Autor: Martketing Ganep

Consumo de bebida de soja pós-exercício melhora reabilitação de pacientes com Acidente Vascular Cerebral Crônico

A soja é uma rica fonte de vitaminas do complexo B, minerais e fibras. Adicionalmente, apresenta alto teor proteico e de ácidos graxos essenciais na sua composição. Essas características tornam a soja um alimento importante na prevenção de desordens cardiovasculares, alguns tipos de câncer e doenças crônicas degenerativas.

Atualmente, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a terceira principal causa de morte nos países ocidentais e a causa mais comum de incapacidade física em adultos. Recentemente, um grupo de cientistas asiáticos investigaram os efeitos do consumo de bebida de soja imediatamente após o exercício terapêutico ou fisioterapia em indivíduos em fase de reabilitação pós episódio de AVC. A metodologia do estudo foi randomizada, duplo-cega e controlada por placebo.

Participaram do estudo 22 pacientes com idade entre 57-84 anos, que sofreram AVC prévio dentre o período de 2-19 anos. Os participantes foram aleatoriamente alocados para o grupo de bebida de soja (n = 11) ou grupo placebo (n = 11). Em ambos os grupos, a bebida foi consumida em 2 doses de 250ml, consumidos nos tempos de 60 e 120 minutos após o exercício. A composição de 500ml de bebida de soja foi de 283,5 kcal, 32 g de CHO, 17,5 g de proteínas e 9,5 g de gordura; já o placebo continha a mesma quantidade calórica. Todos participantes do estudo receberam uma intervenção idêntica de exercícios de reabilitação durante o período de 8 semanas (3 sessões por semana; 120 min/cada sessão). Foram incluídos exercícios de aquecimento, treino de modalidade terapêutica e funcional. Os desfechos físicos e funcionais foram avaliados antes, durante e após a intervenção.

O programa de reabilitação melhorou os resultados funcionais em todos os participantes. No grupo que consumiu bebida de soja, houve aumento significativo da força de preensão manual (p = 0,021), velocidade de caminhada (p = 0,019) e desempenho de caminhada avaliados por unidade de massa magra (p = 0,024) e desempenho de intervalo curto de 6 minutos (p = 0,016) em comparação com o grupo placebo. A pontuação total da avaliação de performance física curta e massa magra não diferiram entre os grupos. Os autores da pesquisa concluíram que o consumo de bebida de soja, associado com exercícios de reabilitação, melhorou a velocidade de caminhada, resistência ao exercício, força de preensão e funcionalidade muscular em indivíduos com AVC crônico.

Referência:Liao YH, Chen CN, Hu CY, Tsai SC, Kuo YC. Soymilk ingestion immediately after therapeutic exercise enhances rehabilitation outcomes in chronic stroke patients: A randomized controlled trial. NeuroRehabilitation. 2019; 44(2):217-229.

Por: Priscila Garla

Restrição calórica intermitente ou contínua. Qual é a mais efetiva?

Excesso de peso e obesidade central estão associados à maior risco de morbidades e mortalidade. Com objetivo de reduzir o impacto cardiometabólico dessa situação, estratégias nutricionais são avaliadas e comparadas por diversos artigos científicos. Em recente publicação da revista Clinical Nutrition foi comparado o impacto da restrição calórica intermitente versus contínua sobre a perda de peso, atividade do sistema nervoso simpático, homeostase de glicose e lipídios, inflamação e composição corporal de 45 homens e mulheres adultos não fumantes com obesidade central (circunferência da cintura >102 cm e >88 cm para homens e mulheres respectivamente). O estudo randomizado, controlado, pareado teve duração de 4 semanas e dividiu os participantes em grupo intermitente (GI – dieta controlada de baixa caloria em 2 dias consecutivos por semana) e grupo contínuo (GC – dieta mediterrânea com restrição diária de 500 Kcal em relação ao gasto energético total).  Ambas intervenções foram programadas para reduzir a ingestão semanal de energia em 3500 kcal em relação aos gastos energéticos totais estimados.

Os dois grupos apresentaram redução significativa e semelhante de peso (2,6% no GC e 2,9% no GI), circunferência da cintura, IMC, % de gordura corporal, ingestão energética, triglicérides totais em jejum, IL-1b, leptina, adiponectina, razão colesterol total: HDL colesterol, e razão leptina:adiponectina. A sensibilidade à insulina aumentou significativamente em toda a coorte. Houve redução significativa, mas pequena, na glicemia de jejum no GC que não foi observada no GI. Em contrapartida, o GI apresentou maior redução plasmática de ácidos graxos não esterificados (AGNE), o que sugere mudanças adaptativas no metabolismo energético.

