Fragilidade na velhice: como a dieta pode ajudar a prevenir?

A fragilidade física é uma síndrome geriátrica que compreende a diminuição da força, da resistência e da função fisiológica, sendo um fator crucial para o declínio funcional e a mortalidade em idosos. Sua prevalência aumenta com o avançar da idade, afetando 3.2 a 25.7% dos indivíduos entre 65 a 89 anos.
Como ainda não existe um tratamento eficaz, saber como prevenir a fragilidade ainda na vida adulta é fundamental.
Diversos estudos mostraram que padrões alimentares ricos em alimentos de origem vegetal podem reduzir o risco de fragilidade relacionada ao envelhecimento em 50 a 70%, por conta dos fitoquímicos antioxidantes como carotenoides e flavonoides. No entanto, muitas pesquisas possuem um baixo tempo de acompanhamento, amostras pequenas, e outros fatores limitantes.
Recentemente, um estudo inovador buscou determinar as associações entre a ingestão alimentar de carotenoides e flavonoide na meia-idade, durante um período de 20 anos.
Afinal, como a dieta pode ajudar a prevenir a fragilidade na velhice? Confira a seguir.
Mais de 10 mil adultos participaram da pesquisa
A pesquisa incluiu 10.738 adultos que participaram do Estudo de Saúde dos Chineses de Singapura (SCHS) entre 1993 a 1998, com idade média de 51 anos no início do estudo (45 a 60 anos).
Desde 1999, os participantes foram acompanhados a cada 5 a 6 anos por telefone ou pessoalmente para atualizar informações sobre fatores de estilo de vida e estado de saúde.
As informações dietéticas foram coletadas utilizando um questionário de frequência alimentar semiquantitativo validado de 165 itens. Os nutrientes de interesse incluíram:
- Carotenoides: alfa-caroteno, beta-caroteno, beta-criptoxantina, licopeno e luteína
- Flavonoides: antocianinas, flavan-3-óis, flavanonas, flavonas e flavonóis
Durante o acompanhamento, em três entrevistas realizadas entre 2014 e 2017, a fragilidade física foi avaliada utilizando uma versão modificada do fenótipo de fragilidade do Estudo de Saúde Cardiovascular.
Entre os cinco critérios para fragilidade física, foi possível incluir apenas perda de peso, exaustão, lentidão e fraqueza. Aqueles que atendiam a pelo menos dois desses critérios foram definidos como fisicamente frágeis.
Carotenoides ajudam na força, e flavonoides na velocidade
Durante o acompanhamento de 20 anos, dos 10.738 participantes recrutados, 1.220 (11.4%) foram identificados como fisicamente frágeis. Dentre os participantes frágeis, a maioria apresentava fraqueza (69,2%), seguida por lentidão (60,5%), exaustão (55,8%) e perda de peso (39,4%).
Uma maior ingestão de carotenoides e flavonoides totais foi associada a menores chances de fragilidade física de forma gradual.
Mais detalhadamente, participantes que consumiam mais carotenoides (quintil mais alto: 8,96 a 13,37 mg/dia) apresentaram menor risco do que os participantes que consumiam menos (quintil mais baixo: 2,35 a 4,33 mg/dia).
Uma associação semelhante foi observada para a ingestão de flavonoides, comparando aqueles que consumiam mais (380,3 a 876,0 mg/dia) aos que consumiam menos (17,4 a 56,4 mg/dia).
A ingestão total de carotenoides mostrou associação inversa significativa com fraqueza definida por preensão manual fraca. Já a ingestão de flavonoides apresentou associação inversa com o teste de agilidade cronometrado (Timed Up and Go).
Esses resultados demonstraram que os carotenoides podem ajudar a prevenir a perda de força, e os flavonoides, a lentidão.
Para nutrientes individuais, foram encontradas associações inversas significativas para:
- Alfa-caroteno
- Beta-caroteno
- Luteína
- Flavan-3-óis
- Flavonas
- Flavonóis
Embora as estimativas de risco para licopeno, beta-criptoxantina, antocianinas e flavanonas não tenham atingido significância estatística, suas associações com fragilidade física ainda demonstraram uma tendência inversa geral.
O que explica esses resultados?
Embora os mecanismos exatos permaneçam complexos e não totalmente compreendidos, os principais efeitos protetores dos carotenoides e flavonoides provavelmente se devem às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, já que o estresse oxidativo e a inflamação promovem a perda de massa muscular e função física relacionada à idade.
Ao eliminar as espécies reativas de oxigênio (ROS), esses compostos podem ajudar a mitigar ou prevenir danos mitocondriais e celulares causados pelo estresse oxidativo, bem como manter a homeostase proteica e a função do músculo esquelético.
O que levar para a prática clínica?
Como visto, o estudo sugere que uma maior ingestão dietética de carotenoides e flavonoides durante a meia-idade pode ajudar a reduzir o risco de desenvolvimento de fragilidade na velhice.
Assim, promover uma dieta rica em carotenoides e flavonoides durante a meia-idade pode ser uma abordagem estratégica para prevenir a fragilidade nos anos seguintes, durante a terceira idade.
Tais compostos estão amplamente distribuídos em várias frutas, vegetais, plantas e ervas, incluindo:
- Frutas vermelhas
- Frutas cítricas
- Cacau e chocolate amargo
- Maçã, manga, uva, manga, mamão
- Chá de camomila, chá verde, chá preto
- Hortelã e alecrim
- Brócolis, couve, espinafre, aipo, salsa, rúcula, pimentão
- Abóbora, batata-doce, cenoura
- Nozes
A melhor forma de garantir o aporte de todos os bioativos é incentivar o paciente a consumir uma dieta colorida e variada. Muitas vezes, a sinergia entre esses alimentos é mais eficaz do que a suplementação isolada.
Para ler o artigo científico completo, clique aqui.
Se você gostou deste conteúdo, leia também:
- Dieta plant-based previne fragilidade em idosos?
- Microbiota intestinal e envelhecimento: principais mudanças e estratégias dietéticas
- Pós-menopausa: deficiências nutricionais e consequências para a saúde
Cursos que podem te interessar:








