Autor: Ganep Educação

Crescimento do mercado vegetariano representa oportunidade para nutricionistas

Recentemente, cada vez mais restaurantes brasileiros têm incluído opções de pratos vegetarianos no cardápio. Isso porque o comportamento de consumo da população vem mudando e abrindo espaço para esse nicho.

Entretanto, não são apenas os restaurantes que podem se beneficiar com essa crescente mudança no comportamento alimentar da população. Os nutricionistas também podem encontrar excelentes oportunidades de atuação junto a esse público.

Dados sobre vegetarianos no Brasil

Segundo pesquisas da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), de 2012 a 2018, a parcela da população que adota esse tipo de dieta cresceu 75%. Hoje, 14% de todos os brasileiros são vegetarianos. E, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro, esse número é ainda maior, chegando a 16% de toda a população local. Isso corresponde a quase 30 milhões de brasileiros que se declaram adeptos dessa opção alimentar – um número maior do que as populações de toda a Austrália e Nova Zelândia juntas.

A importância do acompanhamento nutricional especializado para vegetarianos

Diversas razões levam uma pessoa a escolher adotar uma dieta vegetariana: questões de saúde, preocupação com as causas do meio ambiente e animal e até mesmo por motivos religiosos. Seja qual for a motivação que levou a pessoa a adotar essa dieta, é muito comum que, durante o processo de transição de um estilo de alimentação para outro, haja muitas dúvidas.

É nessa hora que a ajuda de um profissional especializado, que conheça bem as especificidades desse público, faz toda a diferença. Por isso, a procura por nutricionistas com foco de atuação em alimentação vegetariana é cada vez maior.

Mas como se tornar um profissional reconhecido e se destacar nessa área de atuação? Estudar e se dedicar a aprender a fundo sobre esse nicho é muito importante, mas não o suficiente. Para alcançar o sucesso dentro de um segmento específico é preciso saber se comunicar com seu público.

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Com a contribuição de Vyvian Teixeira.

Refrigerante Diet foi associado ao risco aumentado de Retinopatia Diabética Proliferativa

O consumo de refrigerantes diets, que são livres de calorias e de açúcar, estão sendo cada vez mais apontados como causas de resultados negativos a saúde.

Em estudo clínico transversal, 609 adultos diabéticos do tipo 1 (n=73), tipo 2 (n= 510) e outros tipos (n= 26) foram estudados para avaliar o efeito do consumo de refrigerantes diets no tratamento e evolução do diabetes. Os participantes foram divididos em 4 grupos principais: 1) grupo que não consumiu refrigerantes; 2) grupo com baixo consumo de refrigerantes diets (<1 lata de 350 ml); 3) com consumo moderado (1 a 4 latas) e 4) com alto consumo (>4 latas por semana). Esses dados dietéticos foram obtidos por questionário de frequência alimentar, com base no período de 1 ano.

Resultados mostraram que o grupo que consumiu mais de 4 latas de refrigerantes diets por semana teve risco 2,5 vezes maior de desenvolver retinopatia diabética proliferativa comparada ao grupo sem consumo de refrigerantes (odds ratio (OR) = 2,51; IC de 95%; p= 0,02). Esse resultado foi independente de fatores de risco para retinopatia diabética, duração da doença, tabagismo e índice de massa corporal (IMC).

Chamou a atenção dos pesquisadores que não houve associação estatisticamente positiva entre o consumo de refrigerantes normais e o aumento do risco de retinopatia diabética, entretanto, a quantidade desse produto foi baixa, o que pode ter limitado o resultado.

Hipóteses levantadas pelos autores do estudo é que o consumo de bebidas diet “enganam” o organismo; que entende que consumiu uma quantidade maior de energia, e não o valor real. Essa reação pode levar ao aumento da fome e maior ingestão de calorias a longo prazo. Adicionalmente, é sugerido que a alta presença de aditivos e corantes nesses produtos possam aumentar níveis de produtos finais da glicação avançada (AGEs) e a produção de citocinas pró-inflamatórias.

