Autor: Martketing Ganep

ESMO

Diretriz ESMO para Manejo da Caquexia no Câncer – 2021

A Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) publicou recentemente novas diretrizes. O documento fornece respostas baseadas em evidências para guiar o tratamento de pacientes com caquexia associada ao câncer.

A nutrição é reconhecida como um componente essencial dos cuidados paliativos, reabilitação e de suporte, e o atendimento às necessidades do paciente inclui o fornecimento de energia, substratos nutricionais e estímulos anabólicos, bem como apoio compassivo para lidar com disfunções associadas aos aspectos emocionais e sociais da alimentação.

Todos os pacientes em tratamento anticâncer e naqueles com sobrevida esperada por alguns meses devem realizar triagem nutricional e receber terapia nutricional mensal (incluindo nutrição oral, enteral ou parenteral). Em pacientes com sobrevida estimada em poucos meses, recomenda-se intervenções nutricionais menos invasivas, priorizando o aconselhamento dietético e uso de suplementos orais. Já em pacientes com sobrevida esperada de algumas semanas, o cuidado deve ser direcionado ao conforto, alívio da sede e sofrimento relacionado à alimentação e outros sintomas debilitantes.

O aconselhamento nutricional de suporte e educação sobre caquexia, bem como o suporte psicológico e paliativo, é recomendado para todos os pacientes que experimentam sofrimento relacionado à alimentação.

A manutenção do estado nutricional deve incluir aporte de pelo menos 25-30 kcal/kg de peso corporal/dia e 1,2g de proteína/kg de peso corporal/dia. Em pacientes com caquexia, metades das calorias não proteicas podem ser oferecidas na forma de lipídios. Quando houver alto risco para desnutrição (tratamentos de modalidade combinada, quimioterapia de alta dose, agentes altamente emetogênicos), a terapia nutricional profilática deve ser considerada.

Pacientes com risco nutricional devem ser avaliados através da avaliação objetiva do estado nutricional e metabólica (incluindo peso, perda de peso, composição corporal, estado inflamatório, ingestão nutricional e atividade física) e exames para avaliar a presença de fatores que interferem na manutenção ou melhora deste estado (sintomas de impacto nutricional, disfunção gastrintestinal, dor crônica e sofrimento psicossocial).

O uso de terapia nutricional enteral e parenteral deve obedecer a indicações clássicas, que consideram a funcionalidade do trato digestivo. Na caquexia, sintomas gastrintestinais mais comuns são anorexia e saciedade precoce, náuseas, distensão abdominal, alterações do paladar, xerostomia, disfagia e constipação. Além disso, falta de ar e fadiga severa podem ser sintomas secundários que causam impacto no estado nutricional.

A nutrição parenteral domiciliar deve ser oferecida se a qualidade de vida ou tempo de sobrevivência forem seriamente comprometidos pela desnutrição progressiva. Os indicadores de um benefício potencial incluem baixo nível de inflamação sistêmica (níveis normais de albumina sérica, pontuação prognóstica de Glasgow modificada <2), ausência de doença metastática e status de performance (ECOG/WHO PS) de 0-2. Não há evidências suficientes para recomendar rotineiramente nutrição parenteral suplementar em pacientes hipofágicos e desnutridos recebendo quimioterapia para melhorar a qualidade de vida e parâmetros nutricionais.

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Gnews

Influência do ângulo de fase nos desfechos clínicos de pacientes hospitalizados

A desnutrição é um grande desafio para profissionais e para o sistema de saúde. Além de sua alta prevalência no ambiente hospitalar, está relacionada a maiores complicações, tempo de internação, custos hospitalares e mortalidade.

A impedância bioelétrica (BIA) é um método não invasivo e de baixo custo que, por meio da passagem de correntes elétricas de baixa frequência, é capaz de estimar a composição corporal. Medidas de impedância, resistência, reactância e ângulo de fase (AF) oferecem os dados utilizados para determinação de gordura corporal, massa livre de gordura, água intra e extracelular que são parâmetros muito úteis para o acompanhamento nutricional. Além disso, ao derivar de parâmetros medidos diretamente (razão da reactância para a resistência), o AF não depende de dados de peso e da altura e é considerado índice da integridade de membranas celulares e medida da saúde celular.

