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Presente de Natal 2018

 

O GANEP Educação preparou um webinar especial para contribuir com o crescimento do seu conhecimento profissional.

Data: 19/12/2017

Horário: 19h30

 

 

 

Programação:

Aula 1: Avaliação da microbiota já está disponível na prática clínica?

Professora: Maria de Lourdes Teixeira da Silva

Aula 2: Microbiota, Eixo Intestino-Cérebro e doenças cognitivas

Professor: Dan L. Waitzberg

 

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Dieta pobre em FODMAPs na Doença Inflamatória Intestinal

Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) estão associadas a dor abdominal e impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Algumas intervenções nutricionais são discutidas com o objetivo de melhorar essas questões, sendo uma opção a dieta pobre em FODMAPs (DPF). Schumann e colaboradores realizaram uma revisão sistemática e metanálise, recentemente publicada, com o objetivo de avaliar a eficácia dessa dieta para melhora dos sintomas gastrointestinais em pacientes com DII, determinar a segurança do tratamento e a influência na microbiota intestinal. Foram incluídos 9 estudos e 596 pacientes. A DPF foi comparada à dieta habitual; dieta geralmente recomendada para DII; e dieta ocidental. Os resultados mostraram que a DPF foi associada à melhora de todos os sintomas gastrintestinais (p=0,0001); melhora de dor abdominal (p=0,008), principalmente em pacientes com sintoma predominante de diarreia; e melhor qualidade de vida (estudos a curto-prazo – p=0,007). 4 trabalhos avaliaram questões relacionadas à microbiota intestinal e encontraram que a DPF altera a sua composição, principalmente reduzindo as Bifidobactérias. Os autores concluíram que a DPF está associada a benefícios para pacientes com DII, principalmente para aqueles com diarreia. Porém, mais estudos em longo prazo são necessários para avaliar os efeitos sobre a microbiota intestinal, e a relação custo-benefício em comparação com outras intervenções nutricionais.

Por: Michelle Barone

Fonte: Schumann D, Klose P, Lauche R, Dobos G, Langhorst J, Cramer H. Nutrition. 2018 Jan;45:24-31.

Tratamento com prebiótico e simbiótico antes da cirurgia colorretal

Apesar dos avanços na medicina nas últimas décadas, não houve aumento significativo da taxa de sobrevivência após cirurgia para câncer colorretal e também, as taxas de complicações permanecem quase as mesmas. Desconhece-se o mecanismo fisiopatológico exato que predispõe esses pacientes submetidos à cirurgia a um maior risco para infecção, no entanto, a translocação bacteriana tem grande importância na patogênese das infecções pós-operatórias. O preparo mecânico do intestino antes da cirurgia colorretal é comumente praticado visando reduzir o risco de infecção e abcessos. Recentemente vários ensaios sugerem que não há benefícios significativos com a limpeza pré-operatória, podendo até mesmo ser prejudicial devido à mudança na quantidade e composição das bactérias no cólon. Por outro lado, o tratamento profilático com probióticos mantém a microbiota intestinal.

Pensando nisso, pesquisadores do Hospital Universitário de Maribor, na Eslovênia, realizaram estudo prospectivo, randomizado e duplo cego, com o objetivo de demonstrar concentrações mais altas de bactérias láticas na mucosa colônica em pacientes pós-cirúrgicos de câncer colorretal que tiveram ingestão oral de prebióticos e simbióticos no pré-operatório. Também verificaram a resposta inflamatória sistêmica após a cirurgia e ainda as complicações pós-operatórias. Foram incluídos nesse estudo 54 pacientes randomizados em três grupos: A – prébioticos duas vezes ao dia, três dias antes da cirurgia; B – simbióticos duas vezes ao dia, três dias antes da cirurgia; e C – preparo mecânico do intestino antes da cirurgia. O simbiótico utilizado continha 1011 de cada cepa lática (Pediacoccus pentosaceus, Leuconostoc mesenteroides, Lactobacillus paracasei subsp paracasei e Lactobacillus plantarum) e quatro fibras fermentáveis (betaglucana, inulina, pectina e amido resistente), e o prebiótico continham as mesmas fibras fermentáveis.

Os resultados encontrados confirmam as quatro cepas na mucosa colônica através de reações em cadeia de polimerase. Os níveis séricos de IL-6, PCR, fibrinogênio e contagem de glóbulos brancos foram medidos pré e pós-operatório para determinar a resposta inflamatória sistêmica. Houve a ligeira diferença dentro dos grupos, no entanto, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas na resposta inflamatória sistêmica, nenhuma diferença no curso pós-operatório e nas taxas de complicações entre os três grupos.

Os autores concluíram que as cepas probióticas foram estáveis ao passar pelo trato gastrointestinal, mas que mais estudos, talvez com amostras maiores, são necessários para confirmar a resposta inflamatória sistêmica.

Por: Jana Grenteski

Fonte: Krebs B. Coll Antropol. 2016 Apr;40(1):35-40.

Fibras modulam o efeito negativo do consumo de álcool no risco de Câncer de Mama

Grande número de artigos discute o papel dos fatores ambientais na etiologia do câncer. Dentre essas questões, o consumo de álcool e de fibras é apontado, respectivamente, como fator de risco e proteção para o câncer de mama (CM). Estudo de coorte prospectivo realizado com 334.850 mulheres entre 35 e 70 anos teve como objetivo avaliar a influência e interação entre esses dois fatores na incidência do CM. Durante os 11 anos de acompanhamento foram documentados 11.576 casos da doença. Comparadas às mulheres com baixo consumo de álcool (<5g/dia) e alto consumo de fibra (>24g/dia), as que apresentavam alto consumo de álcool (>15g/dia) e baixo consumo de fibras (<18,5g/dia) tinham aumento do risco de CM em 35%. Porém, em mulheres com alto consumo de álcool e de fibras, o aumento do risco foi de 12%, e em mulheres com baixo consumo de álcool e de fibra, o aumento do risco foi de 8%. Foi observado também, que o consumo de fibras vindas de vegetais apresentou-se como o fator de proteção mais forte contra o desenvolvimento do CM. Os autores concluíram que a ingestão de fibras, principalmente de vegetais, parece modular o efeito adverso do etanol, mas mais investigações são necessárias para verificar os mecanismos desse efeito protetor e a relação entre os tipos de fibras e os subtipos de tumor.

Por: Michelle Barone

Fonte: Romieu I, Ferrari P, Chajès V, et al. Int J Cancer. 2017 Jan 15;140(2):316-321.