Avaliação específica do impacto da dieta de baixa caloria mostrou que após os 2 dias de restrições (600Kcal/dia) os pacientes apresentaram redução significativa no HOMA-IR, insulina séria, triglicérides, leptina, razão leptina: adiponectina e TNF-α, mas não houve impacto na sensibilidade à insulina, concentração de adiponectina, escore inflamatório, razão colesterol total: HDL colesterol e normetadrenalina.

Os autores concluíram que ambas formas de intervenção trouxeram resultados semelhantes para perda de peso e melhoras de parâmetros cardiometabólicos. Estudos com períodos maiores de acompanhamento precisam ser realizados a fim de elucidar as mudanças metabólicas e maior captação e oxidação de ácidos graxos que podem estar associados à restrição calórica intermitente.

Referência: Pinto, A.M. et al. Intermittent energy restriction is comparable to continuous energy restriction for cardiometabolic health in adults with central obesity: A randomized controlled trial; the Met-IER study. Clinical Nutrition., 2019.

Por: Michelle Barone

Efeito da suplementação de ômega 3 no peso corporal e resistência à insulina em crianças púberes obesas

A obesidade infantil é um dos maiores problemas atuais de saúde pública. Paralelamente, está associado ao desenvolvimento de outras comorbidades clínicas como síndrome metabólica, diabetes melito, resistência à insulina e doenças cardiovasculares.

Muitos desses distúrbios metabólicos podem ser reversíveis com a implantação de estratégias nutricionais efetivas. Atualmente, existem evidências que a suplementação de ácidos graxos ômega 3 (ω-3) pode prevenir o ganho de peso excessivo e resistência à insulina em crianças saudáveis. No entanto,  o efeito dessa suplementação em crianças que já desenvolveram obesidade e alterações metabólicas ainda não são conclusivos.

Nesse sentido, estudo duplo-cego randomizado e placebo-controlado foi realizado no México para avaliar se a suplementação com ω-3, na dose de 800 mg de eicosapentaenoico (EPA) + 400 mg de docosahexaenoico (DHA), associado a dieta hipocalórica (restrição de 700 kcal), por 3 meses, reduziria a resistência à insulina e o peso ecorpóreo em adolescentes (12 a 18 anos) com obesidade (Percentil de IMC maior que 95). O número amostral resultou em 119 adolescentes no grupo intervenção e 126 no grupo controle não suplementado com ω-3.

Este estudo não demonstrou efeito significativo da suplementação com ácidos graxos-ω3 em adolescentes obesos (tanto na resistência à insulina quanto ao peso corporal). Talvez a dose suplementada seja muito pequena ou a presença de obesidade extrema pode ter levado a uma dose baixa por quilograma de peso corporal. Outro fator limitante do estudo é que o grupo controle recebeu uma dose diária de óleo de girassol, rico em ácido linoléico conhecido por seus efeitos pró-inflamatórios.

Os autores concluíram que a suplementação com ácidos graxos ω-3 não exerce efeitos terapêuticos em crianças com obesidade e resistência à insulina.

Referência: López-Alarcón M, Inda-Icaza P, Márquez-Maldonado MC, et al. A randomized control trial of the impact of LCPUFA-ω3 supplementation on body weight and insulin resistance in pubertal children with obesity. Pediatr Obes. 2019 May;14(5):e12499.

Por: Lenycia Neri

Efeito de Plano alimentar a base de vegetais e alimentos integrais em Desfechos Cardiovasculares

Doenças cardiovasculares (DCVs) foram responsáveis por 46% das mortes mundiais no ano de 2012. Estima-se que até 2030 essas doenças deverão continuar a ser as principais causas de mortalidade global, portanto, devem ser consideradas problemas graves de saúde pública e intervenções efetivas para conter sua alta prevalência se fazem necessárias. 

A dieta considerada ideal para prevenir DCVs deve ser baseada no maior consumo de alimentos vegetais; e exclusão ou ingestão reduzida de alimentos de origem animal e processados. O presente estudo avaliou a efetividade de um programa de educação nutricional, por 12 semanas, na modificação de hábitos alimentares em indivíduos adultos. Foram também avaliados os fatores de risco para DCVs e os motivos determinantes que influenciaram as escolhas alimentares baseadas em opções vegetarianas e integrais. 

