Autor: Martketing Ganep

Baixo ângulo de fase padronizado é preditor de hospitalização prolongada em pacientes críticos

A impedância bioelétrica (BIA) é um método simples, rápido, fácil e de baixo custo para avaliação nutricional, contudo sua aplicabilidade para avaliar composição corporal de pacientes críticos é limitada devido à retenção de líquidos observada nessa população de pacientes; o que influencia as estimativas de gordura e massa muscular. Como alternativa para avaliação da composição corporal nessa população, a medida do Ângulo de Fase (AF) tem sido uma alternativa recentemente estudada.  

Em um estudo de coorte prospectivo com dados secundários de dois projetos desenvolvidos em hospitais brasileiros, os pesquisadores investigaram o estado nutricional de 169 pacientes críticos em ventilação mecânica. Para classificar o estado nutricional, todos participantes foram avaliados em até 48h de admissão na UTI e foi realizado avaliação subjetiva global (ASG), medidas da circunferência do braço, da panturrilha, BIA e ângulo de fase. Posteriormente foi estudado a relação entre a medida do AF com grau de desnutrição e desfechos clínicos de tempo de internação na UTI, duração da ventilação mecânica e óbito. 

O tempo de acompanhamento médio do estudo foi de 23 dias, a idade média dos pacientes foi de 60,3 anos, sendo 56,7% homens e 46,7% pacientes cirúrgicos. Os pacientes realizaram BIA, e a partir dos dados de resistência (R) e reatância (Xc) foi calculado o AF e, através de uma equação, foi transformado em medida de AF padronizada para a população do estudo. Os pacientes foram classificados em AF reduzido quando o valor encontrado foi <1,65, e normal quando valor foi maior ou igual 1,65.

A precisão da AF padronizada reduzida na identificação de pacientes desnutridos foi de 60,6% (curva ROC AUC = 0,606, IC 95% 0,519-0,694). O AF padronizado reduzido aumentou em cerca de três vezes a chance de desnutrição (OR = 2,79, IC 95% 1,39–5,61) e duas vezes a chance de internação prolongada (OR = 2,27; IC95% 1,18–4,34) em uma análise ajustada para hospital de origem e para o escore de gravidade.

Os autores concluíram que o ângulo de fase reduzido apresentou validade preditiva satisfatória para desnutrição e maior tempo de permanência hospitalar em pacientes críticos, o que pode reforçar a aplicabilidade da bioimpedância na rotina de avaliação nutricional em UTI.

Referência: JANSEN, Ann Kristine et al. Low standardized phase angle predicts prolonged hospitalization in critically ill patients. Clinical Nutrition Espen, 2019; 34: 68-72.

Por: Ana Carolina Vicedomini

Massa magra como preditor de hiperfagia em pacientes com Síndrome do intestino curto

Alguns pacientes com síndrome do intestino curto (SIC) desenvolvem comportamento hiperfágico. Tal aumento da ingestão de alimentos estimula a adaptação intestinal e reduz a dependência de nutrição parenteral.  Com isso, um estudo recente conduzido por Bétry e colaboradores teve como  objetivo determinar os fatores que modulam o consumo de alimentos em pacientes com síndrome do intestino curto. Para isso, foram coletados dados de um centro referência em nutrição parenteral em Lyon- França, como avaliação da composição corporal por DEXA, antropometria e força palmar, informações dietéticas pelo recordatório de 3 dias e nutricionais (tipo de terapia nutricional), calorimetria indireta, análise sérica (albuminemia, proteina C reativa – PCR, função tireoidiana, aminoácidos plasmáticos, absorção intestinal de glicose) e fezes (determinação do peso das fezes durante 3 dias).