Com o objetivo de investigar o valor preditivo do AF da bioimpedância e sua relação com desfechos clínicos, Giorno e colaboradores realizaram um estudo observacional retrospectivo em 168 pacientes adultos (52,9% mulheres, 47,1% homens), com idade média (± DP) de 73,9 ± 15,9 anos, admitidos em um hospital da Suíça durante o ano de 2019. 

Os pacientes foram analisados na admissão pela triagem nutricional Nutritional Risk Screening 2002 (NRS 2002), dados antropométricos, exames laboratoriais, doenças crônicas e BIA foram registrados. Pacientes com menor AF apresentaram menor massa livre de gordura e maior proporção de água extracelular para água corporal total (P <0,001). Os quartis de AF foram associados ao estado nutricional, conforme avaliado pelo NRS-2002: NRS ≥3 (P ≤ 0,001). O AF foi menor nos pacientes com hipertensão (P ≤ 0,001), e as taxas de diabetes mellitus, doença cardiovascular, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica e câncer não diferiram em relação ao AF.

O tempo médio de permanência hospitalar foi de 11,0 ± 7,8 dias. Modelos de regressão linear multivariada mostraram que o tempo de internação foi inversamente proporcional ao AF (P ≤ 0,001). Ao longo de um período de 9 meses, as razões de risco para readmissão, quedas no hospital e mortalidade foram associadas com o ângulo de fase mais baixo (AF quartil 1 versus quartis 2-4) – respectivamente, 2,07 (intervalo de confiança de 95% [CI], 1,28–3,35), 2,36 (95% CI, 1,05–5,33) e 2,85 (95% CI, 1,01–7,39).

Os autores concluíram que o AF foi preditor de tempo de internação hospitalar, readmissão hospitalar, quedas e mortalidade. Deste modo, é sugerido que a avaliação de AF pode ser útil na identificação de pacientes com maior risco e que precisam de terapia nutricional específica no ambiente hospitalar.

Por Ana Carolina Costa Vicedomini

Referência:Giorno R., et. al. Phase angle is associated with length of hospital stay, readmissions, mortality, and falls in patients hospitalized in internal-medicine wards: a retrospective cohort study. Nutrition, 2021. v. 85, p.111068.

Diretriz AHA/ASA para prevenção de AVC

A American Heart Association e American Stroke Association (AHA/ASA) apresentaram o novo guia de prevenção para pacientes com histórico de doenças cerebrovasculares. O guia traduz evidências científicas em diretrizes para a prática clínica e oferece orientações direcionadas para pacientes com acidente isquêmico transitório e acidente vascular cerebral.

Para reduzir o risco de recorrência, dietas com padrão mediterrâneo, que incluem vegetais, peixes, azeite extra virgem e oleaginosas são recomendadas, especialmente dentro de um contexto alimentar hipolipídico.

Em caso de hipertensão, orienta-se a restrição de sódio dietético para 2,5g ao dia, a fim de reduzir o risco de eventos relacionados a doenças cardiovasculares, incluindo acidente vascular cerebral. Diferente de diversas vitaminas e minerais, o consumo de sódio e potássio pode ser ajustado sem prejuízo aos padrões alimentares gerais. De tal modo, tanto o aumento no consumo de potássio quanto a redução do consumo de sal se associam a menores taxas de acidente vascular cerebral.

Dietas pobres em gorduras, carboidratos refinados e álcool são indicadas em caso de hipertrigliceridemia (≥500 mg/dL). Nestes casos, também se orienta a identificação e tratamento das causas envolvidas, e o uso de ômega 3 e fibratos pode ser indicado.

