Autor: Martketing Ganep

Substituição do refrigerante por leite na Saúde Cardiometabólica de adolescentes

O consumo de refrigerantes é um hábito comum entre adolescentes e está frequentemente associado a desfechos desfavoráveis a saúde, incluindo obesidade. Um recente estudo realizado nos Estados Unidos verificou se a substituição de refrigerante por leite semi-desnatado melhoraria fatores de risco cardiometabólicos em adolescentes do sexo masculino consumidores habituais de bebidas açucaradas.

Para isso, pesquisadores realizaram um ensaio clínico randomizado onde 30 adolescentes com sobrepeso ou obesidade (porém não dislipidêmicos), deveriam consumir 720ml de refrigerante adoçado com açúcar (equivalente a ±80 gramas de açúcar ao dia) ou o equivalente energético de leite com 2% de gordura. Após 3 semanas com esta bebida, os adolescentes ficaram 2 semanas sem intervenção (washout) e depois trocaram de grupo. Marcadores bioquímicos, lipoproteínas plasmáticas e outras medidas foram avaliadas após cada período.  Os pacientes foram orientados a manter seu padrão alimentar habitual e peso corpóreo durante todo o período de estudo.

Como resultados, observou-se que o escore z da pressão arterial sistólica e a concentração de ácido úrico foram significativamente menores depois de consumir leite comparado ao refrigerante, mas não observou mudanças nos parâmetros bioquímicos de lipoproteínas. Houve redução significativa de glicoesfingolipídios (que são relacionados a problemas metabólicos e condições inflamatórias) e são naturalmente presentes nas partículas de colesterol LDL.

Os pesquisadores concluíram que embora os adolescentes estudados não obtiveram melhora nos níveis de lipídios e lipoproteínas sanguíneos em resposta a substituição de refrigerante por leite com baixo teor de gordura, as reduções de pressão arterial sistólica e concentrações séricas de ácido úrico, bem como alterações nos glicoesfingolipídios, sugerem potenciais benefícios cardiometabólicos dessa intervenção.

Referência: Chiu S, Siri-Tarino P, Bergeron N, Suh JH and Krauss RM. A Randomized Study of the Effect of Replacing Sugar-Sweetened Soda by Reduced Fat Milk on Cardiometabolic Health in Male Adolescent Soda Drinkers.  Nutrients 2020, 12, 405.

Por: Lenycia Neri

Efetividade de duas abordagens alimentares na Síndrome do Intestino Irritável

Recentemente foi realizado um ensaio clínico não randomizado de pacientes adultos com Síndrome do Intestino Irritável (SII), comparando duas intervenções dietéticas: Dieta baixo em FODMAP (oligossacarídeos fermentáveis, monossacarídeos, dissacarídeos e polióis) ou dieta padrão de acordo com a diretriz da British Dietetic Association. Foram realizadas avaliação dos sintomas, qualidade de vida e estado nutricional antes e após as quatro semanas de intervenção.

Os indivíduos do grupo com dieta baixa em FODMAP (DBF) foram avaliados no terceiro momento, após a reintrodução controlada dos FODMAPs. Um total de 70 indivíduos foram divididos em dois grupos: Dieta baixa em FODMAP (DBF; n = 47) e Dieta Padrão (DP; n = 23). Cinquenta e sete indivíduos completaram a intervenção de quatro semanas (DBF; n = 39; DP; n = 18).

Ao final das quatro semanas, os sintomas melhoraram em ambos os grupos (DL: p <0,01; CD: p <0,05), mas a DBF levou a um alívio maior dos sintomas (p <0,05), principalmente em relação a dor abdominal e diarreia. A qualidade de vida melhorou significativamente em ambos grupos, sem diferenças significativas entre DP versus DBF (p> 0,05). No grupo DBF, o alívio dos sintomas observados após quatro semanas permaneceu constante depois da reintrodução dos FODMAPs.

Os autores concluíram que ambas intervenções parecem ser eficazes para o alívio dos sintomas e da qualidade de vida, no entanto, a DBF teve maior efetividade. Esses resultados sugerem que a dieta baixa em FODMAP deve ser uma abordagem preferencial em indivíduos com perfil diarreico.

