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Viver sem glúten: o impacto psicológico da doença celíaca
Viver sem glúten: o impacto psicológico da doença celíaca

A doença celíaca é uma condição autoimune e crônica que vai muito além da exclusão do glúten. Os impactos psicológicos da doença celíaca estão presentes no dia a dia de quem convive com a vigilância constante, o medo de contaminação cruzada e a insegurança ao comer fora de casa. Esses fatores transformam a alimentação em uma fonte frequente de tensão.
Compreender os impactos psicológicos da doença celíaca é fundamental para um cuidado verdadeiramente integral. Ansiedade, estresse e comportamentos alimentares disfuncionais podem surgir mesmo quando há boa adesão à dieta sem glúten, afetando qualidade de vida e relações sociais.
O instrumento que avalia o comportamento alimentar na doença celíaca
Para avaliar comportamentos disfuncionais em celíacos, a Coeliac Disease Food Attitudes and Behaviours Scale (CD-FAB) foi desenvolvida no Reino Unido. Trata-se de uma escala que avalia atitudes, comportamentos e preocupações relacionadas à alimentação em adultos com a doença.
Estudos mostram que pontuações mais altas nesta escala estão associadas a pior qualidade de vida e maior presença de ansiedade, depressão e estresse, especialmente no primeiro ano após o diagnóstico.
Até então, a CD-FAB havia sido validada em poucos países, como Estados Unidos e Turquia. Não existia uma versão adaptada para o português brasileiro, o que limitava sua aplicação clínica e científica no Brasil, país com mais de 2 milhões de pessoas estimadas com doença celíaca.
Por que adaptar para a realidade brasileira?
A tradução e adaptação transcultural de instrumentos é essencial para garantir que atitudes e comportamentos alimentares sejam avaliados com validade e confiabilidade. Testes desenvolvidos em outros países nem sempre refletem a realidade cultural, social e alimentar da população brasileira.
Pensando nisso, a escala CD-FAB foi adaptada para o português brasileiro, avaliando atitudes e comportamentos alimentares associados aos impactos psicológicos da doença celíaca. O processo incluiu tradução, adaptação cultural, pré-teste para avaliar a compreensão dos itens e análise psicométrica do instrumento.
O que os questionários revelam sobre a relação com a comida
O CD-FAB é uma escala online de 11 itens, desenvolvida para pessoas com doença celíaca com idades entre 18 e 69 anos, que avalia atitudes e comportamentos alimentares decorrentes de crenças sobre evitar o contato com glúten e segurança alimentar.
Há questões como: “Devido à minha doença celíaca, fico preocupado(a) quando estou perto de outras pessoas que estão comendo glúten” e “Tenho medo de comer fora de casa”. Esses itens refletem a vigilância constante e o receio de contaminação, muito comuns entre pessoas que precisam seguir uma dieta sem glúten rigorosa.
Outras perguntas exploram o grau de confiança e conforto social, como: “Tenho medo de tocar em alimentos que contenham glúten” ou, em sentido oposto, “Apesar de ter doença celíaca, sinto-me à vontade para comer alimentos sem glúten preparados por outras pessoas”.
Há ainda questões relacionadas à vida social, como “Gosto de sair para comer tanto quanto gostava antes do meu diagnóstico”, que ajudam a entender o quanto a doença pode interferir no prazer, na autonomia e na participação em momentos sociais.
A pontuação é obtida utilizando uma escala Likert de sete pontos (1 “discordo totalmente” a 7 “concordo totalmente”)
Os resultados mostraram excelente confiabilidade da versão adaptada, com alta reprodutibilidade e boa consistência interna, confirmando que a CD-FAB-BR é adequada para avaliar atitudes e comportamentos alimentares na população celíaca brasileira.
Avanços, limites e caminhos futuros no cuidado da doença celíaca
O estudo destaca a importância de olhar para além da dieta sem glúten, considerando também o impacto emocional e comportamental da doença celíaca. A adaptação brasileira da CD-FAB amplia a forma como profissionais podem compreender a relação dessas pessoas com a alimentação no dia a dia.
Ao mesmo tempo, o estudo reconhece limites, como o número reduzido de participantes, sendo apenas 27 indivíduos, e a necessidade de pesquisas com amostras mais diversas. Como caminho futuro, a ampliação desses estudos pode fortalecer intervenções clínicas, orientar políticas públicas e contribuir para um cuidado cada vez mais humano e integral.
Acesse o artigo completo, clicando aqui.
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Redação Ganep Educação



