Circunferência da cintura e HDL-colesterol são os indicadores de síndrome metabólica mais alterados na população brasileira

Circunferência da cintura e HDL-colesterol são os indicadores de síndrome metabólica mais alterados na população brasileira

Hipertensão arterial, obesidade abdominal, dislipidemias e alteração de glicemia fazem parte do conjunto de disfunções que caracterizam a Síndrome Metabólica (SM). A SM tem forte correlação com doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, entre outras doenças crônicas não transmissíveis, que são a maior causa de morbimortalidade da população brasileira. Dados sobre a prevalência de SM na população adulta brasileira apresentaram-se pouco consistentes – os dados apresentados pela literatura podem variar de 9% até 44%. Essa variação é justificada pois esses estudos apresentaram diferentes metodologias e recortes populacionais.

Um grupo de pesquisadores de Minas Gerais conduziu um estudo para estimar a prevalência de SM na população brasileira de acordo com fatores sociodemográficos, utilizando um consenso padronizado por diversos comitês e aceito internacionalmente. Foi realizado um estudo transversal analítico utilizando os dados da Pesquisa Nacional de Saúde e dados de exames laboratoriais (sangue e urina) dos entrevistados, coletados à posteriori. A entrevista foi realizada via contato telefônico. A amostra, de 8.952 pessoas, foi estratificada segundo: sexo, idade, escolaridade e região.

A prevalência de SM foi estimada pela presença simultânea de pelo menos três dos cinco fatores definidos com base em critérios de comitê internacional: colesterol HDL < 50mg/dl feminino e < 40mg/dl masculino; pressão arterial ≥ 130/85 mmHg, circunferência da cintura ≥ 80cm feminino e ≥ 90cm masculino, hemoglobina glicada ≥ 5,6 mmol/L (em substituição à glicemia glicada) e colesterol total ≥ 200mg/dl (em substituição aos triglicérides). Essas substituições se deram, pois não foi exigido jejum dos participantes. A prevalências da SM e de seus componentes de acordo com as características sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade, cor da pele/raça e moradia – rural / urbana) foram calculados com intervalos de 95% de confiança. Os resultados encontrados revelaram que a cada três brasileiros, um apresenta SM.

Esta proporção é ainda maior entre mulheres, indivíduos com menor escolaridade e aqueles com idade mais avançada. O indicador isolado de SM mais prevalente foi a circunferência da cintura, mais de 70% das mulheres participantes apresentavam valores elevados de circunferência da cintura, versus 56% dos homens. Outro indicador que merece destaque foi o colesterol HDL que se apresentou baixo em 55% das mulheres e 43% dos homens. O estudo concluiu que a SM é uma condição muito prevalente na população brasileira, sendo que esses achados devem ser usados para consolidar e fortalecer políticas públicas que promovem estilos de vida saudáveis.

Referência:

Oliveira LVA et al. Prevalência da Síndrome Metabólica e seus componentes na população adulta brasileira. Ciência & Saúde Coletiva, 25(11):4269-4280, 2020.

Pós-graduação de Nutrição Clínica

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