Fonte: Guerreiro MM et al. Effectiveness of Two Dietary Approaches on the Quality of Life and Gastrointestinal Symptoms of Individuals with Irritable Bowel Syndrome. J Clin Med. 2020 Jan 2;9(1)

Por: Renata Gonçalves

O papel da microbiota no controle do colesterol

Apesar de essencial, o colesterol pode estar envolvido em diversas doenças quando em níveis não adequados. Doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, hepatite não alcoólica e cânceres estão relacionadas à desregulação do metabolismo do colesterol. Fatores genéticos e dieta impactam nos níveis de colesterol circulante, contudo, os estudos epidemiológicos mais recentes correlacionam colesterol plasmático com a composição da microbiota intestinal.

Alguns estudos demonstraram a correlação positiva entre alguns gêneros de bactérias e a lipoproteína de baixa densidade (LDL), considerado um tipo ruim de colesterol que se associa com doenças cardiovasculares. O mecanismo de ação não está completamente esclarecido, por essa razão, pesquisadores da Universidade de Sorbonne desenharam um experimento científico, dividido em duas partes.

Na primeira fase, eliminaram os micro-organismos do intestino de camundongos, usando antibióticos para verificar como isso afetaria o metabolismo do colesterol. Nessa etapa eles observaram que houve uma amplificação do metabolismo do colesterol e de sais biliares através do aumento da absorção intestinal de colesterol e de sais biliares, da síntese de quilomícrons, aumento da recaptação hepática de LDL colesterol, da síntese tanto de colesterol como de sais biliares e da secreção de sais biliares no lúmen intestinal. Na segunda etapa, o intestino de camundongos foi recolonizado com amostras de microbiota de indivíduos que apresentavam perfil lipídico normal ou que apresentavam perfil lipídico compatível com risco cardiovascular, assim cada grupo de camundongos recebeu uma microbiota específica.

Os pesquisadores observaram que os animais que receberam as amostras dos doadores dislipidêmicos apresentaram aumento da absorção de colesterol da dieta e diminuição da síntese de colesterol endógena. O contrário foi observado nos animais que receberam as amostras dos indivíduos normocolesterolêmicos. Esse resultado implica que a microbiota intestinal seja capaz de alterar o equilíbrio de absorção e síntese de colesterol.

Os autores afirmam que seus achados ajudam a pensar em novas estratégias para prevenir e tratar dislipidemias e doenças cardiovasculares, incluindo diversificar a microbiota intestinal através do uso de moduladores (pré e probióticos) ou transplante de fezes.

Referência: Le Roy et al. The intestinal microbiota regulates host cholesterol homeostasis. BMC Biology (2019) 17:94.

Por: Magda Medeiros

Pressão intra-abdominal é marcador de intolerância à nutrição enteral em pacientes críticos?

Nutrição enteral (NE) é a via de acesso preferencial para nutrir pacientes críticos que não conseguem se alimentar por via oral. Apesar de estar associada a inúmeros benefícios clínicos, a NE não é totalmente isenta de complicações gastrointestinais (CGI). Dessa forma, um estudo recente conduzido por Bordejé objetivou determinar se a elevada pressão intra-abdominal (PIA) poderia ser um marcador de intolerância a dieta e estaria associado com uma maior taxa de complicações gastrointestinais relacionadas a NE.

O estudo observacional prospectivo foi realizado em 28 Unidades de Terapia Intensiva durante o período de quatro meses. Os pacientes foram examinados diariamente para detectar a presença de CGI, e caso apresentasse, o paciente era considerado como apresentando intolerância a NE. A pressão intra-abdominal foi mensurada através da anexação do Sistema de pressão abdominal® (CONVATEC®) ao cateter vesical. As medidas eram realizadas a cada 6 horas com o paciente em decúbito dorsal sem contração abdominal. A PIA da pré CGI foi definida como o valor de PIA mais próximo possível a uma complicação subsequente. As variáveis de desfecho investigadas foram dias em ventilação mecânica, tempo de permanência na UTI, pontuação do escore de gravidade SOFA nas primeiras 24 horas, pontuação no SOFA no dia 5, pontuação final no SOFA (SOFA no final de NE) e resultado final do paciente.

