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Probióticos na nutrição enteral domiciliar: pesquisa avalia efeitos em idosos frágeis
Probióticos na nutrição enteral domiciliar: pesquisa avalia efeitos em idosos frágeis

Pacientes idosos em nutrição enteral domiciliar (NED) de longo prazo estão mais vulneráveis a disbiose intestinal. Isso porque as fórmulas oligoméricas pré-digeridas usadas nesse tipo de terapia costumam fornecer substratos fermentáveis limitados, dificultando a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), como o butirato, pelas bactérias benéficas do organismo.
Esse cenário favorece a redução da diversidade microbiana e cria um ambiente propício ao crescimento de patógenos potencialmente oportunistas, agravando o quadro de inflamação crônica de baixo grau comum no envelhecimento.
Diante disso, um novo estudo italiano avaliou se a suplementação com probióticos poderia atenuar essas alterações na microbiota de idosos frágeis em NED. Veja os principais achados a seguir.
Estudo acompanhou 16 idosos por 30 dias
A pesquisa foi conduzida como um ensaio clínico randomizado, aberto, de dois braços paralelos. Foram recrutados pacientes com 65 anos ou mais, em uso da mesma fórmula enteral oligomérica havia pelo menos um mês, sem diagnóstico de doença intestinal inflamatória.
Ao final do acompanhamento, 16 pacientes completaram a coleta de amostras fecais nos dois momentos do estudo e foram incluídos na análise. Destes, 10 estavam no grupo de tratamento e 6 estavam no grupo controle. A idade média dos participantes foi de 81,4 anos, e 81,2% pertenciam ao sexo feminino.
O grupo de tratamento recebeu, por 30 dias, probióticos na dose de uma cápsula de 0,26 g por dia, contendo uma mistura na proporção 1:1 de Lactobacillus rhamnosus IMC501® e Lactobacillus paracasei IMC502®. Cada cápsula continha aproximadamente 15 bilhões de células probióticas vivas. O grupo controle recebeu apenas a fórmula oligomérica durante 30 dias.
A composição da microbiota foi avaliada por sequenciamento do gene 16S rRNA em amostras fecais coletadas no início e após 30 dias.
A diversidade microbiana aumentou no grupo suplementado
Na avaliação inicial, os grupos eram semelhantes em todos os índices de diversidade alfa; ou seja, não havia diferenças relevantes entre eles antes da intervenção.
Contudo, após 30 dias, o cenário mudou. O grupo que recebeu probiótico apresentou aumento estatisticamente significativo nos índices de Shannon e Simpson (que medem a diversidade microbiana) em comparação ao grupo controle. Na análise individual, 9 dos 10 pacientes tratados tiveram aumento da diversidade microbiana, contra apenas 2 dos 6 controles.
Já o índice Chao1, que estima a riqueza de espécies, não apresentou diferença significativa entre os grupos. Isso sugere que a mudança foi mais na distribuição das espécies existentes do que no número total de espécies detectadas.
Esses achados permaneceram consistentes mesmo após análises de sensibilidade.
Quais bactérias mudaram com a suplementação?
A análise de diversidade beta também identificou uma separação clara entre os grupos após 30 dias, indicando que a composição da comunidade microbiana havia se reorganizado.
No grupo suplementado, houve maior abundância relativa de famílias como Lachnospiraceae e Erysipelotrichaceae, conhecidas por sua capacidade de fermentar substratos alimentares e derivados do hospedeiro em AGCCs, como butirato e propionato.
No nível de gênero, o grupo suplementado apresentou maior associação com Eubacterium e Bifidobacterium na análise de composição da microbiota, ambos ligados à produção de butirato e à manutenção da integridade da barreira intestinal.
Já o grupo controle manteve associação mais forte com os gêneros Bacteroides, Clostridium e Sutterella, frequentemente relacionados à disbiose e à inflamação de baixo grau em idosos frágeis.
Nenhuma mudança clínica foi observada no curto prazo
Apesar das alterações na microbiota intestinal, a suplementação probiótica não resultou em mudanças significativas em parâmetros clínicos monitorados, como motilidade intestinal e incidência de infecção por C. difficile, no período de 30 dias avaliado.
Os autores destacam que o estudo não incluiu marcadores funcionais (como biomarcadores inflamatórios ou metabólitos microbianos), o que limita a interpretação clínica direta dos achados microbiológicos. Também não foi possível rastrear a colonização das cepas probióticas administradas, tornando os mecanismos de ação hipotéticos.
O que podemos concluir?
Para profissionais que atuam com pacientes idosos em nutrição enteral domiciliar, o estudo sugere que a suplementação com Lactobacillus rhamnosus e Lactobacillus paracasei pode representar uma estratégia adjuvante viável para modular positivamente a microbiota intestinal nessa população vulnerável, especialmente diante de fórmulas enterais isentas de fibra.
Contudo, por se tratar de um estudo piloto, com amostra pequena e curto período de acompanhamento, os resultados devem ser interpretados com cautela. Estudos maiores, com desfechos funcionais e clínicos, são necessários para confirmar os potenciais benefícios observados.
Para ler o artigo científico completo, clique aqui.
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Referência:
Tombolesi N, Francini E, Matacchione G, Sparvoli D, Peladic NJ, Cardelli M, Recchioni R, Sbriscia M, Fantone S, Giordani C, Giuliani A, Silvi S, Fiorini D, Zeppa SD, Procopio AD, Olivieri F, Lattanzio F, Capalbo M, Orlandoni P, Marchegiani F. Gut Microbiota Changes Following Short-Term Probiotic Supplementation in Older Home Enteral Nutrition Patients. Nutrients. 2026 Mar 23;18(6):1013. doi: 10.3390/nu18061013.
Redação Ganep Educação



