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Consumo de ultraprocessados aumenta risco de doença hepática esteatótica metabólica (MASLD)?
Consumo de ultraprocessados aumenta risco de doença hepática esteatótica metabólica (MASLD)?

A doença hepática esteatótica metabólica (MASLD), antes conhecida como “doença hepática gordurosa não alcoólica” (NAFLD), é o distúrbio hepático mais prevalente em todo o mundo. Define-se como a presença de esteatose hepática em indivíduos que consomem pouco ou nenhum álcool, e apresentam pelo menos um fator de risco cardiometabólico.
A patogênese da MASLD envolve o acúmulo de tecido adiposo visceral, a resistência à insulina e o aumento de mediadores pró-inflamatórios. Tais fatores podem decorrer de uma má alimentação a longo prazo, e a modificação nutricional é considerada um pilar tanto para a prevenção quanto para o manejo.
Evidências crescentes sugerem uma possível associação entre o consumo de ultraprocessados e a saúde do fígado. Neste caminho, um recente estudo investigou as associações entre a MASLD e os diferentes graus de processamento de alimentos. Confira detalhes na sequência.
Mais de 2.300 participantes
Um estudo transversal foi realizado com 2.376 adultos que participaram do Tehran Lipid and Glucose Study, uma pesquisa longitudinal de base populacional em Teerã, no Irã.
Os pesquisadores avaliaram a alimentação dos participantes através de um questionário de frequência alimentar (QFA) composto por 168 itens. A qualidade geral da dieta foi determinada pelo Índice de Alimentação Saudável (HEI)-2015.
O consumo alimentar foi classificado segundo as definições da classificação NOVA:
- Alimentos in natura ou minimamente processados (MP) + ingredientes culinários (IC)
- Alimentos processados (AP)
- Alimentos ultraprocessados (AUP)
Também foram definidos subgrupos:
- Para alimentos processados (AP): pães, produtos enlatados, laticínios, vegetais em conserva e geleias.
- Para alimentos ultraprocessados (AUP): produtos de panificação, gorduras industriais, alimentos prontos para consumo, salgadinhos, ultra-laticínios, doces e refrigerantes.
Avaliou-se o consumo de cada grupo e subgrupo em relação à ingestão energética total (%).
A MASLD foi definida pelo índice de fígado gorduroso (FLI ≥ 60), juntamente com pelo menos um fator de risco cardiometabólico, que incluíam sobrepeso/obesidade, pré-diabetes/diabetes, hipertensão, triglicérides elevados, entre outros.
Refrigerantes, salgadinhos e alimentos prontos aumentam o risco de MASLD
Dos 2.376 indivíduos estudados, cerca de um terço (29,8%, n=708) apresentavam MASLD.
Após o ajuste para diferentes variáveis, indivíduos no tercil mais alto de alimentos in natura, minimamente processados e ingredientes culinários (MP + IC) apresentaram 24% menos chances de MASLD, em relação ao primeiro tercil. Essa associação permaneceu significativa após o ajuste para covariáveis, energia e índice HEI-2015.
Por outro lado, o tercil mais elevado de alimentos ultraprocessados (AUP) apresentaram maiores chances de MASLD em relação ao tercil mais baixo. Contudo, essa associação foi atenuada após a inclusão da ingestão energética total e do índice HEI-2015.
Entre os subgrupos de AUP, alimentos prontos para consumo, salgadinhos e refrigerantes associaram-se a maiores chances de MASLD, enquanto doces associaram-se a menores chances.
Por fim, no modelo totalmente ajustado, a substituição de 10% da energia proveniente de MP + IC por AP associou-se a chances 14% maiores de MASLD. Já o aumento de MP + IC em detrimento de AP associou-se a chances 22% menores.
O que explica esses resultados?
Sugere-se que altos níveis de gorduras saturadas, sódio, aditivos e compostos gerados durante o processamento estejam envolvidos nas associações observadas, gerando malefícios à saúde do fígado.
No caso dos refrigerantes, por exemplo, a presença de frutose na forma de aditivo adoçante pode promover a lipogênese hepática, prejudicar a depuração de lipídios e induzir resistência à insulina hepática. A frutose também pode contribuir para a patogênese da MASLD ao promover a peroxidação lipídica e a inflamação.
Ao contrário do esperado, o estudo encontrou chances menores de MASLD entre os participantes com maior consumo de doces. No entanto, os autores explicam que essa associação é metodologicamente frágil e deve ser interpretada com cautela.
O que podemos concluir?
Em resumo, o consumo dominante de alimentos dos grupos in natura, minimamente processados e ingredientes culinários associou-se a menores chances de doença hepática esteatótica metabólica (MASLD). Em contrapartida, o alto consumo de certos alimentos ultraprocessados associou-se a maiores chances.
Segundo os cientistas, são necessárias pesquisas futuras para confirmar esses achados, além de investigar as relações de causalidade.
Para ler a pesquisa completa, clique aqui.
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Referência:
Moslehi, N., Hosseinpanah, F., Mirmiran, P. et al. Food intakes based on degree of processing and metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD): the Tehran Lipid and Glucose Study (TLGS). Nutr Metab (Lond) 23, 64 (2026). https://doi.org/10.1186/s12986-026-01106-3
Redação Ganep Educação



