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Dieta MIND: novos caminhos para a saúde cardiometabólica e insônia no diabetes tipo 2
Dieta MIND: novos caminhos para a saúde cardiometabólica e insônia no diabetes tipo 2

O diabetes mellitus (DM) é a doença crônica mais comum em todo o mundo. Segundo a Federação Internacional de Diabetes, a condição afetará 783 milhões de pessoas até 2045.
Dentre os pacientes diabéticos, as doenças cardiovasculares (DCVs) são a principal causa de morbidade e mortalidade. Fatores de risco como sobrepeso, obesidade, dislipidemia e hipertensão são prevalentes em pessoas com DM, e influenciam a progressão das DCVs.
A insônia – dificuldade em iniciar/manter o sono ou alcançar um sono reparador – também é um problema comum em pessoas com diabetes, e aumenta o risco de DCVs em 45%.
Um ensaio clínico randomizado recente investigou se a dieta MIND poderia ser a chave para melhorar fatores de risco cardiometabólicos, composição corporal e a qualidade de vida de mulheres com DM2, excesso de peso e insônia.
O que é a dieta MIND?
A dieta MIND (Mediterranean-DASH Diet Intervention for Neurodegenerative Delay) integra elementos de duas dietas bem estabelecidas: a dieta mediterrânea e a dieta DASH.
Essa abordagem dietética foi introduzida em 2015, inicialmente para ganhos em saúde cerebral. Um de seus aspectos proeminentes é a ênfase no consumo de frutas vermelhas e vegetais folhosos verdes, ricos em fitoquímicos e polifenóis.
A dieta MIND também enfatiza o consumo de grãos integrais, nozes e leguminosas, que, em conjunto, aumentam a ingestão de fibras alimentares, ajudando a controlar o açúcar no sangue, reduzindo a resistência à insulina e o estresse oxidativo, retardando a absorção de glicose e alterando a microbiota intestinal e os metabólitos circulantes.
Por fim, a dieta também limita carboidratos refinados, doces e bolos, melhorando ainda mais os perfis metabólicos em pessoas com diabetes.
Dieta MIND vs. dieta LCD
Pesquisadores conduziram um ensaio clínico controlado por 12 semanas com 44 mulheres (30 a 65 anos) diagnosticadas com diabetes tipo 2, sobrepeso ou obesidade (IMC entre 25 e 35 kg/m²) e insônia (de acordo com o escore do Índice de Gravidade da Insônia – ISI).
As participantes foram divididas aleatoriamente em dois grupos:
- Grupo dieta hipocalórica MIND (MLCD, n=22): seguiram o padrão alimentar MIND, com seis refeições e lanches por dia.
- Grupo dieta hipocalórica (LCD, n=22): seguiram uma dieta de baixa caloria com ênfase em alimentos saudáveis.
Ambos os grupos passaram por uma restrição de calorias, para alcançar uma perda de peso de 250 a 500 g por semana.
O desfecho primário do estudo foi a mudança na qualidade do sono (avaliada pelo PSQI). Os desfechos secundários incluíram mudanças nos fatores de risco cardiometabólicos e índices antropométricos.
Além dos índices tradicionais (como exames de sangue, circunferências e IMC), os autores também investigaram mudanças em índices inovadores, sendo estes:
- Índice de arredondamento corporal (BRI)
- Índice de adiposidade corporal (BAI)
- Índice de produto de acúmulo de lipídios (LAP)
- Índice de adiposidade visceral (VA).
- Índice cardiometabólico (CMI)
- Índice de forma corporal (ABSI)
A dieta MIND superou a dieta hipocalórica padrão
Em ambos os grupos, houve uma redução na ingestão calórica e um aumento na ingestão de proteínas. Contudo, o grupo que seguiu a dieta MIND se destacou em diversos aspectos:
– Sono: a pontuação da qualidade do sono melhorou em ambos os grupos após 12 semanas, mas as melhorias na pontuação da qualidade do sono foram estatisticamente significativas no grupo MLCD em comparação com o grupo controle, principalmente para latência do sono, duração do sono e nos distúrbios do sono.
– Medidas antropométricas: houve uma redução significativa na circunferência de cintura, relação cintura quadril e índice de arredondamento corporal.
– Saúde cardiometabólica: redução significativa nos níveis de glicemia de jejum (GJ), colesterol total (CT), LDL-c, pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD). Além disso, a sensibilidade à insulina e o HDL-c aumentaram significativamente.
Como explicar esses resultados?
Os efeitos observados com a dieta MIND parecem resultar da combinação de mecanismos metabólicos, inflamatórios, hormonais e neuroendócrinos, indo além da simples restrição calórica.
Em primeiro lugar, alguns componentes da dieta MIND contribuem para a melhoria da qualidade do sono. Os vegetais folhosos verdes são fontes abundantes de magnésio, um mineral envolvido na função neuronal e na regulação do sono.
Já as frutas vermelhas, ricas em flavonoides e melatonina, desempenham um papel importante na facilitação do início do sono por meio do efeito calmante sobre o sistema nervoso.
A figura abaixo representa alguns mecanismos padrão da dieta MIND para a melhora da qualidade do sono.

Além disso, a dieta MIND incentiva a substituição de gorduras saturadas por ácidos graxos monoinsaturados e enfatiza o consumo de azeite de oliva, associado à transferência do armazenamento de gordura dos depósitos viscerais e ao aumento dos sinais de saciedade.
Finalmente, componentes da dieta MIND – como flavonóis, antocianinas e elagitaninos, das frutas vermelhas e nozes – desempenham papel um papel essencial na saúde cardiometabólica, melhorando o estresse oxidativo, o estado inflamatório, o metabolismo lipídico e a diferenciação de adipócitos.
O que podemos concluir?
Em mulheres com diabetes tipo 2, excesso de peso e insônia, a dieta MIND demonstrou benefícios que extrapolam a perda de peso, impactando positivamente o sono, a adiposidade central e múltiplos marcadores cardiometabólicos.
Os achados reforçam o potencial da dieta MIND como uma estratégia nutricional integrada para a redução do risco cardiovascular em populações vulneráveis.
Para ler o artigo científico completo, clique aqui.
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Referências:
Golmohammadi, M., Attari, V.E., Salimi, Y. et al. Effects of the MIND diet on cardiometabolic health and novel anthropometric measures in women with type 2 diabetes and insomnia: a randomized controlled trial. Nutr J 25, 18 (2026). https://doi.org/10.1186/s12937-025-01275-6
Golmohammadi M, Attari VE, Salimi Y, Saed L, Nachvak SM, Samadi M. The effect of MIND diet on sleep status, mental health, and serum level of BDNF in overweight/obese diabetic women with insomnia: a randomized controlled trial. Sci Rep. 2025 Mar 10;15(1):8237. doi: 10.1038/s41598-025-91389-y. PMID: 40065021; PMCID: PMC11893750.
Redação Ganep Educação



