Estudo aponta melhores suplementos nutricionais para prevenir infecções respiratórias em adultos

As infecções do trato respiratório (ITRs) representam uma significativa e crescente carga de doenças global, com taxas elevadas especialmente entre a população adulta e idosa. Elas são definidas como doenças do sistema respiratório que causam infecções nos seios da face, garganta, vias aéreas e pulmões.
Com a pandemia de COVID-19 e a persistência da influenza sazonal, o interesse na suplementação nutricional como estratégia preventiva ganhou destaque.
Sabe-se que micronutrientes (como vitaminas e zinco), antioxidantes (como flavonoides/polifenóis) e moduladores intestinais (probióticos e simbióticos) podem atuar ativando o sistema imunológico, reduzindo o estresse oxidativo e mantendo a função de barreira das vias respiratórias.
No entanto, poucas revisões sistemáticas anteriores focaram na população adulta, ou utilizaram métodos que não permitiam uma comparação direta e abrangente entre todas as intervenções nutricionais.
Diante disso, um novo estudo buscou preencher essa lacuna, avaliando comparativamente a eficácia e a segurança de diversos suplementos orais na prevenção de infecções respiratórias em adultos.
107 pesquisas foram avaliadas
A pesquisa utilizou a metodologia de revisão sistemática e meta-análise em rede, um tipo de estudo robusto que permite comparar múltiplas intervenções por meio de evidências diretas e indiretas.
Desse modo, o estudo reuniu 107 ensaios clínicos randomizados (ECRs) que investigaram os efeitos preventivos de suplementos orais em 101.751 participantes adultos (idade ≥18 anos).
As intervenções analisadas incluíram:
- Micronutrientes (vitaminas A, C, D, E e zinco)
- Flavonoides (catequinas e quercetina)
- Probióticos (cepas únicas, como Bifidobacterium animalis, e multi-cepas)
- Simbióticos
As vitaminas C e D foram categorizadas por dosagem (baixa, moderada e alta para C; padrão e alta para D).
Por fim, os desfechos analisados incluíram a incidência de infecções respiratórias, a incidência específica de COVID-19 e influenza, a duração dos sintomas e a gravidade dos sintomas.
Principais resultados do estudo
Nenhuma das intervenções aumentou o risco de eventos adversos em comparação com o placebo, indicando que todas as intervenções apresentaram um bom perfil de segurança. No entanto, faltavam dados de avaliação de segurança para a vitamina C.
Prevenção geral de infecções respiratórias
Após análise criteriosa, os pesquisadores apontaram que catequina, Bifidobacterium animalis e probióticos multi-cepas destacaram-se como os mais eficazes na redução da incidência geral de infecções do trato respiratório.
Particularmente, os resultados para a catequina obtiveram alta evidência. Já para Bifidobacterium animalis e probióticos multi-cepas, a evidência foi moderada.
A eficácia superior das catequinas pode ser atribuída aos seus mecanismos multifacetados, incluindo potentes efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e inibição viral direta.
Ademais, a vitamina C em dose moderada (501 a 1000 mg) e a vitamina D em dose alta (≥2000 UI) foram associadas a uma eficácia intermediária.
Prevenção de COVID-19 ou influenza
Para a prevenção de casos de COVID-19 ou influenza, a vitamina D em dose alta (≥2000 UI) demonstrou ser altamente eficaz, apresentando a melhor performance.
Além disso, a catequina apresentou eficácia intermediária (certeza moderada), e os dados sugeriram que os simbióticos podem estar entre os mais eficazes (baixa certeza).
Duração dos sintomas
Catequina e probióticos multi-cepas foram considerados os mais eficazes em encurtar a duração dos sintomas de infecções respiratórias.
Enquanto a catequina reduziu a duração em 2,64 dias por infecção, os probióticos multi-cepas reduziram em 0,97 dias por infecção.
Evidências de baixa certeza sugerem que a L. casei pode ajudar a reduzir a duração dos sintomas de ITRs (−0,89 dias por infecção).
Gravidade dos sintomas
Probióticos multicepas estiveram entre as intervenções mais eficazes para aliviar a gravidade dos sintomas de infecção respiratória, em comparação com o placebo (certeza moderada).
Além disso, simbióticos podem ser eficazes (baixa evidência).
Conclusão
De modo geral, a pesquisa encontrou evidências moderadas a altas sugerindo que:
- A catequina, o B. animalis e os probióticos multicepas estão entre as melhores medidas para a prevenção de infecções do trato respiratório;
- Altas doses de vitamina D são ideais para reduzir a incidência de COVID-19 ou influenza;
III. Catequinas e probióticos multicepas estão associados a uma menor duração dos sintomas;
- Os probióticos multicepas são mais eficazes no alívio da gravidade dos sintomas.
Embora o estudo seja a primeira avaliação comparativa abrangente do tema, os autores destacam que a falta de comparações diretas entre as principais categorias de intervenções, além da heterogeneidade nas formas de administração (cápsulas, bebidas, etc) limitam a consistência de algumas estimativas.
Pesquisas futuras de alta qualidade são necessárias para fornecer evidências diretas sobre o tipo, frequência, forma e dose de intervenção ideais para orientar a prática clínica de forma ainda mais eficaz.
Atenção: apesar dos achados promissores, é fundamental reforçar que suplementos nutricionais não substituem vacinas, e o uso indiscriminado ou em altas doses pode causar efeitos adversos, não devendo ser realizado sem orientação profissional.
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Referência
Zhu, Z., Zhu, X., Chu, Y., Zhang, B., & Chen, Y. (2025). Comparative effectiveness of oral nutritional supplements in preventing respiratory tract infections among adults: a systematic review and network meta-analysis. eClinical Medicine, 88, 103479.











