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Diretriz ESMO para Manejo da Caquexia no Câncer – 2021

A Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) publicou recentemente novas diretrizes. O documento fornece respostas baseadas em evidências para guiar o tratamento de pacientes com caquexia associada ao câncer.

A nutrição é reconhecida como um componente essencial dos cuidados paliativos, reabilitação e de suporte, e o atendimento às necessidades do paciente inclui o fornecimento de energia, substratos nutricionais e estímulos anabólicos, bem como apoio compassivo para lidar com disfunções associadas aos aspectos emocionais e sociais da alimentação.

Todos os pacientes em tratamento anticâncer e naqueles com sobrevida esperada por alguns meses devem realizar triagem nutricional e receber terapia nutricional mensal (incluindo nutrição oral, enteral ou parenteral). Em pacientes com sobrevida estimada em poucos meses, recomenda-se intervenções nutricionais menos invasivas, priorizando o aconselhamento dietético e uso de suplementos orais. Já em pacientes com sobrevida esperada de algumas semanas, o cuidado deve ser direcionado ao conforto, alívio da sede e sofrimento relacionado à alimentação e outros sintomas debilitantes.

O aconselhamento nutricional de suporte e educação sobre caquexia, bem como o suporte psicológico e paliativo, é recomendado para todos os pacientes que experimentam sofrimento relacionado à alimentação.

A manutenção do estado nutricional deve incluir aporte de pelo menos 25-30 kcal/kg de peso corporal/dia e 1,2g de proteína/kg de peso corporal/dia. Em pacientes com caquexia, metades das calorias não proteicas podem ser oferecidas na forma de lipídios. Quando houver alto risco para desnutrição (tratamentos de modalidade combinada, quimioterapia de alta dose, agentes altamente emetogênicos), a terapia nutricional profilática deve ser considerada.

Pacientes com risco nutricional devem ser avaliados através da avaliação objetiva do estado nutricional e metabólica (incluindo peso, perda de peso, composição corporal, estado inflamatório, ingestão nutricional e atividade física) e exames para avaliar a presença de fatores que interferem na manutenção ou melhora deste estado (sintomas de impacto nutricional, disfunção gastrintestinal, dor crônica e sofrimento psicossocial).

O uso de terapia nutricional enteral e parenteral deve obedecer a indicações clássicas, que consideram a funcionalidade do trato digestivo. Na caquexia, sintomas gastrintestinais mais comuns são anorexia e saciedade precoce, náuseas, distensão abdominal, alterações do paladar, xerostomia, disfagia e constipação. Além disso, falta de ar e fadiga severa podem ser sintomas secundários que causam impacto no estado nutricional.

A nutrição parenteral domiciliar deve ser oferecida se a qualidade de vida ou tempo de sobrevivência forem seriamente comprometidos pela desnutrição progressiva. Os indicadores de um benefício potencial incluem baixo nível de inflamação sistêmica (níveis normais de albumina sérica, pontuação prognóstica de Glasgow modificada <2), ausência de doença metastática e status de performance (ECOG/WHO PS) de 0-2. Não há evidências suficientes para recomendar rotineiramente nutrição parenteral suplementar em pacientes hipofágicos e desnutridos recebendo quimioterapia para melhorar a qualidade de vida e parâmetros nutricionais.

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Diretriz AHA/ASA para prevenção de AVC

A American Heart Association e American Stroke Association (AHA/ASA) apresentaram o novo guia de prevenção para pacientes com histórico de doenças cerebrovasculares. O guia traduz evidências científicas em diretrizes para a prática clínica e oferece orientações direcionadas para pacientes com acidente isquêmico transitório e acidente vascular cerebral.

Para reduzir o risco de recorrência, dietas com padrão mediterrâneo, que incluem vegetais, peixes, azeite extra virgem e oleaginosas são recomendadas, especialmente dentro de um contexto alimentar hipolipídico.

Em caso de hipertensão, orienta-se a restrição de sódio dietético para 2,5g ao dia, a fim de reduzir o risco de eventos relacionados a doenças cardiovasculares, incluindo acidente vascular cerebral. Diferente de diversas vitaminas e minerais, o consumo de sódio e potássio pode ser ajustado sem prejuízo aos padrões alimentares gerais. De tal modo, tanto o aumento no consumo de potássio quanto a redução do consumo de sal se associam a menores taxas de acidente vascular cerebral.

