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Resumo ASPEN 2021 – Nutrição e COVID-19

Este ano o Congresso da Sociedade Americana de Nutrição Enteral e Parenteral (ASPEN) foi transmitido online e trouxe recomendações importantes sobre a terapia nutricional para o paciente acometido com o vírus covid-19. Foram discutidos diversos aspectos do atendimento nutricional e as principais informações focaram no atendimento da prática clínica da terapia nutricional hospitalar e pós alta.

A escassez de recursos foi apontada como um grande obstáculo da terapia nutricional, especialmente pelo aumento na demanda por esse tipo de terapia.

Em casos graves, a terapia nutricional enteral precoce foi preconizada em 24 a 36h após a internação ou 12h após a intubação, a ser realizada preferencialmente com sistema fechado e bomba de infusão.

O aporte nutricional considerado ideal incluiu oferecimento gradual de energia e nutrientes. Na fase aguda (considerada até o 4º dia de internação), a nutrição deve atender até 75% do valor energético total, que pode ser calculado na faixa de 15-20kcal/kg e 1.3g de proteína/kg. Pacientes com excesso de peso ou obesidade estão mais susceptíveis a um estado clínico delicado e, nesses casos, recomenda-se que o cálculo das necessidades seja feito de acordo com o índice de massa corporal (IMC) para prevenir hipo ou hiperalimentação. Pacientes com IMC de 30 a 50, foi recomendado uso de 11-14 kcal/kg peso atual e em casos de IMC>50, considerar 22-25 kcal/kg de peso ideal. Para pacientes eutróficos na fase pós-aguda, considerar 30kcal e 1.5-2g de proteína e após a alta hospitalar 35kcal e 2 a 2,5g de proteína/kg.

Em pacientes em posição de prona, deve-se considerar o risco de aspiração do conteúdo gástrico, a interferência de altas doses de sedação, paralisia, uso de medicação vasoativa, severidade do quadro clínico e pressão intra-abdominal. Nesses casos, é importante manter a cabeceira elevada entre 10 a 25 graus e adotar cuidados com a pele nas áreas de pressão.

A tolerância da nutrição enteral deve ser constantemente avaliada e ajustada de acordo com as necessidades e as manifestações gastrintestinais do covid-19, que incluem dor e distensão abdominal, diarreia, náuseas e vômitos.

A suplementação de micronutrientes foi considerada para corrigir deficiências e para pacientes de grupos de risco. Ao influenciar o sistema imune inato, as vitaminas C e D tiveram destaque. A suplementação intravenosa de vitamina C foi associada melhora da inflamação e redução da mortalidade em pacientes com covid-19, quando feita com dose de 24g/dia durante 7 dias. Já a vitamina D abaixo de 50nmol/l foi associada a aumento do risco de pneumonia adquirida e, por isso, a meta de concentração deste nutriente deve ser de 75-125 nnmol/L em pacientes com risco dessa deficiência.

A telemedicina e a nutrição domiciliar foram consideradas pilares da recuperação de pacientes acometidos por covid-19. O uso destas ferramentas foi recomendado no atendimento nutricional, por ser uma ferramenta segura e eficaz para viabilizar o acesso a orientações de saúde e também para limitar a exposição e disseminação do vírus.

A recuperação do covid-19 deve ser encarada como recuperação funcional, pois a perda de massa e força muscular surge como uma das principais consequências de pacientes que foram submetidos a terapia intensiva.

Para pessoas em isolamento, foi recomendado a prática de exercícios leves, dieta com horários padronizados, pobre em açúcares e rica fontes de ômega 3.

Por Priscila Garla

Para ver a cobertura completa do Congresso ASPEN, acesse o Nutritotal PRO

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Posicionamento ADA para o manejo de Diabetes Mellitus (DM) na gestação

A Associação Americana de Diabetes (ADA) publicou um posicionamento para manejo de Diabetes Mellitus (DM) na gestação. O documento reúne as recomendações referentes ao cuidado à gestante com DM para guiar a prática clínica, bem como ferramenta para avaliar a qualidade do manejo clínico.

A prevalência de DM na gestação tem aumentado no mundo, incluindo DM tipo 1, DM tipo 2 e o diabetes gestacional (DMG). A presença destas doenças na gestação aumenta o risco de complicações maternas e também consequências para o feto e recém-nascido. O documento apresenta recomendações associadas ao cuidado pré-concepção, em destaque a dosagem de hemoglobina glicada em mulheres saudáveis e o acompanhamento multiprofissional, incluindo nutricionista, daquelas com a doença pré-existente.

Na presença de diabetes mellitus na gestação, tanto no DM pré-existente como no DMG, recomenda-se a dosagem da glicemia de jejum e do auto monitoramento da glicemia pós-prandial. As metas glicêmicas são: glicemia de jejum < 95 ml/dl; glicemia pós-prandial 1h <140 ml/dl e glicemia pós-prandial 2h <120 ml/dl; HbA1c <6% ou <7% caso necessário prevenção de hipoglicemia.

Referente ao manejo direcionado ao DMG, a mudança de estilo de vida é considerada suficiente para o tratamento da maioria das gestantes, sendo a insulinoterapia recomendada,  caso necessário, para atingir o controle glicêmico. O uso de metformina ou glibenclamida não deve ser empregado como primeira escolha terapêutica.  Por outro lado, a insulinoterapia é o tratamento preferencial para o cuidado das gestantes com DM tipo 1 e tipo 2 pré-existentes.

Quanto ao manejo dietético, a ADA sugere que o plano alimentar siga as recomendações das DRIS, destacando o mínimo de 175g de carboidratos, o mínimo de 71g de proteínas e 28g de fibras. Além disto, a dieta deve priorizar alimentos fontes de ácidos graxos mono e poli-insaturados; limitar os ácidos graxos saturados e evitar a gordura trans. Também, deve ser considerado no planejamento alimentar que os carboidratos simples apresentam maior impacto na glicemia pós-prandial. 

O documento também discute sobre o uso de medicações, como betabloqueadores, pré-eclâmpsia e os cuidados pós-parto para mulheres com diabetes na gestação.

Para acessar o posicionamento completo, clique em:

https://care.diabetesjournals.org/content/44/Supplement_1/S200.