. Assim, um estudo piloto avaliou a mudança no conhecimento e autoeficácia entre os membros da equipe de oncologia após assistirem a um vídeo educacional sobre desnutrição. A intervenção educacional por vídeo foi ministrada em 77 ambulatórios de oncologia durante reuniões semanais da equipe. Mudança no conhecimento e autoeficácia na avaliação e diagnóstico da desnutrição foram avaliados e a aceitabilidade dos profissionais com vídeo educativo também foi observada.

Resultados mostraram que a pontuação média do teste melhorou 1,95 ± 1,48 pontos (p <0,001). Os grupos ocupacionais individuais melhoraram as pontuações significativamente (p≤0,005), exceto para o pessoal clínico especializado. Autoeficácia melhorou de 38% para 70%. O total de 90,8% dos participantes indicou que o vídeo educacional melhorou sua confiança na avaliação da desnutrição.

Os autores do estudo concluíram que o vídeo educacional foi bem aceito e melhorou o conhecimento e a autoeficácia da avaliação e diagnóstico da desnutrição entre os profissionais do ambulatório de oncologia. A implementação mais ampla de tal intervenção educacional e teste longitudinal de retenção de conhecimento e mudança de comportamento é garantida.

Referência: Wolf, P. G., Manero, J., Harold, K. B., et al. Educational video intervention improves knowledge and self-efficacy in identifying malnutrition among healthcare providers in a cancer center: a pilot study. Supportive Care in Cancer. 2020.

Por Maria Carolina Dias

Diretriz da Sociedade Americana de Oncologia Clínica – Caquexia no Câncer

Nova diretriz da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) trouxe recomendações clínicas, nutricionais e farmacêuticas para o manejo da caquexia em pacientes com câncer avançado.

É indicado que todo paciente com câncer avançado, e perda de apetite e/ou peso corporal seja encaminhado para avaliação e aconselhamento dietético pelo nutricionista.

A alimentação via sonda enteral ou nutrição parenteral não é recomendada de rotina para tratamento da caquexia no câncer avançado. A nutrição parenteral de curto prazo pode ser aplicada a um grupo selecionado de pacientes, incluindo portadores de obstrução intestinal reversível, síndrome do intestino curto ou de condições clínicas que cursam com má absorção. A descontinuação de enteral e/ou nutrição parenteral pode ser encorajada nos pacientes caquéticos terminais.

A suplementação oral com ácidos graxos ômega-3 derivados do óleo de peixe, eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosapentaenoico (DHA), mostrou tendência em melhorar o peso, massa muscular e taxa de sobrevida no câncer avançado, porém, em estudos clínicos com maior qualidade metodológica não houve evidências claras de que os ômega-3 proporcionem benefícios significativos. Até o momento, não há recomendação da ASCO para uso de suplementos de EPA e DHA nos doentes com câncer avançado, contudo, é sugerido o consumo alimentar de peixes marinhos ricos em EPA e DHA (salmão, atum) como fonte de gordura em pacientes caquéticos.

A suplementação com vitaminas e minerais, incluindo magnésio; vitamina E em combinação com ácidos graxos ômega-3; vitamina D e C; combinação de hidroxi-b-metilbutirato (HMB), arginina e glutamina; e L-carnitina permanece insuficiente para uma recomendação de rotina.

Intervenções medicamentosas com acetato de megestrol/medroxiprogesterona e corticosteroides são indicados para melhora do apetite e aumento do peso corporal. A escolha do medicamento e seu tempo de uso deve ser discutido com a equipe médica conforme os objetivos do tratamento e a avaliação de risco versus benefício.

Quer saber outros medicamentos que podem atuar na caquexia do câncer? Clique aqui e acesse a diretriz na íntegra

Fatores nutricionais e toxicidade quimioterápica em idosos com tumores sólidos

O câncer é uma doença que acomete cerca de 60% dos indivíduos acima de 65 anos. O estado nutricional é de grande importância pois a desnutrição é comumente vista em idosos com câncer, além de ser um fator de risco aumentado para o insucesso do tratamento anticancerígeno, morbidade e mortalidade.

Em recente estudo, pesquisadores americanos avaliaram a associação entre fatores nutricionais (índice de massa corporal (IMC), nível de albumina e perda de peso não intencional nos últimos 6 meses) com fatores preditores de risco de toxicidade em idosos com tumores sólidos.

A análise aconteceu de forma secundária de um estudo prospectivo e multicêntrico. Foram incluídos 750 pacientes com idade mediana de 72 anos (variação de 65 a 94 anos) e principalmente com doença em estágio IV. Inicialmente os pacientes passaram por uma avaliação geriátrica e foram avaliados o IMC, nível de albumina e dados de perda de peso nos últimos 6 meses. A partir da avaliação foi desenvolvido e validado um método subconjunto, que identificou a partir da combinação de 11 variáveis que melhor predizia o risco de toxicidade quimioterápica. A pontuação foi de 0 a 19 e pode ser usada para definir risco baixo (escore 0-5), intermediário (escore 6-9) ou alto (pontuação, 10-19) para toxicidade de quimioterapia grau 3.

Os pacientes apresentaram no início do tratamento IMC médio de 26 kg/m2 (intervalo de 15,1-52,1 kg/m2) e valores de albumina valores de 3,9 mg/dl (1,0-5,0 mg/dL). Cinquenta porcento dos pacientes relataram perda de peso não intencional, com 17,6% relatando >10% de perda de peso. A toxicidade quimioterápica grau 3+ ocorreu em aproximadamente metade dos pacientes (54,7%; n = 410).

A análise estatística univariada mostrou que, em comparação com pacientes com perda de peso ≤5% nos 6 meses antes do tratamento, aqueles com perda de peso > 10% apresentaram um risco 52% maior de toxicidade de quimioterapia grau 3+. Os pacientes que apresentaram um IMC mais alto no início do tratamento foram associados a um menor risco de toxicidade grau 3+. A análise multivariável mostrou uma tendência para uma associação entre um IMC ≥30 kg/m 2 e uma diminuição do risco de toxicidade quimioterápica grau 3+ (AOR, 0,65; P = 0,06), enquanto um nível baixo de albumina (≤3,6 mg/dL) foi associado a um maior risco de toxicidade quimioterápica grau 3+ (AOR, 1,50; P  = 0,03). Em análise do efeito conjunto do IMC e da albumina foi demonstrado um menor risco de toxicidade quimioterápica grau 3+ entre pacientes com IMC alto (≥30 kg/m 2) e níveis normais de albumina (p = 0,008).

Os autores concluíram que os idosos em tratamento oncológico que apresentaram IMC mais altos e níveis normais de albumina estavam associados a um menor risco de toxicidade quimioterápica grau 3+. 

Por Ana Carolina Costa Vicedomini

Referência: DOTAN, Efrat et al. Associations between nutritional factors and chemotherapy toxicity in older adults with solid tumors. Cancer, 2020:154-157.