As doenças intestinais podem resultar em insuficiência ou em falência intestinal. Apesar de muito parecidas, essas duas condições resultam em condutas e impactos muito distintos na vida das pessoas. A Falência Intestinal é entendida como uma redução da função da massa intestinal abaixo do mínimo necessário para a digestão e absorção de alimentos, de modo que suplementação endovenosa (EV) se faz necessária, tanto para água e/ou eletrólitos, quanto para demais nutrientes. Já na insuficiência intestinal, mesmo com a redução da função absortiva do intestino, não há necessidade de suplementação endovenosa para manter a saúde. A falência intestinal crônica é aquela que pode durar meses a anos e pode ser classificada de acordo com a condição intestinal de base e conforme o volume de líquidos e calorias a serem suplementados de forma endovenosa:
- Classificação Patofisiológica:
- Síndrome do Intestino Curto
- Fístula Intestinal
- Dismotilidade Intestinal
- Obstrução Intestinal Mecânica
- Doença Extensa em Mucosa Intestinal
- Classificação Clínica da Falência Intestinal Crônica
Calorias Supementadas EV* x Volume de Suplementação EV** *Somatório das calorias infundidas na semana/7= media diária de calorias inundidas na semana **somatório do volume infundido na semana/7=média diária do volume infundido na semana Um estudo publicado pela ESPEN em 2018, com dados de falência intestinal crônica em diversos países do mundo, identificou que a causa mais frequente de nutrição parenteral domiciliar por doenca benigna em adultos foi a síndrome de intestino curto, com necessidade de infusão endovenosa média de 31,5 ml/Kg/dia de volume e 18,7 kcal/kg/dia de energia. O estudo sugere que o volume de suplementação endovenosa tem aplicabilidade clínica na avaliação da falência intestinal assim como a cretinina está para a função renal e a SaO2, para a função respiratória. Referência: Pironi L, et al. Clinical Classification of Adult patients with Chronic Intestinal Failure due to Benign Disease: an International Multicenter Cross-Sectional Study. Clinical Nutrition. 2018; 37(2): 728-738. DOI: 10.1016/j.clnu.2017.04.013