Dietas pobres em gorduras, carboidratos refinados e álcool são indicadas em caso de hipertrigliceridemia (≥500 mg/dL). Nestes casos, também se orienta a identificação e tratamento das causas envolvidas, e o uso de ômega 3 e fibratos pode ser indicado.

Em casos de diabetes associado a acidente vascular isquêmico ou isquêmico transitório, o tratamento multiprofissional deve incluir mudanças de estilo de vida, terapia nutricional e educação para manejo do diabetes. Tomadas em conjunto, estas medidas podem auxiliar o alcance de metas glicêmicas e melhora de fatores de risco relacionados a acidente vascular cerebral.

O cálculo do IMC deve ser feito anualmente e na vigência de alterações cerebrovasculares. A perda de peso é recomendada em casos de sobrepeso e obesidade, e programas para mudanças no estilo de vida devem ser intensivos e incluir intervenções comportamentais para melhores desfechos clínicos.

O guia também oferece recomendações direcionadas para aterosclerose, apneia obstrutiva do sono e diversas outras condições.

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Diretriz AGA: Balão intra-gástrico no manejo da obesidade – 2021

A American Gastroenterological Association (AGA) publicou recentemente uma diretriz sobre a utilização de balão intra-gástrico (BIG) no manejo da obesidade. O intuito do documento é guiar as equipes de saúde a compreender como a utilização do BIG pode contribuir em importantes desfechos associados à perda de peso, bem como advertir sobre seus possíveis eventos adversos. Dessa forma, tanto os profissionais como os pacientes poderão optar com segurança pelo uso ou não uso deste recurso no tratamento da obesidade.

A diretriz está organizada em sete diferentes recomendações, apontando a qualidade da evidência e o grau de recomendação. Assim, o uso do BIG é recomendado para indivíduos com obesidade (IMC ³ 30 kg/m2 e £ 40 kg/m2) que buscam por intervenção para perda de peso e não obtiveram resultados com o tratamento convencional, devendo ser associado a intervenções para promoção de mudanças de estilo de vida. Após a colocação do BIG, o tempo para remoção do mesmo varia de 6 a 12 meses, dependendo do dispositivo escolhido. É recomendado que os indivíduos submetidos ao tratamento com balão intra-gástrico recebam inibidores de bomba de prótons de forma profilática, além de antieméticos por duas semanas após o procedimento de colocação do BIG.

A AGA não recomenda a triagem laboratorial perioperatória para possíveis deficiências nutricionais de forma rotineira. No entanto, indica que o julgamento clínico deve ser utilizado para definir a necessidade da avaliação de possíveis deficiências nutricionais para cada paciente. Ademais, é recomendada a suplementação de 1 a 2 doses diárias de polivitamínicos após a implantação do balão intra-gástrico.

Por fim, a última recomendação da diretriz sugere que após a remoção do BIG devem ser mantidas as intervenções para perda ou manutenção de peso, como dietoterapia, farmacoterapia, nova colocação de BIG ou cirurgia bariátrica. A escolha do tipo de intervenção adotada deve ser determinada de acordo com o contexto do paciente, comorbidades, bem como da decisão conjunta da equipe e do paciente.

A diretriz completa pode ser acessada, clicando aqui.

Identificação e Manejo dos transtornos alimentares em crianças e adolescentes – 2021

A academia Americana de Pediatria publicou recentemente um relatório clínico que oferece orientações clínicas para cuidados pediátricos de transtornos alimentares. O documento revisa distúrbios comumente observados em crianças e adolescentes, descreve a avaliação e apresenta estratégias de tratamento.

As principais condições abordadas incluem anorexia e bulimia nervosa, transtorno de compulsão alimentar e transtorno de ingestão alimentar evitativa / restritiva.

O papel do pediatra é dado como fundamental na identificação de distúrbios, e sinais como relatos de dieta, insatisfação com a imagem corporal, experiências de estigma com base no peso ou mudanças nos padrões de alimentação ou exercícios, devem ser explorados de forma mais aprofundada.

Sinais de oligomenorreia ou amenorreia (primária ou secundária) podem indicar deficiência de energia, enquanto flutuações de peso ou ganho de peso rápido podem ser sinais de compulsão alimentar ou sintomas de bulimia nervosa.

A avaliação psicossocial completa, incluindo uso de drogas e realização de dietas, avaliação domiciliar, educacional, atividades, sexualidade, suicídio / depressão é fundamental para entender o contexto no qual o paciente se insere.

