Evolução do COVID-19 em Crianças e Adolescentes

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. Devido sua rápida propagação, em março de 2020 a Organização Mundial da Saúde declarou como emergência de saúde pandêmica. Altamente contagioso e com transmissão principalmente através de gotículas respiratórias, o vírus tem em sua característica principal o seu rápido agravamento e risco de cursar uma síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2), piores desfechos clínicos e altas taxas de mortalidade.

Em revisão sistemática, foram avaliadas características clínicas, teste de diagnóstico e manejo terapêutico do COVID-19 em crianças e adolescentes. Dezoito estudos preencheram os critérios de inclusão, e destes 1.065 eram casos pediátricos, 444 eram casos de crianças com menos de 10 anos e 553 eram crianças com idades entre 10 e 19 anos, todos infectados pelo vírus SARS-CoV-2. Os sintomas clínicos mais prevalentes foram, respectivamente, febre e tosse, vômito, diarreia e pneumonia, complicados por choque com acidose metabólica e insuficiência renal, que exigiram cuidados intensivos e ventilação assistida como parte do tratamento.

O teste diagnóstico SARS-CoV-2 em todos os estudos foi realizado por PCR de tempo real (swab), e após o contato dos pacientes com pais infectados ou algum membro da família.  Para confirmações diagnósticas as crianças foram submetidas a exames radiológicos, tomografia computadorizada e raio x de tórax, que apresentaram espessamento brônquico, opacidades em vidro fosco ou lesões pulmonares inflamatórias. A utilização de terapia antibiótica foi descrita em alguns estudos nos casos de infecção mais graves, e apenas um relato de óbito ocorreu na faixa etária de 10 a 19 anos. 

Atualmente, a maioria das evidências resulta de estudos e casos clínicos da China, onde o surto começou. As crianças adquirem principalmente infecção por SARS-CoV-2 de seus familiares, e a infecção parece ser menos grave que nos adultos, apresentando sintomas mais leves, com melhor prognóstico e recuperação em 1 a 2 semanas após o início da doença. 

Referência: CASTAGNOLI, Riccardo; VOTTO, Martina; et al. Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) Infection in Children and Adolescents. Jama Pediatrics, 2020: 154-157.

Por: Ana Carolina Costa Vicedomini