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Diretriz ESPEN para o Manejo Nutricional no Câncer – 2021

A Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN) publicou recentemente Diretrizes práticas para manejo nutricional de indivíduos com neoplasias. O documento reúne 43 recomendações referentes ao diagnóstico e manejo nutricional para guiar a prática clínica de todos os profissionais da saúde envolvidos no cuidado ao paciente oncológico. 

Ao diagnóstico de qualquer tipo de câncer é recomendado que seja realizada triagem nutricional, devendo ser repetida regularmente dependendo da estabilidade clínica. Nos pacientes com alterações na triagem nutricional, é recomendada avaliação quantitativa do consumo alimentar, massa muscular, performance física e inflamação sistêmica. Quanto às necessidades energéticas, caso não seja medida individualmente, deve-se assumir a faixa de 25 a 30 kcal/kg/dia. A ingestão proteica recomendada é de 1 a 1,5 g/kg/dia. A recomendação para micronutrientes é a mesma para a população saudável (RDA) e é desencorajado o uso de altas doses de micronutrientes na ausência de deficiências específicas. Nos pacientes com perda de peso na presença de resistência insulínica, recomenda-se aumentar o teor de lipídios e reduzir o teor de carboidratos da dieta. 

Nos pacientes desnutridos ou com risco nutricional que estão aptos a receber alimentação via oral, se recomenda o aconselhamento nutricional, tratamento dos sintomas relacionados a baixa ingestão alimentar e oferecer suplementos nutricionais orais (SNO). Caso o consumo oral ainda se mantenha inadequado, recomenda-se nutrição enteral (NE) e a nutrição parenteral (PN) é recomendada se a NE for insuficiente ou não for possível. Não é recomendado nenhum tipo de dieta restritiva (como cetogênica) para pacientes com risco nutricional ou desnutrição. Em situações com redução importante da ingestão oral por período prolongado, é recomendado o aumento da nutrição (oral, enteral ou parenteral) de forma lenta e gradual, a fim de prevenir a síndrome da realimentação. Nos pacientes com ingestão dietética insuficiente de forma crônica e para aqueles com má-absorção, é recomendado NE ou NP domiciliar.  

São apresentadas recomendações para situações específicas, como (1) pacientes cirúrgicos: devem ser manejados conforme o protocolo ERAS e naqueles com câncer de TGI superior é recomendado o uso de imunonutrição; (2) durante tratamento radioterápico: recomenda-se aconselhamento nutricional individualizado e/ou uso de SNO para prevenção de piora do estado nutricional, além da triagem para disfagia e utilização de NE em casos de mucosite grave ou tumores obstrutivos de cabeça e pescoço; (3) durante tratamento com uso de drogas anticâncer: não se recomenda a suplementação de glutamina devido falta de evidências científicas robustas; (4) aos sobreviventes do câncer: recomenda-se manter peso adequado e hábitos alimentares e de estilo de vida saudáveis; (5) cuidados paliativos: recomenda-se rotineiramente triar a ingestão alimentar, mudanças de peso e IMC, sendo que aqueles com risco nutricional devem  ter o manejo dos sintomas que impactam no estado nutricional. O documento também discute sobre exercícios físicos, uso de fármacos e farmaconutrientes e manejo em transplante de medula óssea.

A diretriz completa pode ser acessada em:

https://www.clinicalnutritionjournal.com/article/S0261-5614(21)00079-0/fulltext.