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COVID-19 e Gravidez

Alterações nos sistemas imunológico e respiratório são esperadas durante a gravidez. Modulações imunológicas com a finalidade de acomodar o feto, aumento da demanda de oxigênio e edema de mucosa do trato respiratório tornam as gestantes especialmente suscetíveis a infecções por patógenos respiratórios e pneumonia. Pesquisas clínicas demonstram que infecções pelo vírus influenza ou da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentam taxas de mortalidade mais altas em gestantes.

Um recente estudo realizado em uma maternidade em Wuhan – China investigou a alteração nos parâmetros imunológicos como proteína C reativa, dímero-D, creatina quinase e creatina quinase MB ( de oito mulheres grávidas, sendo 6 diagnosticadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (SARS-CoV-2) ou doença do coronavirus -COVID-19 e 2 com suspeita da doença), acompanhadas nos períodos pré e pós-parto. Sete das oito gestantes estudadas não apresentaram nenhum dos sintomas característicos da doença como febre e tosse no período anterior ao parto. No pós parto, três das sete mulheres assintomáticas apresentaram febre baixa (menor que 39ºC) e a tomografia de pulmão de uma delas apresentou-se opaca, e nenhuma desenvolveu pneumonia.

Os autores sugerem que alterações no sistema imunológico e nos níveis hormonais, que sofrem grande variação após o nascimento do bebê, desencadearam os sintomas observados no pós parto. O acompanhamento de parâmetros laboratoriais, que incluem contagem das células brancas do sangue, exames de imagem, dosagem de fatores inflamatórios (proteína C, por exemplo) ajudariam a na prevenção, tratamento e acompanhamento da COVID-19 em gestantes.

Referência: Chunchen Wu, Wenzhong Yang, Xiaoxue Wu, et al. Clinical Manifestation and Laboratory Characteristics of SARS-CoV-2 Infection in Pregnant Women. Virologica Sinica, 2020.


Por: Magda Medeiros

Vitamina D durante gravidez e risco de Diabetes mellitus Gestacional

Evidências recentes sugerem que o status da vitamina D na gravidez pode estar associado ao desenvolvimento do diabetes gestacional (DMG). Estudo de coorte investigou, prospectiva e longitudinalmente, níveis de vitamina D durante a gestação e sua relação com o risco de DMG.

Foram estudados 107 casos de DMG e 214 gestantes controles. Os níveis plasmáticos de 25-hidroxivitamina D2 e ​​D3 (25 (OH) D) e proteína de ligação da vitamina D foram medidos entre as semanas gestacionais 10 e 14°, 15 e 26°, 23 e 31° e 33 e 39°. Adicionalmente, foram calculados a concentração de 25 (OH) D total, livre e biodisponível. Análise estatística foi realizada por modelos de regressão logística condicional e modelos lineares de efeitos mistos.

Foi observado um efeito limiar para a relação de biomarcadores de vitamina D com o risco de DMG. A deficiência de vitamina D (<50 nmol/L) entre 10° e 14° semanas de gestação foi associada ao risco aumentado de 2,82 vezes para DMG (intervalo de confiança IC de 95%). Mulheres com deficiência persistente de vitamina D entre 10° e 14° e 15° e 26° semanas apresentaram risco elevado de 4,46 vezes para DMG em comparação com mulheres sem deficiência (IC 95%).

Os autores concluíram que a deficiência materna de vitamina D, no primeiro trimestre da gestação, estava associada ao risco elevado de DMG. A associação foi mais forte para as mulheres que eram persistentemente deficientes no segundo trimestre. A avaliação do status da vitamina D no início da gestação parece ser importante para melhorar a estratificação de risco e desenvolver intervenções efetivas para prevenção primária do DMG.

Referência: Xia J, Song Y, Rawal S, Wu J, Hinkle SN, Tsai MY, Zhang C. Vitamin D status during pregnancy and the risk of gestational diabetes mellitus: A longitudinal study in a multiracial cohort. Diabetes Obes Metab. 2019.

Por: Maria Carolina Dias