Disbiose intestinal e deficiência de vitamina D em pacientes com osteoartrite de joelho

Disbiose intestinal e deficiência de vitamina D em pacientes com osteoartrite de joelho

A osteoartrite (OA) do joelho é uma doença articular degenerativa que leva à deterioração progressiva da cartilagem articular, esclerose óssea e inflamação sinovial, resultando em dor e incapacidade nas articulações. Embora sua fisiopatogenia não esteja bem estabelecida, a obesidade é considerada um fator de risco e a deficiência de vitamina D está associada a maior prevalência da OA de joelho. Estas duas condições têm algo em comum: alterações no microbioma intestinal e inflamação sistêmica de baixo grau. A disbiose observada em indivíduos com obesidade associada a deficiência de vitamina D promovem uma condição na qual há alterações funcionais da atividade microbiana e aumento da permeabilidade da barreira intestinal, o que desencadeia inflamação sistêmica de baixo grau.

Para investigar isto, Ramasamy e colaboradores propuseram que deficiência de vitamina D e OA de joelho podem estar associadas a assinaturas distintas do Microbioma, e conduziram um estudo piloto para comparar a composição microbiana intestinal de pacientes com OA de joelho com ou sem deficiência de vitamina D.

O estudo observacional foi realizado com 24 adultos de 30 a 60 anos (idade média de 45,5 ± 10,2), acompanhados em um hospital universitário. O diagnóstico de OA seguiu os critérios do American College of Rheumatology. Os participantes foram divididos em quatro grupos: 1) OA-VDD, indivíduos com OA e vitamina D sérica <30ng/mL; 2) OA, indivíduos com OA e vitamina D sérica >30ng/mL; 3) VDD, indivíduos sem OA, mas com vitamina D sérica <30ng/mL e; 4) NVD, indivíduos sem OA e vitamina D sérica >30ng/mL. O IMC médio dos participantes com deficiência de vitamina D foi de 28,9 kg/m² ± 2,6; participantes NVD tinham IMC normal.

Todos os participantes passaram por exame de sequenciamento do microbioma fecal. Os filos dominantes foram Firmicutes (59,4%) e Proteobacteria (18,6%), seguidos por Tenericutes (11%), Actinobacteria (6,5%) e Bacteroidetes (2,7%). Com relação a abundância relativa de grupos bacterianos, os pesquisadores compararam presença ou ausência de OA, pacientes com OA com e sem deficiência de vitamina D e deficiência ou não de vitamina D sem OA.

Foi observado que pacientes com OA apresentaram disbiose intestinal quando comparados com NVD. O grupo NVD apresentou maior quantidade de Faecalibacterium que OA-VDD, uma bactéria considerada anti-inflamatória. Já com relação ao status de vitamina D, o microbioma intestinal de pacientes OA-VDD foi caracterizado por uma abundância aumentada de Parabacteroides, Butyricimonas, Gordonibacter, enquanto Intestimonas, Delftia, Peptococcus foram específicos para OA, sugerindo que a deficiência da vitamina pode modular o microbioma intestinal ligado a OA. Os pesquisadores observaram também que o microbioma intestinal do grupo OA-VDD estava mais envolvido na biossíntese de lipopolissacarídeo e proteína de biossíntese de lipopolissacarídeo, o que estaria relacionado a maior processo inflamatório na OA.

Como conclusão, os autores consideram que o microbioma intestinal em pacientes com osteoartrite de joelho com ou sem deficiência de vitamina D apresenta abundâncias bacterianas diferentes, e sugerem que o impacto da deficiência de vitamina D na OA pode ser mediado pelo microbioma intestinal. Porém, outros estudos ainda precisam ser conduzidos para identificar se o restabelecimento da disbiose observada pode influenciar na progressão da OA.

Por Natalia Lopes

Referência

Ramasamy, B .; Magne, F .; Tripatia, SK ; Venugopal, G .et al. Association of Gut Microbiome and Vitamin D Deficiency in Knee Osteoartrite Pacientes: A Pilot Study. Nutrients 2021 , 13 , 1272.

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