Fizeram parte do estudo 247 pacientes, os quais foram divididos em Grupo A (pacientes sem complicação GI – 119) e Grupo B (pacientes com complicação GI – 128). Foram monitorados um total de 2.494 dias de dieta enteral. O tipo de dieta utilizada não determinou a ocorrência de complicações. O volume diário médio de dieta enteral infundida foi semelhante entre os dois grupos. A proporção de volume foi maior em pacientes sem CGI.

Mais pacientes do grupo A foram retirados da NE e mudados para uma dieta oral. Diarreia foi a principal complicação gastrintestinal do Grupo B (19%), seguido por constipação. Pacientes com CGI (grupo B) tiveram mais dias de NE, de ventilação mecânica e tempo de permanência na UTI do que pacientes sem complicações gastrointestinais (grupo A).

A mortalidade na UTI foi semelhante nos dois grupos. A PIA média diária foi semelhante entre os grupos, mas a PIA máxima diária foi maior nos pacientes do grupo B. Para pacientes do grupo B, o valor médio da PIA antes das complicações gastrointestinais foi maior: 15,8 ± 4,8 mmHg. A curva ROC indicou baixo poder diagnóstico da PIA para predizer a ocorrência de complicações gastrointestinais. Um valor de PIA de 14 mmHg foi identificado nas curvas de sensibilidade versus especificidade como o melhor corte para predizem complicações gastrointestinais, mas apresentam baixa sensibilidade (58,6%) e baixa especificidade (48,7%).

Assim, os autores concluiram que os valores de PIA estão aumentados em pacientes críticos com intolerância a NE. No entanto, não foi encontrado um ponto de corte para a PIA que pudesse predizer intolerância a NE, não sendo esta um bom marcador de intolerância a dieta enteral.

Referência: Bordejé ML et al. Intra-Abdominal Pressure as a Marker of Enteral Nutrition Intolerance in Critically Ill Patients. The PIANE Study. Nutrients. 2019, 1;11(11).

Por: Marcella Gava

Efeito de Probióticos na Doença Hepática associada a Falência Intestinal em pacientes com Nutrição Parenteral Prolongada

A Nutrição parenteral (NP) é a provisão de nutrientes e eletrólitos para pacientes desnutridos ou em alto risco de desnutrir que apresentam uma insuficiência intestinal anatômica ou funcional. Contudo, o uso da NP a longo prazo pode acarretar risco progressivo para desenvolvimento de doenças hepáticas associadas à falência intestinal (do inglês, IFALD). Nesse cenário, pesquisas têm mostrado que o microbioma intestinal desempenha um papel crucial no desenvolvimento intestinal, função imunológica e absorção de nutrientes; e recentemente foi levantada a hipótese de que o desequilíbrio da microbiota (disbiose) poderia favorecer a patogênese da doença hepática associada à insuficiência intestinal.

Uma pesquisa americana recente estudou o efeito da suplementação de probióticos na prevalência da IFALD em pacientes adultos com insuficiência intestinal em uso de NP. Foram revisados retrospectivamente prontuários eletrônicos e gráficos de pacientes com insuficiência intestinal que apresentavam valores basais normais nos testes de função hepática e que receberam NP ou hidratação intravenosa (HIV) por > 2 semanas em um centro de atendimento terciário.

Inicialmente o total de 403 pacientes foram selecionados, destes, 282 pacientes foram incluídos, sendo 69% do sexo feminino, com idade média de 51 anos. Setenta e oito pacientes (28%) fizeram uso de probióticos com diferentes cepas de lactobacilos e bifidobactérias e 86% receberam NP, enquanto os demais receberam HIV. A Síndrome do Intestino Curto (SIC) foi responsável por 51% das indicações de NP, seguida por má absorção (24%) e dismotilidade intestinal (15%).

Quarenta e nove por cento dos pacientes desenvolveram IFALD, sendo que 25% destes tinham a doença de Crohn como diagnóstico associado, seguido de doença isquêmica intestinal (17%) e obesidade mórbida com história de bypass gástrico (12%). Pacientes com IFALD tiveram maior uso de NP (96% vs 76%, P <0,01), entre eles também era encontrada a maior prevalência de SIC (63% vs 40%, P <0,01), maior prevalência de dismotilidade intestinal (10% vs 5%, P = 0,01), menor uso de probióticos (20% vs 35%, P = 0,01) e menor ingestão calórica média diária (1058 kcal [IQR 433-1539] vs 1483 kcal [IQR 1087-1801], P <0,01) quando comparado com o grupo de pacientes não IFALD.