Foram estudados 72 participantes; e analisado a medida do peso corpóreo, IMC, circunferência da cintura, pressão arterial sistólica e diastólica (PAS e PAD; mmHg), perfil lipídico (colesterol total sérico, LDL, HDL, concentração de triglicérides; mmol/L), concentração de glicose no sangue em jejum (mmol/L) e hemoglobina glicada (%). Uma análise dietética foi utilizada para identificar os determinantes da adoção de uma dieta a base de vegetais com base no protocolo Food Choice Process Model. Todas as medidas antropométricas e biológicas foram avaliadas no início do estudo e após 12 semanas de implantação do programa nutricional. Para análises estatísticas, foram considerados testes t pareados e teste de Wilcoxon.

Como resultados, as variáveis de peso, circunferência da cintura, colesterol total e LDL melhoraram significativamente (p <0,001) após a adesão ao programa nutricional. O incentivo ao consumo de alimentos integrais e vegetais funcionou mais significativamente aos participantes quando comparado a outras estratégias dietéticas tradicionais. Motivos altruístas e sociais, além da saúde, foram identificados como determinantes-chave para a maior adesão á dieta.

Os autores concluíram que o programa nutricional para incentivar o consumo de alimentos vegetais e integrais melhorou a saúde cardiovascular de adultos; e representam uma importante ferramenta de intervenção nutricional a saúde pública.

Referência: Morin É, Michaud-Létourneau I, Couturier Y, Roy M. A whole-food, plant-based nutrition program: Evaluation of cardiovascular outcomes and exploration of food choices determinants. Nutrition. 2019, 26;66:54-61. 

Por: Mariane Marques

Impacto da avaliação e terapia nutricional individualizados na perda de peso, complicações e desfechos funcionais de pacientes neurológicos

Recente publicação da revista Clinical Nutrition destacou que a nutrição enteral é a via alimentar preferencial para habilitação precoce de pacientes com doenças neurológicas, uma vez que a disfagia é uma importante complicação nessa população.  No entanto, por diversas razões, o cálculo da necessidade calórica desses pacientes nem sempre é feito da maneira mais adequada. Assim, Schmidt e colaboradores buscaram investigar o efeito da avaliação e terapia nutricional individualizadas na alteração semanal de peso corpóreo, incidência de complicações e desfecho funcional em pacientes neurológicos no período de reabilitação.

Foram incluídos 170 pacientes em uso de nutrição enteral exclusiva, por no mínimo 14 dias. Todos pacientes foram inicialmente submetidos a avaliação do peso, cálculo de Índice de Massa Corpórea (IMC) e foram alocados em dois grupos. No grupo intervenção, a necessidade calórica foi calculada através de uma equação específica que considerou idade, peso, gênero e fator atividade; e foi ofertado fórmula enteral hipercalórica e hiperproteica ou especializada de acordo com a necessidade de cada paciente. No grupo controle, a necessidade calórica foi estimada pela rotina da equipe médica e foi ofertado fórmula enteral padrão. Para análise estatística, adotou-se o valor de significância de p<0,005.

Embora não tenha ocorrido diferenças significativas do aporte calórico ofertado em ambos os grupos, pacientes alocados no grupo controle apresentaram uma maior perda de peso (p=0,002) quando comparado ao grupo intervenção, sobretudo nas primeiras 3 semanas de acompanhamento. No acompanhamento de complicações, os pacientes do grupo intervenção apresentaram menor número de dias com diarreia (p=0,002) e melhora mais rápida da diurese que o grupo controle (p=0,046). Não houve diferenças significativas de desfechos funcionais entre os dois grupos.

Os autores concluíram que avaliação e terapia nutricional individualizadas pareceu ser eficaz na prevenção de perda de peso e de complicações relacionadas a dieta em pacientes neurológicos em período de reabilitação.

Referência: Schmidt SB, Boltzmann M, Krauss JK, Stangel M, Gutenbrunner C, Rollnik JD. Standardized nutritional supply versus individual nutritional assessment: Impact on weight changes, complications and functional outcome from neurological early rehabilitation. Clin Nutr. 2019 May 16.