Em casos de diabetes associado a acidente vascular isquêmico ou isquêmico transitório, o tratamento multiprofissional deve incluir mudanças de estilo de vida, terapia nutricional e educação para manejo do diabetes. Tomadas em conjunto, estas medidas podem auxiliar o alcance de metas glicêmicas e melhora de fatores de risco relacionados a acidente vascular cerebral.

O cálculo do IMC deve ser feito anualmente e na vigência de alterações cerebrovasculares. A perda de peso é recomendada em casos de sobrepeso e obesidade, e programas para mudanças no estilo de vida devem ser intensivos e incluir intervenções comportamentais para melhores desfechos clínicos.

O guia também oferece recomendações direcionadas para aterosclerose, apneia obstrutiva do sono e diversas outras condições.

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Qualidade de vida de pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 durante a pandemia do coronavírus

A pandemia do coronavírus 2019 (COVID-19) se tornou um sério problema de saúde pública e, ao considerar o impacto negativo em pessoas com doenças crônicas, torna-se importante promover ações educativas para garantir a saúde e a qualidade de vida. O diabetes mellitus (DM2) é um importante fator de risco para manifestação da doença em sua forma grave e isso implica em maiores taxas de mortalidade.

Compreender esses riscos torna-se a melhor forma de mitigá-los a curto e longo prazo, além de facilitar a tomada de decisão informada durante e após a pandemia. O COVID-19 produziu mudanças comportamentais, psicossociais e ambientais que, por meio de uma variedade de mecanismos, levaram a um rápido ganho de peso entre certas populações no mundo. Houve aumento nas compras de alimentos e no consumo de álcool, além de outras mudanças que contribuem para alterações de parâmetros metabólicos e do hábito alimentar.

Um estudo recente examinou o impacto de um modelo de educação de saúde na qualidade de vida de pacientes com diabetes tipo 2 no contexto de COVID-19. O índice de qualidade de vida foi avaliado por um questionário padronizado de Ferrans e Powers, aplicado em três fases. O estudo durou 10 meses e incluiu um programa educativo de 4 meses, no qual também foram quantificados diversos parâmetros de saúde, que incluíram glicose, hemoglobina glicada, índice de massa corporal (IMC) e pressão arterial.

Pacientes menores de 18 anos e/ou maiores de 75 anos, que apresentavam doenças cognitivas e/ou mentais, analfabetismo e expectativa de vida inferior a 2 anos foram excluídos. Um total de 205 pacientes participaram das duas primeiras fases e na terceira fase participaram dois terços dos pacientes (n=136, 66%).

Os valores de hemoglobina glicada foram significativamente maiores antes do acompanhamento educacional em comparação com o pós e na época da COVID-19 (teste de Friedman, p = 0,002). O IMC foi significativamente menor após a educação, em relação aos valores anteriores ao programa (teste de Friedman, p = 0,008). A qualidade de vida foi significativamente inferior em todos os domínios no período da COVID-19 (teste de Friedman, p <0,001).

Os autores concluíram que a residência rural e pacientes do sexo masculino podem ser considerados possíveis preditores significativos de pior qualidade de vida. A presença de DM2 com diagnóstico de até 5 anos foi dado como preditor significativo de pior avaliação no domínio psicológico/espiritual, e a união por casamento foi preditor de melhor avaliação da qualidade de vida no domínio familiar. Os acompanhamentos educacionais melhoraram a saúde e a qualidade de vida, e a pandemia do coronavírus impactou negativamente os mesmos parâmetros. Nesse sentido, consideramos necessário educar sistematicamente os diabéticos sobre a comorbidade da COVID-19.

Por Mariane Marques

Referência

Zvjezdana Gvozdanović,Nikolina Farčić,Hrvoje Šimić,Vikica Buljanović, Lea Gvozdanović, Sven Katalinić, Stana Pačarić,Domagoj Gvozdanović, Željka Dujmić,Blaženka Miškć,Ivana Barać,Nada Prlić. The Impact of Education, COVID-19 and Risk Factors on the Quality of Life in Patients with Type 2 Diabetes.Int J Environ Res Public Health. 2021 Mar; 18(5): 2332.