A prevalência de IFALD em pacientes que usaram probióticos foi de 35,9% vs 54,4% em pacientes que não usaram probióticos, P = 0,005. Na análise multivariável, apenas o comprimento do intestino delgado de 10-89 cm e o uso de NP mostraram um impacto significativo na IFALD, odds ratio (OR) = 4,394 (intervalo de confiança de 95% [IC], 1,635-11,814; P = 0,003) e OR = 4,502 (IC95% 1,412-14,351; P = 0,011), respectivamente.

Os autores concluíram que a prevalência de IFALD foi comparável entre os pacientes que utilizaram e não utilizaram probióticos; e que embora tenha sido observada uma melhora clínica entre os pacientes que utilizaram probióticos, apenas o comprimento do intestino delgado de 10-90 cm e o uso de NP mostraram um impacto significativo na IFALD.

Referência:Alomari M, Nusairat L, Al Momani L, et al. Effects of Probiotics on Intestinal Failure-Associated Liver Disease in Adult Patients Receiving Prolonged Parenteral Support: A Tertiary Care Center Experience. Nutr Clin Pract. 2019, 13.

Por: Patricia Morais

Suplementação de óleo de linhaça e óleo de peixe na Saúde Cardiovascular de Diabéticos tipo 2 com Doença Coronariana

Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é um dos principais fatores de risco para doença cardíaca coronária (DCC). O risco de DCC é de 2 a 4 vezes maior em pacientes com DM2 quando comparado com a população geral. Nos últimos anos, a doença cardíaca coronária foi introduzida como a principal causa de morte em pacientes diabéticos; sendo que a resistência à insulina não apenas contribui para o agravamento da hiperglicemia nesses pacientes, mas também ao aumento do risco de doença cardiovascular.

Um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo foi recentemente realizado para comparar os efeitos da suplementação de óleo de linhaça e óleo de peixe sobre parâmetros metabólicos de risco cardiovascular em pacientes diabéticos tipo 2 com doença coronariana. Noventa participantes foram divididos aleatoriamente em três grupos. Grupo placebo (sem suplementação); grupo suplementado com 1.000 mg de óleo de linhaça contendo 400 mg de ácidos graxos ômega-3 α‐linolênico (ALA); e grupo suplementado com 1.000 mg de óleo de peixe contendo 250 mg de ácido eicosapentaenoico (EPA) e 150 mg de docosahexaenoico (DHA). Os grupos receberam as suplementações duas vezes ao dia durante 12 semanas.

Após 12 semanas houve uma redução significativa nos níveis de insulina (p= 0,04) e aumento nos níveis de nitrito total (p= 0,001) e antioxidante total (p<0,001) em ambos os grupos suplementados com óleos ricos em ômega-3 em relação ao placebo. Os níveis do antioxidante glutationa aumentaram significantemente somente no grupo suplementado com óleo de peixe (p= 0,001). Já a redução significativa na alta sensibilidade à proteína reativa C (p= 0,02) foi observada no grupo suplementado com óleo de linhaça em comparação com o placebo.

Com isso, o estudo sugere que o efeito do óleo de linhaça e óleo de peixe foram semelhantes na redução da insulina, no aumento do nitrito total e na capacidade antioxidante em pacientes diabéticos com doença coronariana.

Referência: Raygan F, Taghizadeh M, Mirhosseini N, et al. A comparison between the effects of flaxseed oil and fish oil supplementation on cardiovascular health in type 2 diabetic patients with coronary heart disease: A randomized, double‐blinded, placebo-controlled trial. Phytotherapy Research. 2019; 33:1943–1951.

