Tag: refrigerantes

Substituição do refrigerante por leite na Saúde Cardiometabólica de adolescentes

O consumo de refrigerantes é um hábito comum entre adolescentes e está frequentemente associado a desfechos desfavoráveis a saúde, incluindo obesidade. Um recente estudo realizado nos Estados Unidos verificou se a substituição de refrigerante por leite semi-desnatado melhoraria fatores de risco cardiometabólicos em adolescentes do sexo masculino consumidores habituais de bebidas açucaradas.

Para isso, pesquisadores realizaram um ensaio clínico randomizado onde 30 adolescentes com sobrepeso ou obesidade (porém não dislipidêmicos), deveriam consumir 720ml de refrigerante adoçado com açúcar (equivalente a ±80 gramas de açúcar ao dia) ou o equivalente energético de leite com 2% de gordura. Após 3 semanas com esta bebida, os adolescentes ficaram 2 semanas sem intervenção (washout) e depois trocaram de grupo. Marcadores bioquímicos, lipoproteínas plasmáticas e outras medidas foram avaliadas após cada período.  Os pacientes foram orientados a manter seu padrão alimentar habitual e peso corpóreo durante todo o período de estudo.

Como resultados, observou-se que o escore z da pressão arterial sistólica e a concentração de ácido úrico foram significativamente menores depois de consumir leite comparado ao refrigerante, mas não observou mudanças nos parâmetros bioquímicos de lipoproteínas. Houve redução significativa de glicoesfingolipídios (que são relacionados a problemas metabólicos e condições inflamatórias) e são naturalmente presentes nas partículas de colesterol LDL.

Os pesquisadores concluíram que embora os adolescentes estudados não obtiveram melhora nos níveis de lipídios e lipoproteínas sanguíneos em resposta a substituição de refrigerante por leite com baixo teor de gordura, as reduções de pressão arterial sistólica e concentrações séricas de ácido úrico, bem como alterações nos glicoesfingolipídios, sugerem potenciais benefícios cardiometabólicos dessa intervenção.

Referência: Chiu S, Siri-Tarino P, Bergeron N, Suh JH and Krauss RM. A Randomized Study of the Effect of Replacing Sugar-Sweetened Soda by Reduced Fat Milk on Cardiometabolic Health in Male Adolescent Soda Drinkers.  Nutrients 2020, 12, 405.

Por: Lenycia Neri

Efeito de bebidas açucaradas no apetite e ingestão alimentar de adolescentes

O consumo de bebidas açucaradas (sucos naturais adoçados, refrigerantes e bebidas lácteas) constituem cerca de 20% das calorias totais ingeridas por crianças e adolescentes. Recentemente, estudo canadense propôs verificar se o consumo dessas bebidas poderia alterar mecanismos reguladores da ingestão alimentar, apetite e favorecer ganho de peso.

Para testar esta hipótese, foram selecionados 32 meninos entre 9 e 14 anos de idade, que realizaram 4 visitas matinais ao laboratório, após consumo do café da manhã padrão. No laboratório, era oferecido 350ml de uma bebida açucarada (aleatoriamente: refrigerante, suco industrializado, achocolatado) ou água. Após 60 minutos do consumo da bebida, os meninos eram conduzidos isoladamente a uma sala de painel sensorial com o consumo ad libitum de pizza e garrafa de água (500 ml). Nesse ambiente, uma escala de motivação para comer era aplicada a cada 15 minutos.

Os resultados do estudo mostraram que a ingestão alimentar foi reduzida após o consumo de achocolatado e refrigerante quando comparados com a água. O consumo de suco adoçado aumentou a ingestão alimentar quando comparado a bebida achocolatada. Adicionalmente, o consumo de sucos resultou no aumento de 10% das calorias cumulativas (bebida antes da refeição + refeição teste).

A aferição de escala de sede verificou que meninos que consumiram água tiveram menor sensação de sede quando comparado com aqueles que consumiram suco ou achocolatado, mas não quando comparado com o grupo do refrigerante. Os resultados não diferiram de acordo com estado nutricional (adolescentes sobrepeso e eutróficos tiveram resultados semelhantes).

O estudo cita a hipótese que o suco de frutas, devido sua relação glicose: frutose, não seria capaz de suprimir a ingestão alimentar devido ao fraco efeito da frutose na liberação de hormônios de saciedade.  A saciedade causada pelo refrigerante pode ser explicada pelo efeito de distensão abdominal; e do achocolatado pela presença de proteínas (causando liberação do hormônio colecistocinina).

Mais estudos devem ser realizados para verificar se estes efeitos a curto prazo serão traduzidos em modificações da composição corporal, através de um estudo longitudinal.

Referência: Poirier KL, Totosy de Zepetnek JO, Bennett LJ et al. Effect of Commercially Available Sugar-Sweetened Beverages on Subjective Appetite and Short-Term Food Intake in Boys. Nutrients. 2019, 26;11(2).

Por: Lenycia Neri