Guideline Britânico para síndrome do intestino irritável – 2021

A Sociedade Britânica de Gastroenterologia publicou recentemente novas diretrizes sobre o manejo da síndrome do intestino irritável (SII), que considera o aconselhamento dietético como componente importante da primeira linha tratamento.

Mais de 80% dos indivíduos com SII relatam sintomas relacionados à comida, especialmente carboidratos fermentáveis ​​e gorduras. Consequentemente, a maioria dos pacientes com SII deseja explorar as opções dietéticas e até 70% geralmente modifica a dieta. Existem vários mecanismos pelos quais os alimentos podem desencadear sintomas na SII, incluindo efeitos primários (por exemplo, osmóticos, químicos, imunológicos, mecânicos ou neuroendócrinos) e efeitos secundários, como subprodutos da fermentação, alterações no pH intraluminal ou efeitos no microbioma intestinal.

Na prática clínica, as orientações produzidas pela British Dietetic Association (BDA) incluem a adoção de padrões alimentares saudáveis, como refeições regulares, manutenção de nutrição adequada, limitação da ingestão de álcool e cafeína, ajuste da ingestão de fibras e redução do consumo de alimentos gordurosos e condimentados.

A dieta com baixo FODMAP também surge como alternativa e é recomendada para tratamento de SII. FODMAPS são carboidratos fermentáveis ​​de cadeia curta que são encontrados em uma variedade de frutas, vegetais, laticínios, adoçantes artificiais e trigo. Eles aumentam o volume de água do intestino delgado e a produção de gases do cólon e, naqueles com hipersensibilidade visceral, induzem sintomas gastrintestinais. Nesse sentido, uma dieta pobre em FODMAPS é obrigatoriamente pobre em oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos e monossacarídeos e polióis. Contudo, esta intervenção deve ser temporária, sua implementação deve ser supervisionada por um nutricionista treinado e deve haver um plano de reintrodução de alimentos de acordo com a tolerância do paciente.

A fibra solúvel pode ser eficaz para sintomas globais e dores abdominais na SII, mas fibras insolúveis como a do farelo de trigo devem ser evitadas, pois podem exacerbar os sintomas.

A diretriz pontua que dietas de eliminação de alimentos baseadas em anticorpos IgG não são recomendadas em pacientes com SII.

Probióticos, como um grupo, podem ser um tratamento eficaz para sintomas globais e dor abdominal na SII, mas não é possível recomendar uma espécie ou cepa específica. É aconselhável que pacientes que desejam experimentar os probióticos, façam sob supervisão profissional e com tempo de uso de até 12 semanas.

A diretriz completa pode ser acessada, clicando aqui

Efeito metabólico das dietas mediterrânea e low carb para perda de peso

A obesidade e as doenças metabólicas associadas a ela evidenciam a necessidade de comparar estratégias nutricionais para perda de peso e metabolismo da glicose. Dietas de estilo mediterrâneo (DME) de baixa caloria, com composição balanceada de macronutrientes são recomendadas pelas diretrizes atuais para perda de peso e por seus benefícios cardiometabólicos. Por outro lado, dietas pobres em carboidratos – low carb (LC) e ricas em proteínas são propostas como alternativa viável às dietas mediterrâneas, principalmente em curto prazo, para reduzir o ganho de peso e aumentar a saciedade, entre outros benefícios.

Tendo em vista que muitos resultados de dietas ainda são controversos, um estudo comparou a eficácia de uma dieta pobre em carboidratos com restrição calórica com a DME na perda de peso e na homeostase da glicose em pessoas com obesidade, já que esse público apresenta resistência à insulina e possui alto risco de desenvolver diabetes.