No momento, ainda são necessários mais estudos longitudinais para determinar se os refrigerantes diet são ou não uma alternativa saudável para substituir as bebidas adoçadas com açúcar.

Referência: Fenwick EK, Gan AT, Man RE, et al. Diet soft drink is associated with increased odds of proliferative diabetic retinopathy. Clin Exp Ophthalmol. 2018; 46(7):767-776.

Por: Priscila Garla

Dieta Vegetariana e relação com Doença renal crônica

Doença Renal Crônica (DRC) é um problema de saúde mundial e caracteriza-se pela redução progressiva da filtração glomerular e/ou presença de proteinúria, e retenção progressiva de compostos orgânicos, denominados toxinas urêmicas. Tem como principais fatores de risco a hipertensão, diabetes, obesidade, síndrome metabólica e consumo de substâncias com potencial nefrotóxico. Pesquisas prévias têm sugerido que a prática de uma alimentação equilibrada, especialmente a base de plantas e vegetais, pode gerar menor produção e absorção de toxinas urêmicas; e assim, auxiliar na redução de disfunções renais.

Recentemente, pesquisadores asiáticos realizaram um estudo retrospectivo que avaliou o efeito do consumo de dieta vegetariana, comparada a onívora, na prevalência de DRC. O estudo avaliou 55.113 adultos categorizados em 3 grupos de acordo com análise de questionários alimentares (veganos, ovolactovegetarianos e onívoros). Na análise estatística multivariada, a prevalência de DRC foi significativamente menor no grupo que consumiu dieta vegana em comparação com o grupo onívoro (p <0,001). Na análise de regressão logística multivariada, revelou-se que dietas vegetarianas (vegana e ovolacto), foram possíveis fatores de proteção a doença [odds ratios = 0,87 (0,77 ± 0,99), p = 0,041; 0,84 (0,78 ± 0,90), P <0,001].

No estudo, indivíduos adeptos da dieta onívora apresentaram maior Índice de Massa Corpórea (IMC), do percentual de obesidade abdominal e dos níveis séricos de colesterol total e triglicérides.

Os autores concluíram que o consumo de dieta a base de vegetais teve uma associação positiva com menores fatores de risco de doenças crônicas e com a prevalência de DRC.

Referência: LIU, HW, et al. Association of Vegetarian Diet with Chronic Kidney Disease. Nutrients 2019, 11(2), 279

Por: Magda Medeiros

Adiposidade central como forte preditor de risco para câncer

O excesso de peso corporal é um forte fator de risco para várias doenças, incluindo certos tipos de câncer. Nos Estados Unidos, estima-se que 21% destes  cânceres poderiam ser evitados a cada ano se a população adulta mantivesse um Índice de Massa Corpórea (IMC) <25 kg/m².

Recentemente, foi realizado um estudo de coorte prospectivo com objetivo de investigar a relação das medidas antropométricas com o risco de câncer. Foram elegíveis 26.607 indivíduos entre 35 e 69 anos, sem história prévia de câncer, com IMC > 18kg/m². O estudo consistia de um questionário contendo questões sociodemográficas, histórico de saúde pessoal e familiar, estilo de vida e questionários de medidas antropométricas (questionário HLQ), alimentar (CDHQ) e atividade física (PYTPAQ). As medidas antropométricas aferidas foram peso, altura, circunferência abdominal e do quadril.

Após 7 anos de acompanhamento, cerca de 2.370 indivíduos apresentaram câncer. A proporção de indivíduos com sobrepeso foi semelhante entre os grupos com câncer e sem câncer, entretanto, a proporção de indivíduos obesos no grupo com câncer foi maior do que no grupo sem câncer (33,5% vs. 27% em homens e 32% vs. 25% em mulheres). Os valores médios de circunferência da cintura (CC) e razão cintura quadril (RCQ) foram superiores no grupo com câncer.