Por: Débora Becker

Efeito da dieta DASH em indivíduos pré-hipertensos com Diabetes tipo 2

Indivíduos pré-hipertensos com diabetes do tipo 2 (pressão arterial sistólica entre 120-130 mm/Hg ou pressão arterial diastólica de 80-89 mm/Hg) apresentam maior risco de desenvolver hipertensão arterial e doenças cardiovasculares quando comparado a pessoas com pressão sanguínea dentro dos parâmetros de normalidade.

A dieta DASH (Abordagens Dietéticas para Parar a Hipertensão) tornou-se reconhecida por ser rica em micronutrientes como cálcio, magnésio e potássio, ter baixo teor de sódio, priorizar consumo de grãos integrais, vegetais, frutas, legumes, carnes magras, oleaginosas e laticínios com pouca gordura e reduzir consumo de carne vermelha, embutidos, doces e açúcares.

Recentemente, um ensaio clínico randomizado analisou 80 pacientes pré-hipertensos com diabetes tipo 2, com idade entre 18 e 65 anos, que foram distribuídos aleatoriamente em grupo intervenção que recebeu a dieta DASH (n=40) e grupo controle que recebeu uma dieta com as recomendações da American Diabetes Association (ADA) (n=40), ambos por período de 12 semanas. Pressão sistólica e diastólica foram aferidas no início e final do estudo, dados dietéticos foram avaliados mensalmente por recordatório de 3 dias e os indivíduos foram aconselhados a seguirem a prática de atividade física da forma habitual.

Resultados mostraram que não houve diferença significativa no valor energético consumido em ambos grupos (p=0,9) e do nível de atividade física (p=0,45). O grupo que consumiu dieta DASH apresentou redução média da pressão arterial sistólica de -10,3 mm/Hg em homens e -6,4 mm/Hg em mulheres. Em participantes com IMC >30Kg/m², a redução média foi de -7,7 mm/Hg. No grupo controle, a redução da média da pressão sistólica em homens foi de -7,3 mm/Hg em homens; enquanto em mulheres houve um aumento de 0,6 mm/Hg. Nos indivíduos com IMC>30Kg/m² foi notada a redução média de -3,4 mm/Hg.

Dados da pressão arterial diastólica no grupo da dieta DASH apresentou queda de -10,3 mm/Hg em homens e -6,4 mm/Hg em mulheres. Na amostra com IMC>30Kg/m², a redução média foi de -7,7 mm/Hg. No grupo controle, homens apresentaram redução de -8,6 mm/Hg, já mulheres apresentaram aumento de 1,5 mm/Hg. Em obesos, a diferença média foi de -3,6 mm/Hg.

Os autores concluíram que, ao comparar resultados entre os dois grupos, não houve diferença significativa entre dieta DASH versus ADA em relação aos níveis de pressão sanguínea sistólica e diastólica (P> 0,05). No entanto, ao comparar os dados do início e fim de 12 semanas, participantes do grupo da dieta DASH apresentaram diminuição significativa nos níveis sistólicos (p= 0,003). Nesse estudo, a dieta da ADA não refletiu diferença significativa em ambos parâmetros de pressão sanguínea.

Referência: Hashemi, R., Rahimlou, M., Baghdadian, S., & Manafi, M.Investigating the Effect of DASH Diet on Blood Pressure of Patients with Type 2 Diabetes and Prehypertension: Randomized Clinical Trial.Diabetes Metab Syndr. 2019; 13(1):1-4.

Por: Nicole Perniciotti

Gestantes acima do peso e com Diabetes Gestacional podem se beneficiar da suplementação de Probióticos?

A incidência de diabetes mellitus gestacional (DMG) está crescendo paralelamente ao aumento do sobrepeso e obesidade populacional, estando associado à maior ocorrência de complicações como pré-eclâmpsia, parto por cesariana, aumento do crescimento fetal e hipoglicemia neonatal. A composição da microbiota intestinal também tem sido associada a alterações metabólicas, incluindo DMG e, visto que as gestantes passam por importante mudança do microbioma, Callaway e colaboradores investigaram se a suplementação de probióticos administrada a partir do segundo trimestre em gestantes com sobrepeso e obesidade impediria o desenvolvimento do DMG.

