O consumo de proteína vegetal tem impacto sobre a mortalidade?

Dietas com maior aporte proteico vem sendo utilizadas como estratégia válida para perda de peso e redução da gordura corporal, porém poucos estudos avaliaram se o tipo de proteína consumida teria impacto na mortalidade.

Com o objetivo de examinar a associação entre mortalidade geral, mortalidade por causa específica e ingestão de proteínas vegetais, Huang e colaboradores analisaram o questionário de ingestão alimentar, dados demográficos, estilo de vida e mortalidade de um estudo de coorte de 416.104 homens e mulheres norte-americanos, com idade 50 a 71 anos, acompanhada por 16 anos.

Os pesquisadores observaram que a ingestão diária de proteína total representou 15,3% do total de energia consumida, sendo que as fontes vegetais correspondiam a 40% desse consumo e as fontes animais correspondiam a 60% do total. Indivíduos com diabetes, maior nível educacional, menor IMC, menor consumo total de calorias, maior consumo de fibras, frutas e vegetais, mais ativos fisicamente e com menos probabilidade de ser fumantes apresentaram maior consumo de proteínas vegetais.

Ao longo dos 16 anos de acompanhamento, houve 77.614 mortes. A ingestão de proteínas vegetais foi inversamente associada à mortalidade ajustada à idade por todas as causas, tanto em homens quanto em mulheres, representando redução de 12% e 14% da mortalidade por aumento na ingestão de 10 g de proteína vegetal/1000 kcal (p<0,001). Olhando para a mortalidade por causas específicas, o consumo de proteína vegetal foi inversamente proporcional a mortalidade por todas as doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (P <0,003). Por outro lado, não se associou a mortalidade por câncer, doenças respiratórias e infecções.

Os pesquisadores sugerem que a substituição da proteína do ovo e da proteína da carne vermelha pela proteína de origem vegetal resulta em menor risco para a mortalidade geral, representando risco 24% e 21% menor para homens e mulheres, respectivamente, para reposição da proteína do ovo, e 13% e 15% menor risco de mulheres e mulheres para reposição de proteínas da carne vermelha. Assim, os pesquisadores concluem que modificações na escolha de fontes proteicas, favorecendo o consumo de vegetais, podem influenciar na saúde e longevidade.

Referência: Huang J, Liao LM, Weinstein SJ, Sinha R, Graubard BI, Albanes D. Association Between Plant and Animal Protein Intake and Overall and Cause-Specific Mortality. JAMA Intern Med. 2020; e202790.

Por: Natalia Lopes