Foram incluídos no estudo 38 pacientes com idade média de 63 anos e a maioria do sexo masculino (63%). Os motivos da ressecção intestinal foram isquemia mesentérica (63%), obstrução do intestino delgado (13%), tumor intestinal (8%), enterite por radiação (8%) ou outras causas (8%), com média de intestino remanescente de 70 cm. Os pacientes foram divididos em grupo hiperfágico (GH: ingestão oral > 40kcal/kg/dia ou ingestão > 1,5 vezes o gasto energético em repouso) e grupo não hiperfágico (GNH: ingestão oral < 40kcal/kg/dia ou ingestão < 1,5 vezes o gasto energético em repouso). Fizeram parte do GH 69% dos pacientes. A ingestão energética oral variou de 577 a 4054 kcal/dia e se correlacionou com peso (p=0,009), massa livre de gordura (p=0,003) porém não com massa gorda (p=0,90). A ingestão energética oral se correlacionou positivamente  com a força palmar, gasto energético em repouso (p=0,03), massa livre de gordura (p<0,05) e hormônio estimulante da tireoide -TSH (p<0,01), os dois últimos independentemente de outros parâmetros, e negativamente com hormônio tri-iodotironina –T3 (p=0,04) e PCR, porém não se correlacionou com idade, tamanho do intestino remanescente, tempo de síndrome do intestino curto, nutrição parenteral e função intestinal.

Dessa maneira, os autores concluíram que a massa livre de gordura é um forte preditor de ingestão calórica oral em pacientes com SIC em nutrição parenteral sem sintomas gastrointestinais debilitantes. O aumento da massa magra pode ser uma maneira de estimular ingestão calórica via oral nestes pacientes para redução de dependência da nutrição parenteral. Mais estudos são necessários para comprovar essa hipótese.

Bétry C et al. Hyperphagia in short bowel patients: Fat-free mass is a strong predictor. Nutrition. 2019; 62:146-151.

Por: Marcella Gava

Capacidade de exercício de corredores Veganos, Lacto-ovo-vegetarianos e Onívoros

Os atletas de resistência têm interesse em planos dietéticos que colaboram de forma positiva na capacidade e saúde do exercício, redução da gordura corporal e aumento da massa muscular. Os parâmetros para analisar a capacidade de exercício incluem potência máxima e concentração de lactato.

Dietas vegetarianas são caracterizadas pela maior ingestão de carboidratos; o que sugere contribuição favorável na capacitação do exercício. Além disso, o aumento da ingestão de nutrientes antioxidantes induzido pela dieta à base de vegetais, pode ter resultados positivos no estresse oxidativo induzido pelo exercício. Por outro lado, foi demonstrado que vegetarianos, e especialmente os veganos, têm níveis mais baixos de ferritina, baixa ingestão de proteínas, creatina e carnitina, o que poderia afetar negativamente o desempenho. Até o momento, o impacto de uma dieta à base de vegetais no desempenho esportivo não é claramente elucidado. Nesse sentido, estudou-se a hipótese de que não há diferenças no desempenho dos exercícios entre onívoros, ovo-lacto-vegetarianos e corredores recreativos veganos.

O estudo transversal foi realizado corredores recreativos veganos (VEG, n = 24), lacto-ovo-vegetarianos (LOV, n = 26) e onívoros (ON, n = 26). Para determinar a capacidade máxima de exercício, os participantes realizaram um teste de esforço em bicicleta ergométrica até a exaustão voluntária. Durante o teste, foram coletadas amostras de sangue capilar em vários momentos para a medição das concentrações de lactato arterial e glicose. Para determinar a ingestão de nutrientes, foi realizado um recordatório de 24 horas.

Os grupos apresentaram hábitos de treinamento comparáveis ​​em termos de frequência de treinamento (p = 0,735), tempo (p = 0,079) e distância de corrida (p = 0,054). Além disso, foi observada uma potência máxima semelhante nos três grupos (p = 0,917) e sem diferenças em relação a concentração de lactato durante o teste ergométrico e o lactato máximo foi observado entre os grupos (p = 0,648).

Assim, os dados indicaram que cada dieta examinada não tem vantagens nem desvantagens em relação à capacidade de exercício. Esses resultados sugerem que uma dieta vegana pode ser uma alternativa adequada para corredores recreacionais.

Referência: Nebl J, Haufe S, Eigendorf J, Wasserfurth P, Tegtbur U, Hahn A. Exercise capacity of vegan, lacto-ovo-vegetarian and omnivorous recreational runners. J Int Soc Sports Nutr. 2019, 20;16(1):23. 