O estudo controlado randomizado, duplo-cego, selecionou 411 grávidas com sobrepeso e obesidade que foram divididas em grupo probiótico (n= 207) versus placebo (n=204), em Brisbane, na Austrália. A composição dos probióticos consistia em uma mistura de Lactobacillus rhamnosus (LGG) e subespécie lactiforme de Bifidobacterium animalis (BB-12, com uma dose >1 × 10 9 UFC por dia, ou placebo combinado (cápsulas de celulose microcristalina e anidrato de dextrose). As cápsulas deveriam ser tomadas uma vez ao dia, desde a inscrição no estudo até o nascimento do bebê. A taxa de adesão ao tratamento foi de 90%. O diagnóstico de DMG foi feito com 28 semanas de gestação, após teste de tolerância oral a glicose (75g de glicose), como recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O grupo de pesquisadores observou resultados contrários àqueles esperados. O grupo probiótico apresentou maior ocorrência de DMG (18,4%) e maior glicemia de jejum (79,3mg/dL) do que o grupo placebo (12,3% de DMG e 77,5mg/dL, respectivamente) (p=0,10). Com relação a outros desfechos, em comparação ao grupo placebo, o grupo probiótico também apresentou maior frequência de pré-eclâmpsia (p=0,09), já o ganho de peso em excesso ocorreu em 32,5% das mulheres do grupo probióticos e em 46% das mulheres do grupo placebo (p=0,01). Avaliando-se os neonatos, 6,5% das crianças do grupo placebo nasceram pequenas para a idade gestacional (PIG), enquanto que no grupo probiótico isso ocorrem em apenas 2,4% das crianças (p=0,042). Não houve resultados estatisticamente significativos para outras variáveis.

Com isso, os pesquisadores concluíram que a suplementação diária de probióticos contendo uma dose >1×10 9 UFC de LGG e BB-12 não reduziu a ocorrência de DMG, tão pouco a ocorrência de outros desfechos negativos como a ocorrência de pré-eclâmpsia e que, portanto, sua utilização não deve ser indicada com o objetivo de prevenir a DMG em mulheres adultas.

Referência: CALLAWAY, Leonie K. et al. Probiotics for the Prevention of Gestational Diabetes Mellitus in Overweight and Obese Women: Findings From the SPRING Double-blind Randomized Controlled Trial. Diabetes Care, 2019; 1-8. American Diabetes Association.

Por: Natalia Lopes

Efeito em longo prazo e adesão à dieta de baixo teor de FODMAPs em indivíduos com Síndrome do Intestino Irritável

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio funcional no qual dor e desconforto abdominais estão associados a hábitos intestinais irregulares sem evidência de processos inflamatório, anatômico, metabólico ou neoplásico. É caracterizada de acordo com o funcionamento intestinal levando em consideração a percepção do próprio paciente. Sua ocorrência afeta diretamente a qualidade de vida do portador, portanto o tratamento adequado é fundamental na melhora dos sintomas da SII. O tratamento não farmacológico inclui intervenções no estilo de vida, atividade física regular, terapia psicológica e medidas dietéticas. Recomenda-se a restrição de alimentos ricos em FODMAPs (oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos monossacarídeos e polióis) com objetivo de diminuir os sintomas gastrointestinais. Na fase de reintrodução alimentar, é preciso encontrar um equilíbrio entre alimentos com maior teor de FODMAPs e o controle dos sintomas da SII.

Recentemente, pesquisadores europeus investigaram os fatores que interferem na adesão em longo prazo da dieta baixa em FODMAPs, bem como o seu impacto na qualidade de vida, sintomas de SII e evolução da doença em longo prazo. Foi realizado um estudo transversal retrospectivo com 90 indivíduos com SII que responderam a um questionário cientificamente validado para obter as informações propostas pelo estudo. Todos participantes foram acompanhados pela nutricionista; o tempo médio entre a primeira consulta dietética e a conclusão dos questionários foi de aproximadamente 2 anos.

Na população do estudo, o curso da doença predominante foi SII de intensidade leve. Em torno de 80% dos participantes relataram aderir a dieta com baixo teor de FODMAPs.

Os resultados mostram que não houve diferença significativa no curso da doença entre os que seguiram ou não a dieta (p = 0,669). Porém, quanto mais vezes o paciente se distanciava da dieta, mais crônica a doença era classificada (caracterização pelos sintomas relatados). Pacientes que tiveram maior aderência a dieta baixa em FODMAPs apresentaram dor abdominal menos intensa do que os que pararam de seguir a dieta (p = 0,044).