Foram selecionados 36 pacientes com IMC igual ou superior a 40kg/m2, com peso estável por pelo menos 6 meses, idade entre 25 e 60 anos, que aguardavam pela cirurgia bariátrica e não possuíam comorbidades como Diabetes Mellitus. O ensaio clínico aberto, randomizado, dividiu os participantes para receber dois tipos de dietas de baixa caloria por 4 semanas: LC e DME.

A dieta LC consistia principalmente de carne bovina, vitela, frios, ovos, queijo, vegetais e frutas. A distribuição energética dos macronutrientes foi 30% carboidrato, 30% proteína e 40% gordura. A dieta mediterrânea era rica em grãos inteiros (macarrão, pão, trigo integral), ovos, aves, peixes, vegetais, legumes, frutas e azeite de oliva como condimento principal, e pobre em carnes vermelhas e processadas. A distribuição energética dos macronutrientes foi 55% carboidratos, 15% proteínas e 30% gordura.

A ingestão calórica diária foi adaptada a cada paciente calculando um déficit de energia de 50% do Gasto de Energia em Repouso (GER) avaliado por calorimetria indireta. Todos os participantes foram submetidos a duas sessões de aconselhamento dietético comportamental. Trinta e dois (88,9%) participantes completaram o estudo e foram incluídos na análise: 17 (53,1%) no grupo LC e 15 (46,9%) no grupo DME. As características clínicas e metabólicas basais foram semelhantes entre os dois grupos.

A perda de peso média foi 58% maior no grupo LC em comparação com o grupo DME (5,7 ± 1,8% e 3,6 ± 1,6%, respectivamente; p = 0,001), com alterações semelhantes na circunferência da cintura e massa gorda. A glicose plasmática de jejum e a tolerância à glicose não foram afetadas pelas dietas. Os dois regimes dietéticos mostraram-se igualmente eficazes em melhorar a resistência à insulina e hiperinsulinemia de jejum, enquanto aumentam a depuração de insulina endógena e a sensibilidade das células β à glicose. 

Os autores concluem que uma dieta pobre em carboidratos pode ser uma abordagem de curto prazo bem sucedida para perda de peso em pacientes com obesidade mórbida e uma alternativa viável à dieta mediterrânea por seus benefícios glicometabólicos, incluindo melhorias na resistência à insulina, depuração da insulina e função das células β, e que mais estudos são necessários para comparar a eficácia e segurança em longo prazo das duas dietas.

Por Patrícia Moraes

Referência:

Tricò D, et al. Effects of Low-Carbohydrate versus Mediterranean Diets on Weight Loss, Glucose Metabolism, Insulin Kinetics and β-Cell Function in Morbidly Obese Individuals. Nutrients. 2021 Apr 18;13(4):1345. 

Diretriz AGA: Balão intra-gástrico no manejo da obesidade – 2021

A American Gastroenterological Association (AGA) publicou recentemente uma diretriz sobre a utilização de balão intra-gástrico (BIG) no manejo da obesidade. O intuito do documento é guiar as equipes de saúde a compreender como a utilização do BIG pode contribuir em importantes desfechos associados à perda de peso, bem como advertir sobre seus possíveis eventos adversos. Dessa forma, tanto os profissionais como os pacientes poderão optar com segurança pelo uso ou não uso deste recurso no tratamento da obesidade.

A diretriz está organizada em sete diferentes recomendações, apontando a qualidade da evidência e o grau de recomendação. Assim, o uso do BIG é recomendado para indivíduos com obesidade (IMC ³ 30 kg/m2 e £ 40 kg/m2) que buscam por intervenção para perda de peso e não obtiveram resultados com o tratamento convencional, devendo ser associado a intervenções para promoção de mudanças de estilo de vida. Após a colocação do BIG, o tempo para remoção do mesmo varia de 6 a 12 meses, dependendo do dispositivo escolhido. É recomendado que os indivíduos submetidos ao tratamento com balão intra-gástrico recebam inibidores de bomba de prótons de forma profilática, além de antieméticos por duas semanas após o procedimento de colocação do BIG.