Por: Natalia Lopes

Suplementação de Probióticos melhora perfil glicêmico e lipídico de pacientes com Diabetes Melito tipo 2

A composição da microbiota intestinal pode influenciar a patogênese do diabetes melito tipo 2 (DM2) e aumentar risco de resistência à insulina. Pesquisa recente avaliou o efeito da suplementação de um mix de probióticos na glicose de jejum, insulina plasmática e no perfil lipídico de pacientes com DM2 diagnosticados conforme critérios da American Diabetes Association (ADA).

Este estudo foi conduzido por metodologia randomizada duplo-cega controlada, em 60 pacientes. Aleatoriamente, 30 diabéticos adultos receberam suplemento contendo espécies probióticas (Lactobacillus acidophilus [2 × 109 UFC], Lactobacillus casei [7 × 109], Lactobacillus rhamnosus [1.5 × 109], Lactobacillus bulgaricus [2 × 108], Bifidobacterium breve [3 × 1010], Bifidobacterium longum [7 × 109], Streptococcus thermophilus [1.5 × 109]; e 30 diabéticos foram tratados com placebo composto por fruto-oligossacarídeo e estearato de magnésio. Ambos os grupos receberam 2 cápsulas de suplementos ao dia, durante o período total de 6 semanas. O consumo alimentar foi calculado por recordatório alimentar de 3 dias e de 24 horas, no início e final do estudo. Amostras de sangue em jejum foram coletadas antes e após a intervenção para medir os níveis séricos de glicose, insulina e perfil lipídico.

No final da intervenção foi observado diminuição significativa dos níveis séricos de glicose de jejum (p = 0,001) e aumento dos níveis de colesterol HDL (p = 0,002) no grupo suplementado com probióticos. Não foram observadas alterações significativas na insulina sérica e resistência à insulina, medidas antropométricas (peso, circunferência da cintura, IMC) e perfil lipídico (p> 0,05) entre os grupos.

Os autores concluíram que a suplementação com cepa mista de probióticos foi efetiva para diminuição da glicose de jejum em pacientes diabéticos tipo 2. Estudos com maior número de participantes são necessários para confirmar os resultados.

Referência: Razmpoosh E, Javadi A, Ejtahed HS, et al. The effect of probiotic supplementation on glycemic control and lipid profile in patients with type 2 diabetes: A randomized placebo controlled trial. Diabetes Metab Syndr. 2019; 13(1):175-182.

Por: Priscila Garla

Terapia Enteral Imunomoduladora em marcadores imunológicos, inflamatórios e estado nutricional de pacientes com câncer gástrico

O uso de fórmula enteral imunomoduladora tem mostrado benefícios em pacientes cirúrgicos com câncer gástrico. Estes pacientes tem alto risco nutricional devido à má absorção de nutrientes e metabolismo ativo de células cancerígenas. Além disso, a desnutrição pode suprimir a função imunológica, exacerbar a resposta ao estresse e inflamatória aumentando o risco de complicações infecciosas, atraso de recuperação pós-operatória e tempo de internação prolongado.

Recentemente, a revista científica Journal of Investigative Surgery, publicou um estudo randomizado duplo-cego controlado que teve como objetivo avaliar o efeito da dieta enteral imunomoduladora na função imune, resposta inflamatória e estado nutricional de pacientes com câncer gástrico comparada à fórmula enteral padrão. Foram estudados 110 pacientes com idade entre 18 e 80 anos, com câncer de estômago após gastrectomia parcial ou total. De forma randomizada, 60 pacientes receberam imunonutrição enteral (fórmula enriquecida com arginina, glutamina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos) no pós-operatório precoce de 5 dias e 50 pacientes receberam nutrição enteral padrão (1 kcal/ml e 4 g proteína por 100 ml).

Os autores avaliaram como parâmetros primários as células T CD4 +, T CD3 +, bem como contagens de CD4 +/CD8 +, IgG, IgM e IgA. Parâmetros secundários incluíram níveis de leucócitos, proteína C-reativa (PCR), procalcitonina (PCT), fator de necrose tumoral-α (TNF-α), interleucina-6 (IL-6) e marcadores nutricionais como albumina, pré-albumina e concentração de transferrina. 

Resultados mostraram diferença significativa dos parâmetros imunológicos e inflamatórios entre o grupo de imunonutrição enteral versus dieta padrão. A proporção favorável de células imunes T CD4 +,células T CD3 + e as contagens de CD4 +/CD8 +, IgG, IgM e IgA foram maiores no grupo imunonutrição enteral; enquanto nível de leucócitos e marcadores inflamatórios PCR e TNF-α foram significativamente menores comparados ao grupo que recebeu dieta enteral padrão. Não houve diferença significativa nos marcadores nutricionais entre os dois grupos. 

