Efeito da administração de colostro em até 12 horas pós-parto sobre introdução alimentar, morbidade e mortalidade em recém-nascidos de muito baixo peso.

O colostro é o primeiro leite produzido pela mãe, rico em proteínas, minerais e componentes que conferem proteção imunológica como imunoglobulinas (Ig) A, lactoferrina, citocinas e leucócitos. Nos casos de parto prematuro, tem sido sugerido que a concentração destes fatores de proteção do colostro esteja alterada para atender as necessidades nutricionais e imunológicas do lactente.

Recentemente, um estudo de coorte prospectivo, conduzido em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (NICU), comparou o efeito da administração de colostro em 171 recém-nascidos com baixo peso no nascimento. Os lactentes foram divididos em dois grupos, sendo 88 no grupo com administração de colostro nas primeiras 12 horas pós-parto; e 83 bebês no grupo controle sem a administração do colostro. Índices de mortalidade e morbidade entre os dois grupos foram analisados.

O estudo deu preferência à alimentação com leite próprio da mãe ao leite de doadoras, que por sua vez, foi preferível à administração de fórmula e o direcionamento para terapia nutricional foi a partir da idade gestacional, sendo <30 semanas indicados a terapia e após 30 semanas, por colher de alimentação. A idade gestacional média foi de 30,18 semanas no grupo de estudo e 29,89 no grupo controle (p=0,401), peso ao nascimento de 1142,4 gramas dos lactentes no grupo controle e 1128g no grupo intervenção (p=0,668), além dos hormônios pré-natais que também foram levados em conta, 76% e 79% (p= 0,20) dos grupos de controle e de estudo, respectivamente. O tempo para alcançar a nutrição completa foi de 6,90 dias no grupo com administração de colostro comparado a 9,80 dias no grupo controle; com diferença média ponderada significativa de −2,4 dias.

Em conclusão, os autores demonstraram que mesmo sem um mecanismo claro de explicação, qualquer quantidade de colostro ofertado por via enteral ou por amamentação, recebido durante as primeiras 12 horas de vida, provocou imunomodulação benéfica e melhora do estado nutricional. A taxa da mortalidade entre os grupos foi significativamente diferente, de 18% para o grupo controle e 3% para o grupo que obteve a administração de colostro. Houve também a redução do tempo de iniciação e de intervenção da terapia nutricional de −1.7 dias no grupo de estudo e os autores sugerem que efeitos de aprimoramento de absorção e digestão intestinal podem estar associados a essa redução, contribuindo também a uma menor incidência de intolerâncias alimentares.

Referência: Bashir T, Reddy KV, Kiran S, Murki S, Kulkarni D, Dinesh P. Effect of colostrum given within the 12 hours after birth on feeding outcome, morbidity and mortality in very low birth weight infants: a prospective cohort study. Sudan J Paediatr. 2019; 19(1):19–24.

Por: Nicole Perniciotti