Eficácia de dieta pobre em FODMAP na melhora dos sintomas de Doenças Inflamatórias Intestinais, Síndrome do Intestino Irritável e Doença Celíaca

Desordens intestinais estão frequentemente associadas com persistência de sintomas gastrintestinais como flatulência, inchaço, diarreia ou constipação e dor abdominal. A causa destes sintomas está relacionada com a funcionalidade alterada do intestino, do sistema nervoso entérico e com a má absorção de carboidratos devido à alta atividade osmótica e fermentativa.

Nos últimos anos, a dieta pobre em FODMAPs vem sendo bastante estudada no manejo dos sintomas associados as desordens inflamatórias do intestino e consiste no uso de pequenas quantidades de oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis (FODMAPs). Dentro desse contexto, recentemente pesquisadores italianos estudaram o efeito da dieta pobre em FODMAPs em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), Síndrome do Intestino Irritável (SII) e na Doença Celíaca (DC).

O estudo envolveu 146 pacientes, sendo 39 com DII, 64 com SII e 43 com DC. Todos pacientes receberam intervenção dietética. A dieta pobre em FODMAPs foi prescrita por um nutricionista pelo período de 12 semanas, no qual os pacientes foram instruídos a comer de acordo com seu apetite e foram orientados a preencher questionários que avaliam a qualidade de vida (questionário SF-36). Esses parâmetros foram avaliados no período zero antes de iniciar a dieta (TO); um mês (T1) e três meses (T3) após o início da dieta. A avaliação final dos resultados incluiu o total de 127 pacientes, sendo 30 com DII, 56 com SII e 41 com CD); o restante interrompeu o estudo devido a dificuldades de seguir a dieta orientada.

Os sintomas gastrintestinais melhoraram significativamente em todos indivíduos após 1 e 3 meses de início da dieta FODMAPs quando comparado ao período anterior (T0) (p <0,001), porém não houve diferença significativa entre os grupos quando comparado o período de 3 meses com dieta. Ao analisar os resultados do questionário SF-36, não foram observadas diferenças significativas entre os três grupos em relação a resposta à dieta, porém houve melhora clínica de sintomas e da qualidade de vida quando comparado os períodos antes e após intervenção (T0 vs T3).

Os autores concluíram que a dieta pobre em FODMAPs é uma ferramenta terapêutica eficaz a curto e médio prazo para combater sintomas gastrintestinais e melhorar qualidade de vida dos indivíduos que sofrem com desordens gastrintestinais.

Referência: Testa A, Imperatore N, Rispo A, et al. Beyond Irritable Bowel Syndrome: The Efficacy of the Low Fodmap Diet for Improving Symptoms in Inflammatory Bowel Diseases and Celiac Disease. Dig Dis. 2018; 15:1-10.

Por: Patrícia Morais