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Recomendações da OMS para suplementação de vitamina D na gestação

O cuidado pré-natal é essencial para uma gestação saudável e de baixo risco. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas recomendações para suplementação de vitamina D no período pré-natal.

É orientado que gestantes tenham aporte nutricional adequado através da alimentação saudável e balanceada. A suplementação oral de vitamina D não está indicada em todas as gestantes para melhorar resultados maternos e perinatais. Ainda não está claro se a vitamina D faz alguma diferença no risco de ter um recém-nascido com baixo peso ao nascer em comparação com placebo ou grupo sem suplementação.

A recomendação é que todas mulheres grávidas sejam expostas diariamente a luz solar, que é a fonte mais importante de vitamina D. O tempo necessário de exposição ao sol ainda é desconhecido e depende de muitos fatores, como a área cutânea exposta, hora do dia, latitude, estação do ano, pigmentação da pele (pigmentos mais escuros sintetizam menos vitamina D) e o uso de protetor solar.

No caso de suspeita de deficiência de vitamina D, é recomendado o uso de suplementos contendo 200 unidades internacionais (UI) ou 5 µg de vitamina D por dia. Essa recomendação também é sugerida em populações onde a exposição direta ao sol é limitada.

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Deficiência de vitamina D é preditor de mau prognóstico em pacientes COVID-19

Baixos níveis de vitamina D é uma condição frequente nos dias atuais e está correlacionada ao aumento do risco de infecções do trato respiratório. Em pacientes afetados por doença respiratória aguda devido infecção pelo coronavírus (COVID-19), as respostas imunológicas e inflamatórias estão diretamente associadas à gravidade da doença. Em consideração ao papel da vitamina D no sistema imunológico, o objetivo deste estudo foi analisar os níveis de vitamina D em pacientes com insuficiência respiratória aguda devido ao COVID-19 e avaliar as suas correlações com a gravidade da doença e o prognóstico.

O estudo retrospectivo e observacional analisou ​​dados demográficos, clínicos e laboratoriais de 42 pacientes com insuficiência respiratória aguda por COVID-19, atendidos na Unidade de Tratamento Intermediário Respiratório.

Oitenta e um por cento dos pacientes apresentaram baixos níveis de vitamina D. Posteriormente, a população do estudo foi estratificada em quatro grupos: sem deficiência de vitamina D, com insuficiência da vitamina, deficiências moderada e deficiência grave. Não foram encontradas diferenças em relação às características demográficas e clínicas. Uma análise de sobrevida destacou que, após 10 dias de hospitalização, os pacientes com deficiência grave de vitamina D apresentavam 50% de probabilidade de mortalidade, enquanto aqueles com níveis de vitamina D maiores que 10 ng/mL apresentavam risco de mortalidade de 5% (p = 0,019).

Com essa pesquisa, os autores concluíram que a hipovitaminose de vitamina D foi frequentemente observada em pacientes com COVID-19 e insuficiência respiratória aguda. Pacientes com deficiência grave da vitamina tiveram um risco de mortalidade significativamente maior. A deficiência grave de vitamina D pode ser um marcador de mau prognóstico nesses pacientes, sugerindo que o tratamento adjuvante pode melhorar os resultados da doença.

Referência: Carpagnano GE, Di Lecce V, Quaranta VN, et al. Vitamin D deficiency as a predictor of poor prognosis in patients with acute respiratory failure due to COVID-19 [published online ahead of print, 2020 Aug 9]. J Endocrinol Invest. 2020.

Por: Priscila Garla

Suplementação de vitamina D em crianças com excesso de peso

Crianças com sobrepeso e obesidade comumente apresentam deficiência de vitamina D. Essa deficiência está associada a marcadores ruins de saúde cardiometabólica incluindo hipertensão arterial, aterosclerose subclínica e níveis mais elevados de glicemia de jejum.

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, investigaram a suplementação de diferentes doses de vitamina D na saúde cardiovascular em uma população infanto juvenil acima do peso. Foram analisados parâmetros de função endotelial, rigidez da artéria, pressão arterial central e sistêmica (PA), sensibilidade à insulina, concentração de glicose em jejum e perfil lipídico.