Por: Mariane Marques

Deficiência de Vitaminas lipossolúveis em crianças com Doença celíaca

A doença celíaca (DC) é uma alteração autoimune, classificada como uma síndrome de má absorção resultante da intolerância ao glúten presente em cereais como trigo, centeio e aveia, em indivíduos geneticamente suscetíveis. Os achados da má absorção nos indivíduos celíacos estão correlacionados com a dieta e resposta imunológica individual; podendo iniciar em semanas ou meses após o diagnóstico da doença. Dentre as principais consequências da má absorção na DC está a deficiência de micronutrientes, principalmente de vitaminas lipossolúveis A,D,E e K. Atualmente é orientado a análise periódica de vitaminas lipossolúveis em pacientes celíacos adultos, contudo, em crianças recém diagnosticados com DC ainda não há um consenso sobre a periodicidade de avaliação dos níveis séricos de vitaminas lipossolúveis e da prescrição de suplementos multivitamínicos. Nesse contexto, um estudo de caso controle investigou a prevalência de deficiência de vitaminas lipossolúveis em crianças recém diagnosticadas como celíacas e comparou com crianças saudáveis.  

Foram selecionadas 52 crianças com DC e 50 crianças saudáveis para o grupo controle. A idade média dos participantes foi de 9 ± 4,3 anos, e o peso médio foi determinado em 16,2 ± 6,3 kg. Níveis séricos de vitamina A e vitamina D das crianças com DC foram significativamente menores em comparação com os participantes do grupo controle. A insuficiência de vitamina D foi observada em 92,3% (48 crianças celíacas) em comparação com 18% do grupo saudável. A deficiência de vitamina D foi determinada em 61,5% (32 crianças) do grupo DC versus 4% (2 crianças) do grupo controle. A deficiência de vitamina A foi estabelecida em 32,7% das crianças celíacas. Níveis insuficientes de vitamina E e K não foram encontradas em ambos os grupos.

Alguns outros fatores que interferem nos níveis de vitaminas A e D, como idade, gênero sintomas clínicos, análise histológica e presença de H. pylori, foram investigados no estudo, contudo não foi encontrada relação dos mesmos com os níveis vitamínicos. Assim, os pesquisadores do estudo concluíram que os níveis de vitaminas lipossolúveis, sobretudo A e D, devem ser investigados em jovens pacientes recém diagnosticados como celíacos.

Referência: Tokgöz, Y.; Terlemez, S.; Karul, A. Fat soluble vitamin levels in children with newly diagnosed celiac disease, a case control study. BMC Pediatrics, 2018; 18:130. R

Por: Magda Medeiros

Uso da dinamometria de preensão manual para avaliação diagnóstica e prognóstica da Fraqueza Muscular adquirida na Unidade de Terapia Intensiva

A fraqueza muscular adquirida na UTI (ICU-AW) é uma síndrome caracterizada pela fragilidade da musculatura de membros e músculos respiratórios, o que promove aumento da dependência de ventilação mecânica, de complicações e mortalidade. A incidência varia de 30% a 60%, e tem como principais fatores causais a sepse, síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS), disfunção de órgãos e imobilidade prolongada.

O diagnóstico da ICU-AW é realizado pelo escore Medical Research Council (MRC) que avalia graus de contração e força muscular em 12 grupos musculares. Recentemente, pesquisadores brasileiros realizaram um estudo prospectivo de coorte com o objetivo de testar uso da dinamometria de preensão manual como uma ferramenta alternativa para avaliação diagnóstica e prognóstica da ICU-AW comparado ao uso do método MRC.  

Foram selecionados 45 pacientes críticos adultos com período de internação mínimo de 5 dias na UTI. O desfecho primário foi a concordância entre o diagnóstico da ICUAW, avaliado pelo escore do MRC e pelo uso do dinamômetro. Os desfechos clínicos secundários foram a associação do diagnóstico da ICUAW por dinanometria com dias de ventilação mecânica, tempo de internação hospitalar e UTI, readmissão na UTI dentro do período de 6 meses e mortalidade.

Dezoito pacientes do estudo foram diagnosticados com ICUAW. Usando limiares estatísticos específicos, identificou-se que o uso da dinamometria da força de preensão manual teve alta concordância com os critérios do MRC para o diagnóstico de ICUAW (precisão de 100%; coeficiente Kappa = 1; p <0,001). O diagnóstico da ICUAW avaliado pela dinanometria foi significativamente associado ao tempo mais prolongado de ventilação mecânica (p< 0,001) e de internação na UTI (p< 0,001). Não houve diferenças em relação à mortalidade.