Dentre as principais queixas para abandonar a dieta estavam não percepção de melhora dos sintomas, dificuldade de aplicabilidade na rotina, alimentação fora de casa e informação suficiente para saber o que poderia ou não ser ingerido. Também não teve diferença significativa quando se avaliou mudança na qualidade de vida. Os autores discutem que apesar de dois anos de acompanhamento feito neste estudo, os resultados obtidos com relação a qualidade de vida foram parecidos com estudos a curto a prazo. Outro dado interessante é que os pacientes que abandonavam a dieta, também abandonavam o acompanhamento com nutricionista.

Os pesquisadores concluíram que a dieta baixa em FODMAPs foi associada com menores queixas de dor abdominal. A menor adesão dietética foi associada com questões práticas, fatores sociais e ausência de sintomas. Portanto, é importante que nutricionista busque entender o (s) motivo (s) que levam o paciente a ter menor aderência dietética afim de buscar intervenções que contribuem para o tratamento nutricional e remissão dos sintomas da SII.

Referência: Weynants A, Goossens L, Genetello M, De Looze D, Van Winckel M. The long-term effect and adherence of a low fermentable oligosaccharides disaccharides monosaccharides and polyols (FODMAP) diet in patients with irritable bowel syndrome. J Hum Nutr Diet. 2019.

Por: Viviane Lago

Baixo ângulo de fase padronizado é preditor de hospitalização prolongada em pacientes críticos

A impedância bioelétrica (BIA) é um método simples, rápido, fácil e de baixo custo para avaliação nutricional, contudo sua aplicabilidade para avaliar composição corporal de pacientes críticos é limitada devido à retenção de líquidos observada nessa população de pacientes; o que influencia as estimativas de gordura e massa muscular. Como alternativa para avaliação da composição corporal nessa população, a medida do Ângulo de Fase (AF) tem sido uma alternativa recentemente estudada.  

Em um estudo de coorte prospectivo com dados secundários de dois projetos desenvolvidos em hospitais brasileiros, os pesquisadores investigaram o estado nutricional de 169 pacientes críticos em ventilação mecânica. Para classificar o estado nutricional, todos participantes foram avaliados em até 48h de admissão na UTI e foi realizado avaliação subjetiva global (ASG), medidas da circunferência do braço, da panturrilha, BIA e ângulo de fase. Posteriormente foi estudado a relação entre a medida do AF com grau de desnutrição e desfechos clínicos de tempo de internação na UTI, duração da ventilação mecânica e óbito. 

O tempo de acompanhamento médio do estudo foi de 23 dias, a idade média dos pacientes foi de 60,3 anos, sendo 56,7% homens e 46,7% pacientes cirúrgicos. Os pacientes realizaram BIA, e a partir dos dados de resistência (R) e reatância (Xc) foi calculado o AF e, através de uma equação, foi transformado em medida de AF padronizada para a população do estudo. Os pacientes foram classificados em AF reduzido quando o valor encontrado foi <1,65, e normal quando valor foi maior ou igual 1,65.

A precisão da AF padronizada reduzida na identificação de pacientes desnutridos foi de 60,6% (curva ROC AUC = 0,606, IC 95% 0,519-0,694). O AF padronizado reduzido aumentou em cerca de três vezes a chance de desnutrição (OR = 2,79, IC 95% 1,39–5,61) e duas vezes a chance de internação prolongada (OR = 2,27; IC95% 1,18–4,34) em uma análise ajustada para hospital de origem e para o escore de gravidade.

Os autores concluíram que o ângulo de fase reduzido apresentou validade preditiva satisfatória para desnutrição e maior tempo de permanência hospitalar em pacientes críticos, o que pode reforçar a aplicabilidade da bioimpedância na rotina de avaliação nutricional em UTI.

Referência: JANSEN, Ann Kristine et al. Low standardized phase angle predicts prolonged hospitalization in critically ill patients. Clinical Nutrition Espen, 2019; 34: 68-72.

Por: Ana Carolina Vicedomini