Investigações laboratoriais são frequentemente normais em pacientes com transtornos alimentares. Contudo, a contagem completa de células sanguíneas, eletrólitos séricos, cálcio, magnésio, fósforo e glicose, transaminases hepáticas, análise de urina, e concentração de hormônio estimulador da tireoide possuem validade clínica. A triagem para deficiências específicas de vitaminas e minerais (por exemplo, vitamina B12, vitamina D, ferro e zinco) pode ser indicada com base na história nutricional do paciente.

Queixas gastrintestinais são comuns e, às vezes, precedem o diagnóstico do transtorno alimentar. O retardo do esvaziamento gástrico e o trânsito intestinal lento muitas vezes contribuem para as sensações de náusea, distensão abdominal e plenitude pós-prandial, e podem ser uma característica de apresentação da restrição alimentar.

Os principais objetivos do cuidado em transtornos alimentares incluem a melhora da nutrição e do estado nutricional e restauração da trajetória de crescimento. A regularização de padrões de comportamentos alimentares também é uma meta desejada, e deve ser acompanhada da melhora da relação saudável com os alimentos e seu peso corporal, forma, e tamanho, bem como um senso de identidade.

Independentemente de um diagnóstico específico, o tratamento se concentra na reposição nutricional e na terapia psicológica e medicações psicotrópicas podem ser um complemento útil em determinadas circunstâncias.

Confira o documento completo clicando aqui

Posicionamento da ESPEN sobre o manejo nutricional de pacientes com obesidade e Covid-19

A Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN) publicou recentemente um posicionamento sobre o manejo nutricional de pacientes com obesidade e Covid-19, com intuito de guiar a prática clínica dos profissionais envolvidos no manejo nutricional destes pacientes. Os autores separam as recomendações de acordo com o ambiente que o paciente obeso com Covid-19 se encontra – domicílio, hospital/enfermaria e hospital/UTI – e, também no cenário clínico, seja na prevenção da infecção, no tratamento e na recuperação da Covid-19 destes pacientes.

Os indivíduos obesos em isolamento social devem ser encorajados a manter padrões alimentares saudáveis e atividade física regular. Aqueles com riscos adicionais para desnutrição e para infecção severa de SARS-CoV-2 devem ser triados por meio de ferramentas de triagem nutricional validadas.  Os pacientes obesos com Covid-19 durante a quarentena domiciliar devem ser triados para avaliar risco nutricional e devem ser orientados quanto a otimização nutricional, a fim de minimizar as perdas de massa magra e massa muscular decorrentes do processo infeccioso.

Os pacientes hospitalizados em enfermaria, principalmente aqueles com maiores riscos de desfechos negativos devido a idade e presença de comorbidades, devem ser triados por ferramentas validadas, como a NRS-2002. Já para os pacientes em UTI, a dieta deve considerar a presença de intubação. Aos não intubados deve-se priorizar a dieta via oral (VO). Aos intubados indica-se a dieta enteral, ou parenteral quando a via digestiva estiver contraindicada ou for insuficiente, associada a deambulação ou exercícios físicos controlados para minimizar as perdas de massa muscular esquelética. No período pós intubação, aos pacientes com disfagia deve-se adaptar a textura da dieta oral ou utilizar NE ou NP, caso necessário. Recomenda-se a utilização de fórmulas hipercalóricas e hiperproteicas.

O paciente obeso com alta hospitalar deve ser reavaliado quanto a presença de desnutrição, em especial os idosos, com múltiplas comorbidades e os que permaneceram em UTI. Caso apresente risco nutricional ou desnutrição associada, recomenda-se acompanhamento e aconselhamento nutricional por profissionais com experiência. As metas calóricas e proteicas recomendadas, em todas as situações apresentadas (exceto em UTI), são 25 kcal/kg de peso ajustado/dia e > 1g/kg de peso ajustado/dia, respectivamente. Aos pacientes em UTI, recomenda-se até 20 kcal/kg de peso ajustado/dia e 1,3g de proteína/kg de peso ajustado/dia. Considerando que indivíduos obesos apresentam risco de deficiências de micronutrientes, em especial na presença de desnutrição, em todas as situações discutidas deve-se garantir a oferta da RDA por meio da dieta e a suplementação adicional pode ser necessária em casos de deficiências comprovadas.

