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Fórmula oligomérica possui melhor tolerância em crianças em UTI

A desnutrição é uma condição frequente em pacientes críticos de todas as idades. Em unidades de terapia intensiva (UTI), a via enteral é uma das mais utilizadas para melhorar o estado nutricional, e torna-se indispensável para a recuperação de pacientes pediátricos. Nesse sentido, a tolerância de fórmulas assume um papel importante para garantir a nutrição adequada.

Um estudo recente, conduzido por Ibrahim e colaboradores, comparou o uso de fórmula enteral oligomérica em relação a fórmula polimérica (padrão) e seus efeitos na tolerância alimentar nos desfechos em crianças críticas internadas em UTI. Foram incluídas crianças admitidas na UTI pediátrica com idade superior a 1 ano e com indicação de alimentação via sonda nasoenteral (SNE). Os pacientes foram divididos em dois grupos: dieta enteral oligomérica (NEO) e dieta padrão (NEP). Dados clínicos e de avaliação nutricional foram registrados.

Um total de 180 crianças com idade média de 3 anos foram avaliadas, sendo 90 em cada grupo. Os autores identificaram que o grupo NEO apresentou ganho de peso no período do estudo, e o grupo NEP apresentou perda de peso no final do estudo (p=0,045). O tempo de jejum antes de iniciar a dieta enteral foi semelhante entre os grupos. O grupo NEO atingiu suas necessidades nutricionais mais rapidamente que o outro grupo (2,6 X 5,36 dias; p=0,001) e com menos interrupções, causadas geralmente pelo aumento do volume gástrico residual, distensão abdominal, vômito e hematêmese, ocorrências mais frequentes no grupo NEP. A média de dias com sepse foi maior no grupo NEP (7,33 X 4,50 dias), porém o tempo de internação na UTI e a mortalidade não diferiu entre os grupos.

Os autores concluíram que nas condições do estudo conduzido, a fórmula enteral oligomérica foi mais bem tolerada que formulas poliméricas em crianças graves, e isso implicou em menores interrupções no fornecimento da dieta, melhor e mais rápido alcance da meta nutricional e melhora de peso.

Por Marcella Gava

Referências:

Ibrahim H,  Mansour M & El Gendy YG. Peptide-based formula versus standard-based polymeric formula for critically ill children: is it superior for patients’ tolerance? Arch Med Sci. Apr 2020; 16(3): 592–596.

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