Os pesquisadores concluíram que a ICUAW está associada a uma maior permanência na UTI e tempo prolongado da ventilação mecânica durante um período de pelo menos 6 meses, sugerindo que esta condição esteja relacionada a consequências a longo prazo. A dinamometria de pressão manual pode fornecer uma alternativa rápida, simples e precisa alternativa para o diagnóstico de ICUAW. Mais estudos que validam aplicação de novos métodos de diagnóstico e possíveis tratamentos da condição são necessários.

Referência: Bragança RD, Ravetti CG, Barreto L, Ataíde TBLS, Carneiro RM, Teixeira AL, Nobre V. Use of handgrip dynamometry for diagnosis and prognosis assessment of intensive care unit acquired weakness: A prospective study. Heart Lung. 2019.

Por: Priscila Garla


Suplementação de Nutracêuticos em Pacientes com Síndrome Metabólica

A síndrome metabólica (SM) é uma condição clínica comum no mundo ocidental, associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares (DCV). Esta condição metabólica é caracterizada por obesidade visceral, hipertensão arterial e resistência à insulina.

Nos últimos anos, a suplementação de compostos nutracêuticos tem se destacado como uma alternativa adicional no tratamento da SM e seus fatores de risco associados. Recente estudo prospectivo multicêntrico, randomizado, duplo-cego controlado por placebo foi realizado para avaliar o efeito do suplemento nutracêutico Armolipid Plus® na resistência à insulina e perfil lipídico (colesterol total e frações) de indivíduos com SM. Cada comprimido do suplemento nutracêutico continha 500 mg de berberina, 10 mg de policosanol, 200 mg de arroz fermentado com Monascus purpureus (levedura vermelha de arroz) que equivale a 3 mg de monacolina K , 0,2 mg de ácido fólico, 2 mg de coenzima Q10 e 0,5 mg de astaxantina.

O estudo foi realizado com 141 indivíduos com SM e alto risco de DCV, na faixa etária entre 28 e 76 anos, que foram divididos em dois grupos: 1) grupo nutracêuticos (GN) contendo 71 participantes que receberam suplementação com cápsula do composto nutracêutico ; 2) grupo controle (GC; n= 70), que recebeu suplementação placebo. Todos participantes tomaram 1 comprimido ao dia durante o período de 24 semanas.

No final do estudo, resultados mostraram que houve uma melhora significativa no perfil lipídico de pacientes do GN através da redução no colesterol total (CT- 13,2 mg/dl), LDL (- 13,9 mg/dl), total de frações não-HDL (-15,3 mg/dl) e aumento da fração HDL (+ 2,0 mg/dl). Essas alterações foram também significativas em comparação com o grupo placebo (CT: GN – 13,2 mg/ dL vs GC + 2,7 mg/dL, p <0,01; LDL: GN -13,9 mg /dl vs GC + 1,5 mg/dl, p <0,01; total de frações não-HDL: GN -15,3 mg/dl vs GC + 2,8 mg/dl, p <0,01). Foi encontrado aumento significativo da fração HDL no GN em comparação com o grupo controle (GN: + 2 mg/dL versus GC: 0,13 mg/dL; p <0,05). Não foram observados resultados significativos na resistência insulínica. Os autores do estudo concluíram que houve boa eficácia e segurança da suplementação do composto nutracêutico na melhora do perfil lipídico de indivíduos com SM e alto risco de DCV. Esses resultados estão associados com redução do risco de desenvolvimento e progressão de aterosclerose, especialmente devido a diminuição significativa das partículas LDL pequenas e densas. Mais estudos com acompanhamento a longo prazo ainda são necessários para avaliar os efeitos desse composto nutracêutico na morbimortalidade de doenças cardiovasculares.

Referência: GALLETTI et al. Efficacy of a nutraceutical combination on lipid metabolism in patients with metabolic syndrome: a multicenter, double blind, randomized, placebo controlled trial (2019) 18:66.

