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Cirurgia bariátrica pode aumentar a sobrevivência de idosos com obesidade
Cirurgia bariátrica pode aumentar a sobrevivência de idosos com obesidade

A prevalência da obesidade em uma população que envelhece rapidamente coloca idosos com obesidade no centro de um dos maiores desafios atuais da saúde. Esse cenário combina dois fenômenos de alto impacto: o aumento expressivo da obesidade e a ampliação da expectativa de vida.
Nesse cenário das taxas de obesidade crescendo entre a população, a cirurgia bariátrica consolidou-se como uma estratégia eficaz para a perda de peso sustentada e para a melhora de desfechos metabólicos e clínicos em longo prazo.
Contudo, em pessoas com idade avançada, especialmente acima dos 69 anos, persistem preocupações relacionadas ao risco cirúrgico, à fragilidade e à reserva fisiológica reduzida para a indicação cirúrgica.
Sabendo disso, um estudo de coorte retrospectivo foi conduzido na Inglaterra para avaliar a sobrevida a longo prazo de pacientes com obesidade com 69 anos ou mais que fizeram a cirurgia em comparação com pacientes da mesma faixa etária com obesidade que não foram submetidos ao procedimento.
Confira os resultados a seguir:
Idosos com obesidade: grupo cirurgia x grupo controle
A partir dos registros eletrônicos de saúde de pacientes com 69 anos ou mais atendidos em Londres em uma unidade terciária de cirurgia bariátrica, entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2024, foram incluídos 186 pacientes, sendo que 44 fizeram a cirurgia e 142 não fizeram.
Desses pacientes, os 44 que realizaram o procedimento cirúrgico (sendo 28 submetidos a bypass gástrico em Y de Roux e 16 à gastrectomia vertical laparoscópica) foram pareados de acordo com idade, IMC, classificação de estado físico da American Society of Anesthesiologists, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular para comparação com 34 pacientes que não fizeram a cirurgia por recusa ou por categorização de alto risco na avaliação multidisciplinar.
Após o pareamento, avaliou-se a mortalidade e a sobrevida, observando-se um benefício significativo na sobrevida.
O que os números mostraram sobre a cirurgia em idosos com obesidade
O tempo de internação dos pacientes que fizeram a cirurgia foi de 2 a 3 dias. Apenas um paciente necessitou de internação na UTI e a taxa de morbidade em 30 dias foi de 9% (4 de 44 pacientes), com um caso de pneumonia. Complicações maiores em 30 dias ocorreram em três pacientes, incluindo um caso de sangramento pós-operatório e dois casos de hérnia no local da incisão que necessitaram de intervenção.
A porcentagem média de perda de peso total foi de 25,4% no grupo submetido à derivação gástrica em Y de Roux e de 20,0% no grupo submetido à gastrectomia vertical laparoscópica. Um paciente faleceu no 5º dia pós-operatório devido a pneumonia aspirativa, e a taxa de readmissão em 30 dias foi de 7% (3 de 44 pacientes) devido à desidratação e pneumonia.
No grupo controle pareado, 11 pacientes faleceram durante o acompanhamento, com um tempo mínimo até o óbito de 12 meses.
Assim, a cirurgia bariátrica foi associada a uma redução de 68% na mortalidade por todas as causas na análise univariada e a uma redução de 75% na mortalidade por todas as causas na análise multivariada, confirmando o efeito benéfico independente da cirurgia na sobrevida nas coortes pareadas.
O estudo reforça com esses achados que a idade cronológica por si só não deve ser uma contraindicação para cirurgia. Mas, como a The American Geriatrics Society, a American Society of Anesthesiologists e o American College of Surgeons recomendam, é imprescindível fazer uma avaliação geriátrica abrangente para avaliar a cognição, o estado funcional e a fragilidade, que são cruciais para a estratificação e otimização do risco perioperatório.
O que podemos concluir?
A cirurgia bariátrica pode oferecer um benefício clínico relevante para idosos com obesidade, incluindo uma redução expressiva da mortalidade e um perfil de segurança aceitável elevando a sobrevida quando comparada ao tratamento não cirúrgico.
O estudo amplia a compreensão do papel da cirurgia bariátrica como uma estratégia potencialmente modificadora do prognóstico em idosos bem selecionados, especialmente em um cenário onde as terapias farmacológicas ainda carecem de evidências a longo prazo nessa faixa etária.
Acesse o artigo completo, clicando aqui.
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Redação Ganep Educação



