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O que acontece ao parar as medicações anti-obesidade
O que acontece ao parar as medicações anti-obesidade

Os medicamentos anti-obesidade passaram a ocupar um papel cada vez mais relevante nas estratégias terapêuticas em um cenário em que essa é uma das principais doenças crônicas associadas ao aumento da morbimortalidade global, com impacto direto no risco cardiovascular, metabólico e inflamatório.
Embora os benefícios desses fármacos durante o período de uso estejam bem estabelecidos, um dos grandes desafios da prática clínica estava nos resultados após a descontinuação dos medicamentos anti-obesidade que, como já era esperado, poderia ser notado reganho de peso.
Até o momento, faltava uma avaliação capaz de descrever de forma integrada a magnitude, o tempo e o padrão dessa recuperação de peso. Mas, um estudo novo conseguiu mapear a evolução do peso e do índice de massa corporal após a interrupção do tratamento.
Continue lendo para conferir os achados desta revisão.
Avaliando a trajetória do peso em uso de medicamentos anti-obesidade
Seis estudos sobre agonistas do receptor de GLP-1 (incluindo os mais conhecidos liraglutida e semaglutida), um estudo sobre agonistas duplos dos receptores de GLP-1 e GIP (tirzepatida), um estudo sobre orlistat e outros 3 estudos sobre outras medicações foram incluídos nessa revisão.
A partir desses ensaios clínicos randomizados, foram realizadas 7 estratificações para análise dos efeitos das medicações na redução e reganho de peso durante, pelo menos, 24 semanas de acompanhamento. Ao todo foram avaliados os resultados de 1.573 participantes dos grupos de tratamento e 893 dos grupos controle.
Resultados encontrados
Após a interrupção dos medicamentos anti-obesidade observou-se que o peso dos pacientes variaram conforme o tempo de seguimento, mas alcançando um padrão a partir da oitava semana.
Nas primeiras quatro semanas após a descontinuação, ainda houve perda de peso. Mas, entre 8 e 12 semanas após a suspensão do tratamento, os participantes apresentaram reganho de peso significativo quando comparados aos grupos controle, tendência que se manteve e se intensificou ao longo do acompanhamento.
Em 20 semanas, o reganho médio aproximou-se de 2,5 kg, e esse aumento seguiu em avaliações mais prolongadas, atingindo o pico em 52 semanas após a descontinuação. Apesar desse reganho, quando comparado ao peso inicial antes do início da medicação, parte da perda de peso ainda se mantinha.
Isso sugere que o reganho não anulou completamente os efeitos obtidos durante o tratamento. Vale destacar que o reganho de peso após 12 semanas de descontinuação foi mais evidente nos estudos envolvendo medicamentos relacionados ao GLP-1.
Esse resultado sugere que a interrupção de medicamentos anti-obesidade que atuam diretamente na regulação central do apetite, saciedade e esvaziamento gástrico pode levar a uma resposta compensatória mais pronunciada.
O que podemos concluir?
Os resultados desta revisão indicam que o reganho de peso após a descontinuação dos medicamentos anti-obesidade ocorre geralmente a partir de dois meses, tende a desacelerar após cerca de 6 meses, mas ainda é presente até pelo menos 1 ano de seguimento.
Outro ponto importante dos resultados dessa pesquisa que impacta diretamente na nossa atuação é que, mesmo nos estudos em que intervenções de estilo de vida foram mantidas após a suspensão da medicação, o reganho de peso ainda foi observado.
Os autores destacam que as diferenças quanto ao tipo, intensidade e duração dessas intervenções limita interpretações mais conclusivas. Mas, esse dado reforça que, isoladamente, nossas estratégias podem não neutralizar completamente os mecanismos fisiológicos envolvidos no reganho de peso após a retirada dos medicamentos anti-obesidade.
Por isso, a interrupção do tratamento farmacológico deve ser cuidadosamente planejada e acompanhada por estratégias multiprofissionais, pois, mesmo com a perda significativa de peso, ainda estamos falando de uma doença crônica multifatorial.
Acesse o artigo completo, clicando aqui.
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Redação Ganep Educação