Os autores concluíram que a dieta enteral imunomoduladora no pós-operatório precoce pode ajudar na melhora da função imunológica e inflamatória em pacientes com câncer gástrico submetidos à gastrectomia. Mais estudos ainda são necessários para recomendar tipo de fórmula imunomoduladora, volume e tempo de administração.

Referência: LI, Ka et al. Effect of Enteral Immunonutrition on Immune, Inflammatory Markers and Nutritional Status in Gastric Cancer Patients Undergoing Gastrectomy: A Randomized Double-Blinded Controlled Trial. Journal of Investigative Surgery, 2019.

Por: Ana Carolina Costa Vicedomini

Comparação do padrão alimentar e resposta glicêmica pós-prandial na cirurgia bariátrica

Na Suécia, cerca de 6000 pacientes com obesidade grave são submetidos anualmente a cirurgia bariátrica, sendo o bypass gástrico em Y de Roux (RYGBP) a técnica cirúrgica mais frequente, realizada em 55% dos casos. A técnica de derivação biliopancreática com duodenal switch (BPD-DS) é mais comumente indicada para tratamento de pacientes com IMC> 50kg/m2, porém representa menos de 1% dos casos.  Ambas técnicas cirúrgicas resultam em melhora do metabolismo da glicose, entretanto, os efeitos colaterais de hipo e hiperglicemia podem ocorrer.

Uma recente pesquisa sueca investigou o efeito do padrão alimentar e da resposta glicêmica pela medida da glicose intersticial (IG) em pacientes submetidos ao RYGBP e BPD-DS; pelo menos 1 ano após a realização da cirurgia. Trinta pacientes submetidos a BPD-DS (n=14) ou RYGBP (n=15) tiveram o IG medido por monitorização contínua da glicose (CGM) por 3 dias consecutivos, e os níveis de IG pós-prandial de 5 a 120 minutos foram analisados por 2 desses dias. O consumo alimentar de todos os pacientes foi registrado por nutricionista através do instrumento The Meal Pattern Questionnairem, um questionário alimentar validado na população de obesos.

Pacientes submetidos a técnica BPD-DS demonstraram uma maior redução no IMC após cirurgia, bem como níveis mais baixos de glicose e HbA1c circulantes quando comparados aos pacientes com RYGBP. Níveis de IG pós-prandial foram significativamente menores nos pacientes com DBP-DS em comparação aos tratados com RYGBP, com concentrações médias de 5,0 (± 1,0) e 6,3 (± 1,8) mmol/L, respectivamente (p <0,001 ). O nível médio de IG pós-prandial foi menor em BPD-DS do que em pacientes com RYGBP, 0,2 (± 0,6) vs. 0,4 (± 1,4) mmol / L (p <0,001). Além disso, a variabilidade IG pós-prandial foi menos pronunciada em BPD-DS do que em pacientes com RYGBP. O número médio de refeições diárias não apresentou diferença significativa entre os dois grupos, sendo 7,8 (± 2,6) no BPD-DS e 7,2 (± 1,7) no RYGBP (p = 0,56).

Os autores concluíram que pacientes submetidos a técnica de DBP-DS demonstraram menores concentrações e variabilidade de IG pós-prandial em comparação com pacientes tratados com RYGBP. Os dois grupos apresentaram padrão alimentar semelhante e as respostas pós-prandiais do IG provavelmente podem estar associadas a diferenças na fisiologia pós-operatória. As possíveis consequências a longo prazo da hiperglicemia e variação após o RYGBP requerem mais estudos.

Referência: Nilsen I, Sundbom M, Abrahamsson N, Haenni A.Comparison of Meal Pattern and Postprandial Glucose Response in Duodenal Switch and Gastric Bypass Patients.Obes Surg. 2019; 29(7):2210-2216.

Por: Patrícia Morais de Oliveira

Papel dos ácidos graxos ômega-3 no Metaboloma de Idosos saudáveis

Ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (n3-PUFA) são reconhecidos por seu potencial efeito anti-inflamatório e redutor de triglicérides plasmáticos, porém sua influência em outros processos biológicos, particularmente no contexto do envelhecimento saudável, permanece pouco explorado. 