Por: Débora Becker

Efeito do chá medicinal tradicional da Ásia Oriental no tratamento da insônia

De natureza crônica, a insônia atinge cerca de 30% da população mundial com queixas frequentes de dificuldade em pegar no sono, dificuldade para mantê-lo e má qualidade de sono em geral. Nos últimos anos, a fitoterapia vem ganhando força como opção terapêutica complementar no tratamento da insônia; contribuindo para redução de possíveis efeitos adversos ocasionados pelo tratamento farmacológico tradicional.

Estudo publicado recentemente recrutou 40 indivíduos de 30 a 49 anos com má qualidade de sono relatada pelo menos 3 vezes na semana. Os participantes foram classificados por insônia leve a moderada através de questionários que avaliam a qualidade do sono como Índice de Gravidade da Insônia (ISI), Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI) e Short Form Health Survey (SF12).

Os participantes foram randomizados em dois grupos: controle sem intervenção (n=20) e grupo experimental (n=20), que recebeu intervenção através do consumo diário de chá de ervas medicinais tradicionalmente usadas na Ásia Oriental (HT002). Para consumo, as ervas foram lavadas, secadas, tostadas e divididas em porções (sachês) de 3g. O chá foi composto de ervas R. glutinosa (Gaertn.) DC, radix (900 mg); Z. jujuba var. inermis (Bunge) Rehder, fructus (900 mg); G. jasminoides J. Ellis, fructus (600 mg); and Z. jujuba var. spinosa (Bunge) Hu ex H. F. Chow, semen (600 mg). Para o grupo experimental HT002, foi administrado 1 sachê de chá que é equivalente a 250ml de infusão, orientado a ser tomado duas vezes ao dia (manhã e fim de tarde), por 4 semanas. As variáveis de qualidade do sono foram avaliadas nos períodos de 4 e de 8 semanas.

Ao fim da intervenção, 39 participantes concluíram o estudo e o consumo médio do chá de ervas HT002 foi de 70%. Exames laboratoriais da função hepática e renal também foram avaliados 4 semanas após o término de intervenção e não houve alterações entre eles.

Os resultados nos índices de insônia mostraram que houve diferença significativa do índice ISI ao término da 4ª (p =0,018) e 8ª semana ( p= 0,001), trazendo redução de 4 e 5 pontos na escala. No índice PSQI foi observado melhora da insônia através dos parâmetros de qualidade do sono na 4ª semana (p< 0,001), latência de sono (p=0,001) e duração do sono (p= 0,004). No mesmo período, dados mostram que também obtiveram melhoras na escala SF12 (p= 0,004) e MCS (p=0,024). Ao término da 8ª semana (p= 0,001) ainda foram observadas alterações positivas na escala PSQI nas variáveis de qualidade do sono (p= 0,005), latência de sono (p< 0,001) e duração do sono (p=0,009), também observadas na escala SF12 (p< 0,001) para o grupo experimental HT002.

Os autores concluíram que o consumo do chá de ervas medicinais apresentou alta tolerabilidade e demonstrou importantes alterações nos índices utilizados para classificação da insônia, com resultados similares tanto ao término da 4ª semana de estudo, quanto ao fim da 8ª semana de acompanhamento, melhorando qualidade de sono, latência e duração de sono e disfunção diurna.

Referência: Mun S, Lee S, Park K, Lee SJ, Koh BH, Baek Y. Effect of Traditional East Asian Medicinal herbal tea (HT002) on insomnia: a randomized controlled pilot study. Integr Med Res. 2019 Mar;8(1):15-20.


Por: Nicole Perniciotti

Suplemento nutricional oral diminuiu risco de hospitalização e custos com saúde em Idosos Desnutridos

A população idosa está mais propensa ao risco de desnutrição devido a várias condições patológicas, sociais, econômicas ou ambientais. Dados mostraram que a prevalência da desnutrição é de 5 e 10% em domicílios, 15 e 30% em casas de repouso e 40 e 50% em hospitais. Esta última estatística está também associada ao elevado custo econômico com taxas de hospitalizações, tempo prolongado de internação e mortalidade.