O estudo foi randomizado, duplo-cego e controlado com 225 participantes entre 10 a 18 anos, divididos aleatoriamente em três grupos de suplementação de vitamina D nas doses de 600 UI/dia, 1000 UI/dia ou 2000 UI/dia, por 6 meses. Os participantes não poderiam estar em tratamento que afetasse o metabolismo de glicose ou de lipídios e deveriam apresentar deficiência de vitamina D e glicemia de jejum <125 mg/dL. Eles foram avaliados no momento de inclusão na pesquisa, no terceiro e sexto mês de intervenção, sendo consideradas variáveis antropométricas, composição corporal, exposição ao sol, alimentação, prática de atividade física, PA, concentrações séricas de 25(OH)D, hormônio paratireoidiano (PTH), glicose e perfil lipídico.

Todas as doses foram bem toleradas pelos participantes, sem desenvolvimento de hipercalcemia. As concentrações séricas de 25(OH)D aumentaram em todos os grupos, sendo que concentração média >30 ng/mL foi observada apenas no grupo que recebeu 2000 UI. Na comparação entre os grupos, a PA foi menor no grupo que recebeu 1000 UI quando comparado ao grupo que recebeu 600UI, porém não foi observada mudança significativa. O mesmo aconteceu com o grupo que recebeu 2000UI, que após 6 meses apresentou menor glicemia de jejum e maior sensibilidade à insulina, porém sem significado estatístico. Não houve diferença entre os grupos para a outras variáveis.

Apesar de não haver diferenças significativas entre as doses estudadas, os autores concluem que, a longo prazo, a suplementação de vitamina D pode ter um papel preventivo primário na melhoria da saúde cardiovascular de crianças com sobrepeso e obesidade, porém mais estudos ainda precisam ser feitos. 

Referência: RAJAKUMAR, Kumaravel; MOORE, Charity G; et al. Effect of vitamin D3 supplementation on vascular and metabolic health of vitamin D–deficient overweight and obese children: a randomized clinical trial: a randomized clinical trial. The American Journal of Clinical Nutrition, 2020, v. 111, n. 4, p. 757-768.

Por: Natália Lopes

Vitamina D durante gravidez e risco de Diabetes mellitus Gestacional

Evidências recentes sugerem que o status da vitamina D na gravidez pode estar associado ao desenvolvimento do diabetes gestacional (DMG). Estudo de coorte investigou, prospectiva e longitudinalmente, níveis de vitamina D durante a gestação e sua relação com o risco de DMG.

Foram estudados 107 casos de DMG e 214 gestantes controles. Os níveis plasmáticos de 25-hidroxivitamina D2 e ​​D3 (25 (OH) D) e proteína de ligação da vitamina D foram medidos entre as semanas gestacionais 10 e 14°, 15 e 26°, 23 e 31° e 33 e 39°. Adicionalmente, foram calculados a concentração de 25 (OH) D total, livre e biodisponível. Análise estatística foi realizada por modelos de regressão logística condicional e modelos lineares de efeitos mistos.

Foi observado um efeito limiar para a relação de biomarcadores de vitamina D com o risco de DMG. A deficiência de vitamina D (<50 nmol/L) entre 10° e 14° semanas de gestação foi associada ao risco aumentado de 2,82 vezes para DMG (intervalo de confiança IC de 95%). Mulheres com deficiência persistente de vitamina D entre 10° e 14° e 15° e 26° semanas apresentaram risco elevado de 4,46 vezes para DMG em comparação com mulheres sem deficiência (IC 95%).

Os autores concluíram que a deficiência materna de vitamina D, no primeiro trimestre da gestação, estava associada ao risco elevado de DMG. A associação foi mais forte para as mulheres que eram persistentemente deficientes no segundo trimestre. A avaliação do status da vitamina D no início da gestação parece ser importante para melhorar a estratificação de risco e desenvolver intervenções efetivas para prevenção primária do DMG.

Referência: Xia J, Song Y, Rawal S, Wu J, Hinkle SN, Tsai MY, Zhang C. Vitamin D status during pregnancy and the risk of gestational diabetes mellitus: A longitudinal study in a multiracial cohort. Diabetes Obes Metab. 2019.

Por: Maria Carolina Dias