Tag: exercício físico

Posicionamento para o manejo da glicemia no exercício

As Associações Britânica, Canadense e o Conselho Internacional de Prevenção e Reabilitação Cardiovascular, juntamente com a Associação Britânica de Ciência do Esporte publicaram um posicionamento para manejo do controle glicêmico de indivíduos com diabetes mellitus (DM), em reabilitação cardíaca, antes, durante e após o exercício físico. O documento reúne recomendações referentes ao cuidado do indivíduo com DM no exercício, bem como prevenir riscos de eventos glicêmicos nesta população.

Os pacientes diabéticos em reabilitação cardíaca (RC) devem ser categorizados em DM1, DM2 em tratamento insulínico e DM2 em uso de hipoglicemiantes orais/manejo dietético e de estilo de vida. Os pacientes com DM1 apresentam os maiores riscos de descontrole glicêmico e devem ser manejados individualmente para manter os níveis de glicemia estáveis. Aos indivíduos em uso de insulina (DM1 ou DM2) em bolus é recomendado que: (a) a dose de insulina prandial antes do exercício deve ser reduzida em 25 a 50%, se a sessão de exercícios estiver no período de ação da insulina; (b) considerar a reduzir até 50% de insulina prandial na refeição após exercício e (c) redução de 20% de insulina basal diária, caso o paciente mantenha a regularidade na prática de exercícios físicos.  Já para os indivíduos em uso de bomba de insulina, as doses de insulina basal podem ser reduzidas entre 50 e 80%, de sessenta a noventa minutos antes dos exercícios e a dose habitual pode ser retomada após o exercício.

São apresentadas estratégias para prevenção de hiperglicemia e hipoglicemia. Em casos de hiperglicemia, deve-se adotar exercício aeróbico de baixa intensidade e, para pacientes com DM1 é recomendado além do exercício aeróbico, acrescentar exercícios de força. Nos casos de hipoglicemia antes e durante o exercício, utilizar 15 a 30g de carboidratos simples 30 minutos antes e 25 a 30g a cada 30 minutos de atividade. Aos que iniciam euglicêmicos, a prática de exercícios de força antes dos aeróbicos é mais adequada para prevenir hipoglicemia.

Aos pacientes que apresentam maiores riscos de hipoglicemia pós-exercícios recomenda-se exercícios no período matutino e para aqueles com tendência a hiperglicemia, é preferível o horário vespertino e noturno. Quanto aos hipoglicemiantes orais, pode ser necessária a ingestão extra de carboidratos no caso do uso de sufonilulreias e glinidas, devido ao risco aumentado de hipoglicemia. O documento também discute sobre as contraindicações da RC em pacientes com DM, monitoramento de glicemia e cetonas nos serviços de RC e adesão dos pacientes com DM à RC.

O posicionamento completo pode ser acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33361136/

Exercícios podem atenuar a inflamação crônica de baixo grau em adultos com obesidade

A obesidade caracteriza-se por inflamação crônica de baixo grau e excesso de tecido adiposo. O risco de desenvolvimento desta condição depende de genética, estilo de vida e fatores ambientais, que em desequilíbrio podem aumentar a secreção de citocinas pró-inflamatórias circulantes. Para conhecer o efeito anti-inflamatório de modificações do estilo de vida na inflamação e alterações metabólicas induzidas pela genética, um estudo avaliou a resposta ao exercício físico e dieta hipocalórica em adultos com obesidade.

Foram avaliados marcadores inflamatórios e a expressão do gene ASC, que codifica uma proteína do inflamassoma NLRP3, um complexo multiprotéico citosólico que está associado à inflamação e alterações metabólicas. Um total de 61 participantes foram incluídos, sendo 18 homens e 43 mulheres, com idade entre 25 e 50 anos, IMC ≥ 30 kg/m2, circunferência da cintura maior que 80 cm nas mulheres e 90 cm nos homens, sem uso de medicação por pelo menos um ano e classificados com estilo de vida sedentário, conforme os critérios definidos pela Organização Mundial da Saúde.  A intervenção ocorreu em um período de acompanhamento de 4 meses. 

Os participantes foram aleatoriamente separados em dois grupos: programa de dieta hipocalórica e exercícios (grupo dieta-exercício, n = 30) ou apenas intervenção do programa de dieta hipocalórica (grupo dieta, n = 31). Dados de composição corporal, exames bioquímicos (insulina, citocinas), expressão do gene ASC e consumo alimentar foram avaliados no início e após 4 meses da intervenção. Um total de 22 participantes do grupo dieta e 15 participantes do grupo dieta – exercícios completaram todo o estudo. 

Ambos os grupos apresentaram melhora significativa da composição corporal (p<0,05), mas somente no grupo dieta – exercício apresentou a diminuição significativa da expressão de mRNA ASC e citocinas inflamatórias (p<0,05). A expressão de mRNA ASC e níveis de citocinas (IL- 10) no grupo de dieta – exercício apresentou correlação negativa.

Os pesquisadores concluíram que a inflamação crônica de baixo grau foi atenuada pela prescrição individualizada de exercícios. Os achados do estudo sugerem que gene ASC apresenta um papel importante na inflamação de adultos com obesidade e a avaliação da expressão deste gene pode ser utilizada como marcador molecular da resposta inflamatória ao exercício físico.

Por Jana Grenteski

Referência:Barrón-Cabrera, E. et al. (2020) ‘Low-grade chronic inflammation is attenuated by exercise training in obese adults through down-regulation of ASC gene in peripheral blood: a pilot study’, Genes & Nutrition, 15(1), p. 15.