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Efeito de Plano alimentar a base de vegetais e alimentos integrais em Desfechos Cardiovasculares

Doenças cardiovasculares (DCVs) foram responsáveis por 46% das mortes mundiais no ano de 2012. Estima-se que até 2030 essas doenças deverão continuar a ser as principais causas de mortalidade global, portanto, devem ser consideradas problemas graves de saúde pública e intervenções efetivas para conter sua alta prevalência se fazem necessárias. 

A dieta considerada ideal para prevenir DCVs deve ser baseada no maior consumo de alimentos vegetais; e exclusão ou ingestão reduzida de alimentos de origem animal e processados. O presente estudo avaliou a efetividade de um programa de educação nutricional, por 12 semanas, na modificação de hábitos alimentares em indivíduos adultos. Foram também avaliados os fatores de risco para DCVs e os motivos determinantes que influenciaram as escolhas alimentares baseadas em opções vegetarianas e integrais. 

Foram estudados 72 participantes; e analisado a medida do peso corpóreo, IMC, circunferência da cintura, pressão arterial sistólica e diastólica (PAS e PAD; mmHg), perfil lipídico (colesterol total sérico, LDL, HDL, concentração de triglicérides; mmol/L), concentração de glicose no sangue em jejum (mmol/L) e hemoglobina glicada (%). Uma análise dietética foi utilizada para identificar os determinantes da adoção de uma dieta a base de vegetais com base no protocolo Food Choice Process Model. Todas as medidas antropométricas e biológicas foram avaliadas no início do estudo e após 12 semanas de implantação do programa nutricional. Para análises estatísticas, foram considerados testes t pareados e teste de Wilcoxon.

Como resultados, as variáveis de peso, circunferência da cintura, colesterol total e LDL melhoraram significativamente (p <0,001) após a adesão ao programa nutricional. O incentivo ao consumo de alimentos integrais e vegetais funcionou mais significativamente aos participantes quando comparado a outras estratégias dietéticas tradicionais. Motivos altruístas e sociais, além da saúde, foram identificados como determinantes-chave para a maior adesão á dieta.

Os autores concluíram que o programa nutricional para incentivar o consumo de alimentos vegetais e integrais melhorou a saúde cardiovascular de adultos; e representam uma importante ferramenta de intervenção nutricional a saúde pública.

Referência: Morin É, Michaud-Létourneau I, Couturier Y, Roy M. A whole-food, plant-based nutrition program: Evaluation of cardiovascular outcomes and exploration of food choices determinants. Nutrition. 2019, 26;66:54-61. 

Por: Mariane Marques

Consumo de ovos e colesterol dietético na incidência de Doença Cardiovascular e Mortalidade

Colesterol é um nutriente comum da dieta contemporânea; e os ovos constituem uma fonte dietética importante desse nutriente. Apesar de décadas de pesquisa, a relação entre o consumo de colesterol dietético e doenças cardiovasculares (DCV) permanece controverso.

Em estudo recente, pesquisadores americanos analisaram a associação entre consumo alimentar de colesterol e ovos na incidência de DCV e mortalidade. Essa pesquisa faz parte do projeto “Lifetime Risk Pooling”, que analisou dados dietéticos autoreferidos de 29.615 participantes durante o período de 17 anos.

A idade média dos participantes foi de 51,6 anos. Em torno de 31% eram negros e 44,9% eram do sexo masculino. O consumo médio de colesterol foi de 241 mg por dia (IQR, 164-350). O consumo médio total de ovos foi de 0,14 por dia (IQR, 0,07 – 0,43) a média geral foi de 0,34.  Durante o tempo de acompanhamento do estudo, foram relatados 5.400 casos de DCV e 6.132 mortes por todos os tipos de causas.

A associação entre o consumo de colesterol dietético e ovos não foi significativamente relacionada  com a incidência de DCV e mortalidade (p > 1). Contudo, na subpopulação em que o consumo alimentar excedeu 300 mg de colesterol ao dia houve associação com maior incidência de DCV (razão de risco ajustado – RR 1,17 [IC 95%]; razão de risco absoluto ajustada RRA 3,24% [IC 95%] e mortalidade (RR 1,18 e RRA 4,43% [IC 95%]. Além disso, foi também observado que cada metade excedente de ovo consumido ao dia foi significativamente associado a maior risco de incidência de DCV (RR 1,06 [IC 95%]; RRA 1,11% [IC 95%]) e mortalidade (RR 1,08 [IC 95%] e RRA 1,93% [IC 95%].

Os autores da pesquisa concluíram que o consumo excedente de colesterol ou ovos na dieta de adultos americanos foi dose-dependente do risco de incidência de DCV e mortalidade. Sugere-se que o colesterol da gema de ovo pode ser prejudicial no contexto da alimentação americana, na qual a incidência de sobrepeso e obesidade são mais comuns do que desnutrição e baixo peso. A generalização desses achados para populações não americanas requer cautela devido a diferentes ambientes nutricionais e epidemiológicos de doenças crônicas.

Referência: Zhong VW, Van Horn L, Cornelis MC, et al. Associations of Dietary Cholesterol or Egg Consumption With Incident Cardiovascular Disease and Mortality. JAMA. 2019; 19;321(11):1081-1095.

Por: Jana Grenteski