Recentemente, os pesquisadores de Minesota – EUA realizaram uma análise metabolômica (estudo de metabólitos produzidos pelo organismo) em amostra de sangue periférico coletado em jejum de 12 adultos (18 – 35 anos) e 12 idosos (65 – 85 anos) antes e após suplementação de n3-PUFA (3,9 g/dia – 2,7 g EPA e 1,2 g DHA), com o objetivo de identificar efeitos biológicos menos característicos do n3-PUFA em idosos saudáveis. 

A metabolômica do plasma sanguíneo periférico foi realizada utilizando múltiplas plataformas analíticas incluindo a ressonância magnética nuclear de prótons (1H-RMN), cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (GC-MS) e cromatografia líquida de massa (LC-MS) para analisar perfis e quantificação de pequenos metabólitos.

A análise de subclasses de lipoproteínas por 1H-RMN revelou que a suplementação de ômega-3 reduziu triglicérides totais e número de partículas VLDL. Adicionalmente, foi observado um aumento modesto nos níveis plasmáticos de HDL e alterou a composição das subclasses de HDL. 

O perfil de metabólito adicional por 1H-RMN e GC-MS revelou alterações celulares pronunciadas em fosfolipídios, ésteres de colesterol, diglicerídios e triglicerídios após suplementação com n3-PUFA. Além disso, alterações significativas na hidroxiprolina (aminoácido essencial presente no colágeno), quinurenina (metabólito do aminoácido L-triptofano) e ácido 3-carboxi-4-metil-5-propil-2-furanpropiônico -CMPF (inibidor de proteínas urêmicas tóxicas) após a suplementação de n3-PUFA fornecem uma visão adicional sobre alguns efeitos biológicos menos reconhecidos da suplementação de n3-PUFA, incluindo possíveis efeitos no metabolismo de proteínas, na via da quinurenina e no metabolismo da glicose.

Referência: Xyda SE, Vuckovic I, Petterson XM, et al. Distinct influence of omega-3 fatty acids on the plasma metabolome of healthy older adults. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2019.

Por: Jana Grenteski

Influência de lanches intermediários na qualidade da dieta e prevenção de Obesidade Infantil

Obesidade afeta negativamente a saúde e bem-estar de uma criança. Recentemente, uma pesquisa investigou a influência dos lanches intermediários na prevenção e tratamento da obesidade infantil. Foram considerados a frequência do lanchar, seu consumo calórico, companhia e uso de tela (TV, celular, videogame) durante o consumo alimentar. A relação desses fatores com a qualidade da dieta e índice de massa corporal (IMC) também foram investigados.

A pesquisa utilizou bancos de dados de 4 estudos do COPTR (Consórcio sobre Prevenção e Tratamento da Obesidade Infantil), composto por dois ensaios controlados randomizados de prevenção a obesidade e dois de tratamento. Participantes de cada estudo foram recrutados entre a faixa etária de 2 até 13 anos. Todos estudos avaliaram ingestão alimentar por recordatório de 24h, companhia no momento da refeição e uso de tela.

Foi encontrado uma associação significativa entre o consumo de lanches em frente de telas e a menor qualidade da dieta. A associação entre padrões dietéticos dos lanches e o IMC não foi significativa.

Os autores observaram que os padrões gerais da dieta são relativamente estáveis ​​durante a primeira infância; e se modificaram a partir de 7-9 anos, até adolescência. Por exemplo, o consumo de leite diminuiu significativamente desde primeira infância até adolescência.

Vale ressaltar que a aplicação de recordatórios alimentares pode trazer alguns vieses no resultado da pesquisa. Para crianças menores, os pais ou responsáveis concluíram recordatórios alimentares em nome de seus filhos. É possível que pais desconhecessem os lanches que seus filhos faziam sem sua presença. Outro fator limitante foi a associação negativa entre qualidade da dieta e IMC. Todos participantes foram recrutados para estudos faziam parte de um programa, seja de prevenção ou tratamento de obesidade, o que poderia limitar essa vertente.

Tomados em conjunto, os autores concluíram que o fracionamento dos lanches intermediários, especialmente para crianças entre 2 a 5 anos, associados com privação do uso de telas no momento do consumo, contribuem com melhora da qualidade da dieta. Estudos futuros devem compreender a relação entre comportamento infantil, escolha alimentar e fatores contextuais e ambientais.

Referência: LeCroy MN, Truesdale KP, Matheson DM, et al. Snacking characteristics and patterns and their associations with diet quality and BMI in the Childhood Obesity Prevention and Treatment Research Consortium. Public Health Nutr. 2019

Por: Viviane Lago