O posicionamento completo pode ser acessado clicando aqui.

Posicionamento da BRASPEN sobre o uso de micronutrientes via parenteral em adultos

A Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN) publicou recentemente um posicionamento sobre o uso de micronutrientes intravenoso (IV). O documento reúne a compilação da literatura disponível e de diretrizes já publicadas referentes a diversos micronutrientes, com intuito de guiar a prática clínica de todos os profissionais da equipe multidisciplinar de terapia nutricional (EMTN). 

Estão apresentadas no posicionamento as causas de deficiências de elementos-traços e de vitaminas juntamente com as justificativas e a indicação de prevenção das deficiências. Igualmente, uso de micronutrientes parenteral está apresentado de forma separada de acordo com condições clínicas específicas, como em pacientes críticos, grandes queimados, pacientes cirúrgicos e nutrição parenteral domiciliar. 

Além disto, são apresentadas as situações em que pode ser necessária administração endovenosa de micronutrientes, categorizadas em: (1) perdas específicas, como hemodiálise contínua, fístulas, diarreia grave e redução da área de absorção intestinal; (2) aumento do estresse oxidativo, como na sepse e queimados graves e (3) oferta enteral insuficiente. 

Aos pacientes em dieta via oral ou via enteral, em situações de necessidade de complementação endovenosa de micronutrientes, deve-se ofertar uma solução de vitamina e elementos-traço diluídos em soro glicosado 5% ou fisiológico 0,9%, em volume de 150 a 500ml infundido em 1 hora. Já aos pacientes em TNP por meio de soluções prontas para uso a complementação diária de micronutrientes deve ser realizada à parte. Quando a NP utilizada é manipulada, pode-se adicionar os micronutrientes às soluções, desde que seguindo os padrões para controle de qualidade. As recomendações para administração de cada micronutriente estão apresentadas em um quadro, contendo as doses de vitaminas lipossolúveis, do complexo B, vitamina C, zinco, cobre, selênio, manganês, ferro, cromo, molibdênio e iodo. 

O documento também apresenta produtos comerciais para administração IV de micronutrientes, avaliação e monitoramento dos micronutrientes séricos e os possíveis riscos associados à oferta de micronutrientes IV. 

O posicionamento completo pode ser acessado em:

https://wdcom.s3.sa-east-1.amazonaws.com/hosting/braspen/journal/2021/journal/jan-mar-2021/artigos/01-Posicionamento-BRASPEN.pdf

Manejo de pancreatite crônica em crianças

Novo posicionamento da Sociedade Norte Americana de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica e o Comitê de Nutrição e Pâncreas reúne as recomendações mais atuais para manejo de pancreatite crônica (PC) em crianças.

Ao considerar que o pâncreas é uma glândula exócrina e endócrina responsável pela secreção de enzimas e hormônios que viabilizam a homeostase glicêmica, digestão e absorção de nutrientes, o comprometimento deste órgão pode levar a insuficiência pancreática exócrina e diabetes mellitus. Em caso de insuficiência pancreática exócrina, a apresentação pode ocorrer de maneira subclínica ou com manifestações como dor e/ou distensão abdominal, gases, fezes fétidas e esteatorreia.

A distribuição de macronutrientes depende do estado de saúde e da idade. Especialistas consideram que a restrição de gordura pode colocar os pacientes em risco desnecessário e, dentre 4 a 18 anos, uma dieta saudável deve consistir de 45% a 60% de carboidratos, 10% a 30% de proteína e 25% a 35% de gordura. Em crianças com PC, as recomendações atuais apoiam dieta normolipídica, a menos que a hipertrigliceridemia seja a etiologia subjacente.

Quando há fibrose cística associada à insuficiência pancreática exócrina, a absorção insuficiente de gordura pode ser associada ao atraso no desenvolvimento puberal, mau estado nutricional, diabetes e doença hepática. Portanto, em pacientes pediátricos com fibrose cística, é recomendada dieta rica em gordura, com um aporte maior que 35% do total diário de calorias. Este padrão dietético deve ser realizado em conjunto com terapia de reposição enzimática pancreática, avaliação de parâmetros de crescimento e monitoramento de atraso puberal.

Há risco de deficiências de micronutrientes em crianças com PC, particularmente das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. A deficiência de vitamina D pode contribuir para maior prevalência de osteopenia e osteoporose em adultos com PC. Em pacientes com fibrose cística, pode haver risco de deficiência de ácidos graxos essenciais, mas não está claro se isso se aplica a todos os pacientes que além da PC também possuem insuficiência pancreática exócrina.

