Baixo ângulo de fase padronizado é preditor de hospitalização prolongada em pacientes críticos

A impedância bioelétrica (BIA) é um método simples, rápido, fácil e de baixo custo para avaliação nutricional, contudo sua aplicabilidade para avaliar composição corporal de pacientes críticos é limitada devido à retenção de líquidos observada nessa população de pacientes; o que influencia as estimativas de gordura e massa muscular. Como alternativa para avaliação da composição corporal nessa população, a medida do Ângulo de Fase (AF) tem sido uma alternativa recentemente estudada.  

Em um estudo de coorte prospectivo com dados secundários de dois projetos desenvolvidos em hospitais brasileiros, os pesquisadores investigaram o estado nutricional de 169 pacientes críticos em ventilação mecânica. Para classificar o estado nutricional, todos participantes foram avaliados em até 48h de admissão na UTI e foi realizado avaliação subjetiva global (ASG), medidas da circunferência do braço, da panturrilha, BIA e ângulo de fase. Posteriormente foi estudado a relação entre a medida do AF com grau de desnutrição e desfechos clínicos de tempo de internação na UTI, duração da ventilação mecânica e óbito. 

O tempo de acompanhamento médio do estudo foi de 23 dias, a idade média dos pacientes foi de 60,3 anos, sendo 56,7% homens e 46,7% pacientes cirúrgicos. Os pacientes realizaram BIA, e a partir dos dados de resistência (R) e reatância (Xc) foi calculado o AF e, através de uma equação, foi transformado em medida de AF padronizada para a população do estudo. Os pacientes foram classificados em AF reduzido quando o valor encontrado foi <1,65, e normal quando valor foi maior ou igual 1,65.

A precisão da AF padronizada reduzida na identificação de pacientes desnutridos foi de 60,6% (curva ROC AUC = 0,606, IC 95% 0,519-0,694). O AF padronizado reduzido aumentou em cerca de três vezes a chance de desnutrição (OR = 2,79, IC 95% 1,39–5,61) e duas vezes a chance de internação prolongada (OR = 2,27; IC95% 1,18–4,34) em uma análise ajustada para hospital de origem e para o escore de gravidade.

Os autores concluíram que o ângulo de fase reduzido apresentou validade preditiva satisfatória para desnutrição e maior tempo de permanência hospitalar em pacientes críticos, o que pode reforçar a aplicabilidade da bioimpedância na rotina de avaliação nutricional em UTI.

Referência: JANSEN, Ann Kristine et al. Low standardized phase angle predicts prolonged hospitalization in critically ill patients. Clinical Nutrition Espen, 2019; 34: 68-72.

Por: Ana Carolina Vicedomini