A AGA não recomenda a triagem laboratorial perioperatória para possíveis deficiências nutricionais de forma rotineira. No entanto, indica que o julgamento clínico deve ser utilizado para definir a necessidade da avaliação de possíveis deficiências nutricionais para cada paciente. Ademais, é recomendada a suplementação de 1 a 2 doses diárias de polivitamínicos após a implantação do balão intra-gástrico.

Por fim, a última recomendação da diretriz sugere que após a remoção do BIG devem ser mantidas as intervenções para perda ou manutenção de peso, como dietoterapia, farmacoterapia, nova colocação de BIG ou cirurgia bariátrica. A escolha do tipo de intervenção adotada deve ser determinada de acordo com o contexto do paciente, comorbidades, bem como da decisão conjunta da equipe e do paciente.

A diretriz completa pode ser acessada, clicando aqui.

Micronutrientes e alterações hidroeletrolíticas em pacientes com doenças renais

Portadores de Doença Renal Crônica (DRC) submetidos à hemodiálise estão propensos a apresentar distúrbios hidroeletrolíticos. A perda da função renal pode resultar em alteração no metabolismo de micronutrientes, sobretudo os minerais. Essas alterações podem ser fatais e, por isso, pacientes com DRC precisam de acompanhamento nutricional individualizado.

Um estudo quantitativo, observacional e de corte transversal avaliou indicadores de consumo de micronutrientes da dieta e alterações eletrolíticas. A pesquisa incluiu 33 pacientes adultos com indicação de hemodiálise e teve como foco a relação entre o consumo de cálcio, potássio, fósforo e os distúrbios hidroeletrolíticos. A ferramenta de pesquisa de padrão alimentar foi o questionário de frequência alimentar, aplicado em conjunto com um questionário socioeconômico, no momento que os pacientes estavam na sessão de hemodiálise. Valores de eletrólitos foram obtidos mensalmente a partir de registros de prontuário.

Os achados para o consumo dos micronutrientes indicaram que houve consumo elevado de cálcio, potássio e fósforo em 24,8%, 30,3% e 66,7% dos entrevistados, respectivamente. Quanto a prevalência de distúrbios hidroeletrolíticos, foi identificado que houve 27,3% de hipocalcemia; 36,4% de hipercalemia e 39,4% de hiperfosfatemia.

Ao considerar que alterações nas concentrações dos três minerais avaliados podem aumentar as chances de óbito por mudanças na polarização de células do miocárdio, a importância da educação nutricional e alimentar no contexto da DRC torna-se indiscutível.

Nesse sentido, o controle da ingestão dos micronutrientes estudados assume papel central para promoção de desfechos clínicos positivos, pois a excreção destes micronutrientes pode ser ineficiente no dialisador.

Por Magda Medeiros

Referência: PINHEIRO, A. D. V.; CORTEZ, L. U. A. de S.; CARIOCA, A. A. F.; BRAGA, R. A. M.; NOGUEIRA, M. D. de A.; SOUSA, F. I. da S. e; MEDEIROS, L. T. Relationship between micronutriente consumption and hydroelectrolytic disorders in renal patients undergoing hemodialysis. Research, Society and Development, [S. l.], v. 10, n. 4, p. e54710414545, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i4.14545.

Triagem para deficiência de vitamina D em adultos – Força-Tarefa – EUA 2021

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA promoveu um levantamento sistêmico para atualizar as recomendações para investigação de deficiência de vitamina D em adultos. O estudo realizou considerações sobre os benefícios e malefícios do rastreamento e do tratamento precoce.

Ao analisar que as necessidades de vitamina D podem variar de indivíduo para indivíduo, foi definido que nenhum ponto de corte do nível sérico de vitamina D pode definir deficiência e que não há consenso sobre os níveis séricos precisos que representem saúde ou suficiência ideal.