Na vigência de PC associada à insuficiência pancreática exócrina, recomenda-se o uso de terapia de reposição enzimática. Na alimentação via oral, a dosagem pode ser definida de acordo com o peso do paciente ou com o teor de gordura de uma refeição ou lanche. Por peso, considerar de 500 a 1000 unidades de lipase/kg/refeição e pelo teor de gordura de uma refeição de 500 a 4000 unidades de lipase/g de gordura.

A prevalência de diabetes em crianças com PC varia entre 4 a 9% e o risco de desenvolvimento de diabetes tende a ser maior na vida adulta, por volta dos 50 anos de idade. Devido ao alto risco de desenvolvimento de diabetes, é aconselhado que crianças com pancreatite crônica realizem anualmente exames para dosar hemoglobina glicada. O crescimento e a ingestão alimentar devem ser revisados a cada visita clínica, que deve ser feita no mínimo a cada 6 a 12 meses. A análise laboratorial das vitaminas lipossolúveis deve ocorrer a cada 12 a 18 meses, ou conforme indicação clínica.

O documento também traz orientações sobre o estilo de vida, medicamentos a serem usados na vigência de complicações e outras recomendações.

Para acessar o arquivo completo, acesse: https://journals.lww.com/jpgn/Fulltext/2021/02000/Medical_Management_of_Chronic_Pancreatitis_in.30.aspx

Diretrizes ESPEN para nutrição enteral domiciliar

Diretrizes publicadas pela ESPEN informam provedores de nutrição enteral domiciliar (NED) sobre suas indicações, contraindicações e cuidados para implementação e monitoramento.

A NED deve ser oferecida a pacientes com risco nutricional ou desnutridos que não conseguem atender às suas necessidades de nutrientes com a ingestão alimentar normal, sem comprometimento do trato gastrointestinal, que dispensam cuidados intensivos, que concordam e são capazes de cumprir a NED para melhorar o peso corporal, o estado funcional ou a qualidade de vida.

O método de administração da NED deve ser uma decisão da equipe multidisciplinar, ao considerar a doença do paciente, o tipo de sonda e seu posicionamento, a tolerância da alimentação e a preferência do paciente. Contudo, a administração via sonda nasoenteral é recomendada apenas por um curto período de tempo (4 a 6 semanas), e a gastrostomia endoscópica percutânea ou a jejunostomia endoscópica percutânea são os dispositivos de acesso preferenciais que devem ser priorizados quando a NED de longo prazo é necessária.

Na ausência de complicações após a colocação de gastrostomia, a nutrição enteral pode ser iniciada dentro de 2 a 4 horas. Apesar de ter se tornado parte dos cuidados de rotina, a nutrição jejunal por sonda nasojejunal ou jejunostomia após cirurgia abdominal não possuem regimes de início da alimentação bem definidos e há uma grande heterogeneidade na prática.

A infusão de dieta em bolo, intermitente ou contínua por meio de bomba de infusão podem ser usadas dependendo da necessidade clínica, segurança e nível de precisão exigidos.

A NED NÃO É INDICADA quando:

  1. A expectativa de vida for estimada em menos de um mês;
  2. Houver distúrbios funcionais graves do intestino
  3. Há obstrução ou sangramento gastrointestinal, má absorção grave ou desequilíbrios metabólicos importantes;
  4. Não houver concordância do paciente e / ou seus responsáveis legais ou não forem capazes de cumpri-lo;
  5. Problemas organizacionais / logísticos que não possam ser superados;

Outras práticas como manejo e manutenção de infecções de ostomias, lavagem de sonda e administração de medicamentos por vias de acesso a nutrição também são discutidos nas diretrizes.

Para acessar o documento na íntegra, consulte o link:https://www.clinicalnutritionjournal.com/action/showPdf?pii=S0261-5614%2819%2930198-0

Diretrizes ESPEN para pacientes hospitalizados com doença renal

A nova diretriz, recentemente, publicada pela ESPEN traz recomendações para manejo de pacientes hospitalizados com injúria renal aguda (IRA) e doença renal crônica (DRC). O documento considera as evidências em nutrição clínica e a opinião de experts.

A diretriz considera que o comprometimento da função renal tem efeitos negativos no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, exerce um efeito pró-inflamatório e tem um grande impacto no sistema antioxidante.