Recentemente, foi publicado na revista Clinical Nutrition um estudo prospectivo, comparativo, multicêntrico que avaliou 191 idosos com idade igual ou superior a 70 anos. Os pacientes foram classificados como desnutridos de acordo com um ou mais dos seguintes critérios: perda de peso de 5% em 1 mês, perda de peso de 10% em 6 meses, índice de massa corporal (IMC<21 kg/m2), albuminemia <35g/l ou MAN (Mini Avaliação Nutricional ≤ 7). Os pacientes foram divididos em grupo com prescrição de suplemento oral hipercalórico e hiperproteico contendo 500Kcal/dia e 30g/dia de proteínas (n= 133 idosos) e grupo sem prescrição oral (n=58) durante o período de 6 meses. Foi avaliado o impacto da suplementação oral na qualidade de vida, ganho de peso, risco de hospitalização e custos ao sistema de saúde durante o período do estudo.

Participantes suplementados apresentaram menor risco de hospitalização em 6 meses e melhora significativa do apetite em relação aos pacientes que não consumiram o suplemento (p < 0.001). Os custos com saúde foram significativamente menores em pacientes com ingestão de energia ≥ 500 kcal/d (1389 ± 264 euros) versus não suplementados (3502 ± 839 euros); p = 0,042.

Os autores concluíram que a prescrição de suplemento oral hipercalórico e hiperproteico em idosos desnutridos em domicílio reduziu o risco de hospitalização e os custos com saúde.

Referência: Seguy, D. et al. Compliance to oral nutritional supplementation decreases the risk of hospitalisation in malnourished older adults without extra health care cost: Prospective observational cohort study. Clinical Nutrition, 2019, p.327-345.

Por: Ana Carolina Costa Vicedomini

Deficiência materna de ferro foi associada a parto prematuro e maior peso ao nascer apesar da suplementação pré-natal: estudo NuPED

Anemia por deficiência de ferro é resultado da prolongada depleção de ferro; que pode ser causada por ingestão dietética insuficiente, hemorragias ou má absorção do ferro. Na gravidez, a anemia pode ter efeitos negativos tanto para a saúde materna quanto infantil. As necessidades fisiológicas aumentadas de ferro devem ser consideradas para evitar complicações como redução do crescimento infantil e pior desenvolvimento neurológico no terceiro trimestre de gestação.

O projeto Nutrição durante a gravidez e desenvolvimento precoce (NuPED), representa um estudo prospectivo realizado em 250 gestantes da África do Sul. O objetivo do NuPED foi avaliar o status de ferro durante todo o período gestacional e comparar com variáveis bioquímicas, inflamatórias e sua relação com idade gestacional e peso ao nascer. Foram avaliados níveis de hemoglobina, biomarcadores do status de ferro e inflamação, peso ao nascer e a idade gestacional ao parto nos períodos de <18, 22 e 36 semanas. Adicionalmente, os dados da ingestão alimentar materna foram obtidos na primeira consulta (<18 semanas de gestação) por questionário de frequência alimentar quantificada (QFFQ).  Para auxiliar na quantificação do tamanho da porção, foram utilizados equipamentos de medição padrão, modelos de alimentos.

No momento da seleção de participantes, a prevalência de anemia, depleção de ferro e eritropoiese por deficiência de ferro foi de 29%, 15% e 15%, respectivamente; e aumentou significativamente com a progressão da gravidez. Anemia e depleção de ferro na 22ª semana, bem como eritropoiese por deficiência de ferro na 36ª semana foram associados a maior peso ao nascer (β = 135,4; IC 95%; e β = 205,4; IC 95%: 45,6, 365,1 e β = 178,0; 95% CI: 47,3, 308,7, respectivamente). Mulheres no quartil mais baixo de ferritina, na 22ª semana deram à luz bebês com peso de 312g (IC 95%: 94,8, 528,8) a mais do que as do quartil mais alto de ferritina. Por outro lado, o eritropoiese por deficiência de ferro na 22ª semana foi associado a um maior risco de parto prematuro (OR: 3,57, IC 95%: 1,24- 10,34). Gestantes com quartis mais baixos de hemoglobina no período menor que 18 semanas tiveram uma gestação mais curta em 7 dias (β = – 6,9, IC 95%: -13,3, -0,6) em comparação com os do quartil mais alto.