O documento apresenta considerações importantes sobre diversos aspectos de investigação e monitoramento da vitamina D, e indica algumas limitações de investigação:

1 – Não existe um nível de vitamina D na forma de 25 (OH) D que defina a deficiência para todos os indivíduos;

2 – Apesar de ser considerado o melhor marcador do status da vitamina D, a mensuração precisa de 25 (OH) D é difícil e há ampla variação de resultados de acordo com o método de teste;

3 – O limite sérico usado para definir a deficiência é amplamente variado e, dependendo do limite usado, a prevalência da deficiência de vitamina D é de 2 a 10 vezes mais alto em negros não hispânicos do que em brancos não hispânicos, por conta de diferenças metabólicas impostas pela pigmentação da pele.

Apesar disso, dados da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (Americana), consideram níveis muito baixos de 25 (OH) D <12 ng / mL.

Até o quanto se pode investigar, não parece haver nenhuma evidência direta sobre os benefícios do rastreamento da deficiência de vitamina D em adultos assintomáticos. O tratamento da deficiência de vitamina D assintomática não tem benefício na mortalidade, risco de fraturas em pessoas selecionadas apenas com base em baixos níveis de vitamina D ou incidência de diabetes mellitus tipo 2.

Isso se aplica a mulheres (não grávidas) e adultos que não apresentam sinais ou sintomas de deficiência de vitamina D ou condições para as quais o tratamento com vitamina D é recomendado.

Apesar dos pontos levantados, o documento reconhece que diversos fatores e condições se associam a deficiência de vitamina D. Nesse sentido, as constatações apresentadas não se aplicam ao público de risco de deficiência, que inclui pessoas hospitalizadas ou que vivam em lares de idosos.

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Qualidade de vida de pacientes em nutrição enteral domiciliar

Recentemente, um questionário denominado NutriQoL® foi desenvolvido para avaliar a nutrição enteral domiciliar (NED) via oral ou sonda. A ferramenta avalia a administração e/ou ingestão de fórmulas enterais, e considera aspectos psicológicos, atividades diárias, vida social, família, emprego e vida profissional. Este questionário é hoje recomendado pela ESPEN e traz informações que auxiliam na tomada de decisões mais precisas e focadas, para melhoria da NED, adesão ao tratamento e qualidade de vida (QV).

Ao considerar que a NED pode cursar com intercorrências que influenciam a QV dos pacientes, um estudo prospectivo recente avaliou 78 pacientes a partir do questionário NutriQoL®, independente da doença de base. O objetivo principal foi avaliar se o referido questionário apresenta utilidade para avaliar a QV e os fatores que a influenciam em pacientes em NED. A QV também foi verificada por meio do questionário de saúde SF‐12 (versão 2), um instrumento validado para pesquisas sobre desfechos e serviços de saúde.

O questionário NutriQoL é composto por 17 itens relacionados a NED, agrupados em duas dimensões: capacidade funcional, atividades de vida diária e aspectos da vida social. Cada item considera a frequência com que os pacientes percebem certas situações relacionadas à NED e a importância dada para as situações mencionadas. A pontuação total do item é obtida multiplicando-se as pontuações das questões e o escore global é dado pela soma dos 17 itens.

Os autores observaram que os indicadores avaliados pelo questionário NutriQoL foram mais sensíveis que o SF‐12 para identificar problemas que afetam a QV dos pacientes que recebem NED. Além disso, identificou-se que a ferramenta reflete as diferenças das dificuldades de alimentação oral e por sonda e que estas estão associadas a complicações com a NED, o que não pode ser avaliado com o questionário geral. Conclui-se que, ao avaliar a QV destes pacientes com um instrumento específico é possível dar mais assistência aqueles que tem maiores dificuldades em relação a NED.

Por Natália Magalhães

Referência: Zamanillo Campos, Rocío et al. “Specific Quality of Life Assessment by the NutriQoL® Questionnaire Among Patients Receiving Home Enteral Nutrition.JPEN. Journal Parenter Enteral Nutr. 2021;45(3):490-498. doi:10.1002/jpen.1852