O catabolismo proteico é um fator marcante em pacientes com comprometimento renal. As recomendações de proteína foram adaptadas e variam de acordo com o estado clínico, nível de comprometimento renal e estágio de progressão da doença.

Na DRC em tratamento conservador, a recomendação energética é de 30-35 kcal/kg/dia e a proteica de 0,6-0,8 g/kg/dia. Já na fase dialítica a recomendação proteica passa para 1,2 g/ kg/dia. Na IRA clínica, sem terapia renal substitutiva, a recomendação deve começar com 1 g/kg/dia e aumentar gradualmente até 1,3 g /kg/dia, se tolerado. No paciente crítico com IRA a recomendação proteica deve ser de 1,3-1,5 g/kg/dia em diálise intermitente e de 1,5 a 1,7 g/kg/dia na diálise contínua. Em relação ao peso, a recomendação é considerar peso usual ao peso ideal.

No âmbito hospitalar, a terapia nutricional deve ser considerada para qualquer paciente com DRC ou IRA, com ou sem falência renal. Esta recomendação também se aplica para pacientes internados em UTI por mais de 48h.

O uso de suplementos nutricionais orais é indicado para pacientes desnutridos independente da presença de falência renal. Isto se aplica particularmente para pacientes que possuem capacidade de alimentação via oral preservada, mas não conseguem atingir suas necessidades nutricionais apenas com a dieta oral.

Nutrição enteral ou parenteral isoladas ou combinadas devem ser fornecidas para pacientes quando a dieta oral não atende 70% das necessidades nutricionais.

A nutrição parenteral intradialítica pode ser realizada em pacientes desnutridos não críticos hospitalizados ou pacientes em risco de desnutrição que não respondem ou não toleram suplementação oral ou nutrição enteral.

O documento também discute avaliação do risco nutricional com questionários disponíveis, composição corporal, função muscular, necessidades nutricionais por calorimetria indireta, dentre outros.

Para ver o documento completo acesse:

https://www.clinicalnutritionjournal.com/article/S0261-5614(21)00052-2/fulltext

Guidelines para manejo da Síndrome do Intestino Irritável

O Colégio Americano de Gastroenterologia publicou pela primeira vez diretrizes clínicas para manejo da Síndrome do Intestino Irritável (SII). O documento reúne orientações para guiar o diagnóstico da SII e as opções terapêuticas disponíveis na literatura científica.

A Síndrome do Intestino Irritável é uma desordem bastante prevalente e se caracteriza por sintomas recorrentes de dores abdominais e alteração nos padrões das fezes. O diagnóstico é realizado por critérios de Roma IV. O documento apresenta nove recomendações associadas ao diagnóstico da SII, dentre elas destaca-se: a categorização com base na predominância dos sintomas para melhor direcionar a terapêutica; a dosagem de calprotectina fecal e proteína C reativa em pacientes com suspeita da SII e com sintomas diarreicos; e a não recomendação da testagem para alergias ou sensibilidades alimentares em todos os pacientes com SII, exceto naqueles com sintomas relacionados a estas sensibilidades/alergias alimentares.

O Guideline apresenta posicionamento sobre terapêuticas alimentares, fitoterapia, psicoterapias e transplante fecal. A adoção da dieta de baixo FODMAPs, com eliminação de oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos fermentáveis e polióis é recomendada, e preferencialmente sugere-se ser realizada por nutricionistas treinados a acompanhar todas as três fases da dieta. As fibras solúveis estão recomendadas para tratar sintomas globais da SII. O uso de Mentha piperita (hortelã-pimenta) está sugerido no alívio de sintomas, principalmente dores abdominais.

Por outro lado, apesar dos probióticos parecerem promissores no tratamento da SII, o documento contraindica o uso desta terapêutica para alívio dos sintomas globais, pois há enorme heterogeneidade e inconsistências nos estudos disponíveis na literatura. As psicoterapias voltadas para o funcionamento gastrointestinal são sugeridas para o tratamento de sintomas globais da SII. Além disso, o Guideline se posiciona contra o tratamento por meio de transplante fecal, devido a falta de evidências científicas robustas que comprovem a eficácia e segurança deste tratamento.

A diretriz também discute intervenções medicamentosas e apresenta 16 recomendações para o tratamento da doença.

O guia completo pode ser acessado em:https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33315591/