Apesar de algumas limitações metodológicas do estudo, os resultados são importantes, gerando algumas hipóteses para investigações futuras. Os autores concluíram que a deficiência de ferro, anemia e eritropoiese por deficiência de ferro aumentaram com a progressão da gravidez, apesar da suplementação pré-natal rotineira. Além disso, houve uma associação inversa entre status materno do ferro e peso ao nascer, enquanto eritropoiese por deficiência de ferro no meio da gravidez aumentou o risco de parto prematuro. Tais resultados são preocupantes frente às possíveis complicações, inclusive em mulheres suplementadas. Sendo assim, ainda é um desafio a identificação da deficiência e suplementação segura considerando ambientes de saúde pública.

Referência:Symington EA, Baumgartner J, Malan L, et al. Maternal iron-deficiency is associated with premature birth and higher birth weight despite routine antenatal iron supplementation in an urban South African setting: The NuPED prospective study. PLoS One. 2019 Sep 3;14(9):e0221299.

Por: Viviane Lago

Preferência pré-operatória por alimentos salgados foi relacionada a maior reganho de peso pós Cirurgia Bariátrica

Cirurgia bariátrica tem induzido uma perda de peso rápida e sustentável, com melhora ou resolução de diversas comorbidades metabólicas. No entanto, a taxa de perda de peso declina-se após 1 ano de pós-operatório e o reganho tem sido observado. Recentemente, Zhang e colaboradores investigaram se há uma associação entre sabores de preferência alimentares pré-operatório e o reganho de peso após cirurgia bariátrica.

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo com pacientes adultos que foram submetidos a cirurgia de BGYR (Bypass Gástrico em Y-de-Roux) ou SG (sleeve gastrectomia) há no mínimo seis meses. Foram analisados o reganho de peso (valor de peso aos 2 anos pós cirurgia subtraído peso de 1 ano após cirurgia) e hábitos alimentares e sabores de preferência pré-operatórios, identificados a partir de questionário alimentar. Os sabores de alimentos foram divididos em doces (chocolate, sorvetes, balas…), azedos (limão, picles…), salgados (batata chips, pipoca, pretzels…), amargos (aspargos, pepino, café…), condimentados (carnes, queijos, frutos do mar, molho de soja, sopas…)

Fizeram parte do estudo 133 indivíduos, dos quais 109 realizaram BGYR e 24 SG, com IMC médio pré-operatório de 47,8 kg/m². A maioria dos pacientes apresentou preferência por doces no pré-operatório (44%), seguido de condimentados (27%), salgados (17%) e sem preferência (12%). Os sabores azedos e amargos não foram escolhidos como preferência por nenhum dos participantes.

Pacientes que realizaram BGYR apresentaram maior perda de peso tanto no primeiro quanto no segundo ano de pós-operatório em comparação com os que realizaram SG, sendo que os pacientes de SG apresentaram reganho de peso médio de 1,5kg do peso no período de  2 anos pós cirurgia em relação ao 1 ano pós-operatório, enquanto que os pacientes submetidos a BGYR continuaram perdendo peso nesse intervalo (-2,9kg).

Os pacientes que tiveram preferência por alimentos doces ou salgados apresentaram um reganho de peso médio de 5,5kg e 6,1kg, respectivamente, em comparação aos indivíduos que não apresentaram preferência por sabores (p=0,038 e p=0,048). Após análise estatística de regressão multivariada, os pacientes com preferência por salgado apresentaram aumento de 6,8kg de reganho de peso comparado a pacientes sem preferências, ajustado pelas variáveis. Doce e condimentado não se associaram a reganho de peso, e caucasianos foram associados a menor reganho de 4,2 kg.

Com isso, os autores concluíram que a preferência por alimentos salgados no pré-operatório foi associado a maior reganho de peso nos pacientes com período de 2 anos de pós-operatório. Os autores sugeriram que pacientes com essa preferência alimentar possam necessitar de apoio psicossocial no pós-operatório para prevenir reganho de peso e assegurar uma perda de peso saudável e suficiente.

Referência: Zhang Y, Nagarajan N, Portwood C, et al. Does taste preference predict weight regain after bariatric surgery? Surg Endosc. 2019 Aug 2.

Por: Marcella Gava