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Restrição calórica intermitente ou contínua. Qual é a mais efetiva?

Excesso de peso e obesidade central estão associados à maior risco de morbidades e mortalidade. Com objetivo de reduzir o impacto cardiometabólico dessa situação, estratégias nutricionais são avaliadas e comparadas por diversos artigos científicos. Em recente publicação da revista Clinical Nutrition foi comparado o impacto da restrição calórica intermitente versus contínua sobre a perda de peso, atividade do sistema nervoso simpático, homeostase de glicose e lipídios, inflamação e composição corporal de 45 homens e mulheres adultos não fumantes com obesidade central (circunferência da cintura >102 cm e >88 cm para homens e mulheres respectivamente). O estudo randomizado, controlado, pareado teve duração de 4 semanas e dividiu os participantes em grupo intermitente (GI – dieta controlada de baixa caloria em 2 dias consecutivos por semana) e grupo contínuo (GC – dieta mediterrânea com restrição diária de 500 Kcal em relação ao gasto energético total).  Ambas intervenções foram programadas para reduzir a ingestão semanal de energia em 3500 kcal em relação aos gastos energéticos totais estimados.

Os dois grupos apresentaram redução significativa e semelhante de peso (2,6% no GC e 2,9% no GI), circunferência da cintura, IMC, % de gordura corporal, ingestão energética, triglicérides totais em jejum, IL-1b, leptina, adiponectina, razão colesterol total: HDL colesterol, e razão leptina:adiponectina. A sensibilidade à insulina aumentou significativamente em toda a coorte. Houve redução significativa, mas pequena, na glicemia de jejum no GC que não foi observada no GI. Em contrapartida, o GI apresentou maior redução plasmática de ácidos graxos não esterificados (AGNE), o que sugere mudanças adaptativas no metabolismo energético.

Avaliação específica do impacto da dieta de baixa caloria mostrou que após os 2 dias de restrições (600Kcal/dia) os pacientes apresentaram redução significativa no HOMA-IR, insulina séria, triglicérides, leptina, razão leptina: adiponectina e TNF-α, mas não houve impacto na sensibilidade à insulina, concentração de adiponectina, escore inflamatório, razão colesterol total: HDL colesterol e normetadrenalina.

Os autores concluíram que ambas formas de intervenção trouxeram resultados semelhantes para perda de peso e melhoras de parâmetros cardiometabólicos. Estudos com períodos maiores de acompanhamento precisam ser realizados a fim de elucidar as mudanças metabólicas e maior captação e oxidação de ácidos graxos que podem estar associados à restrição calórica intermitente.

Referência: Pinto, A.M. et al. Intermittent energy restriction is comparable to continuous energy restriction for cardiometabolic health in adults with central obesity: A randomized controlled trial; the Met-IER study. Clinical Nutrition., 2019.

Por: Michelle Barone