Homens e mulheres que não desenvolveram câncer apresentaram tendência a serem mais jovens, não fumantes, pré menopausadas, com níveis mais altos de educação, renda familiar e maior prática de atividade física no início do estudo, em relação aos que desenvolveram câncer. Em homens foi observada uma tendência positiva na relação entre o aumento do IMC e a incidência de todos os tipos de câncer (Ptrend ≤0,001), câncer de colon, linfoma não Hodgkin e cânceres hematológicos. Na comparação de homens com IMC normal (<25kg/m²) e IMC ≥30kg/m², estes últimos apresentaram aumento de 33% no risco de desenvolver câncer, sendo 2,71 X o risco para câncer de cólon e 2,47 para linfoma não Hodgkin. Mulheres com IMC ≥ 30kg/m² tiveram um aumento de 22% no risco de desenvolver todos os tipos de câncer. Foi observada uma associação positiva forte entre IMC ≥ 30kg/m² e risco de câncer endometrial. Mulheres com sobrepeso (IMC ≥ 25kg/m²) apresentaram aumento significante do risco para câncer de cólon. Quando ajustados às variáveis, a CC reduzia o risco encontrado para os cânceres. Utilizando o ponto de corte para CC trazido pelos guidelines (102 e 88 cm, respectivamente para homens e mulheres), os homens com medidas superiores apresentaram aumento do risco para todos os canceres (HR=1,22), e especificamente para câncer de cólon, hematológico (HR=1,56) e linfoma não Hodgkin (HR=2,11). As mulheres com medidas superiores ao ponto de corte aumentaram significativamente o risco para todos os cânceres (HR=1,17) e câncer endometrial (HR=3,14), mesmo quando ajustadas as variáveis.

A partir dos dados encontrados, os autores sugerem que a adiposidade central é um forte preditor de risco para todos os tipos de cânceres, principalmente em mulheres.

Referência: Barberio AM et al. Central body fatness is a stronger predictor of cancer risk than overall body size. Nat Commun. 2019; 10: 383.

Por: Marcella Gava

Dietas vegetarianas para gestantes

Foi publicado o posicionamento oficial da Sociedade Italiana de Nutrição Humana sobre dietas vegetarianas em gestantes. Foram avaliados dois tipos de dietas vegetarianas: ovolactovegetariana, que exclui carnes, mas inclui produtos lácteos, ovos, mel; e veganas, que exclui carnes, produtos lácteos, ovos e mel.

A revisão incluiu 295 artigos científicos e destacou o consumo de proteínas, vitamina B12, ferro, zinco, cálcio, vitamina D e ácidos graxos ômega-3. Adicionalmente, foi avaliado a qualidade de proteína oferecida, sendo que esta é afetada pela digestibilidade e composição de aminoácidos. Como sugestão, proteínas vegetais concentradas ou purificadas (por exemplo, proteína de soja ou glúten) tem alta digestibilidade (>95%) ao contrário de vegetais intactos, como cereais integrais (digestibilidade em torno de 80-90%) ou outras proteínas vegetais (50-80%) devido paredes celulares e fatores antinutricionais.

Os poucos estudos comparando gestantes vegetarianas com onívoras demonstrou nenhuma diferença de peso ao nascer dos bebês, sendo que os amamentados de mães vegetarianas também tiveram um crescimento semelhante aos de mães onívoras.

Níveis sanguíneos de vitamina B12 em gestantes vegetarianas foram menores comparado a onívoras. Esta vitamina está presente em alimentos de origem animal e em pequenas quantidades em algumas algas, com biodisponibilidade baixa (lembrando que a vitamina B12 requer o fator intrínseco para sua absorção). Deste modo, a biodisponibilidade de vitamina B12 em vegetarianos depende da quantidade de alimentos de origem animal que estes consomem, assim como alimentos fortificados ou suplementos para veganos. É incentivado consumir uma fonte viável de vitamina B12, sendo que deve ser considerado que a absorção desta é 40% e deve alcançar ≥ 4 microgramas por dia.

No que diz respeito ao cálcio, é recomendado que as veganas consumam regularmente alimentos que sejam boas fontes como vegetais com baixo oxalacetatos e fitatos, produtos de soja, sementes e oleaginosas. Além disso, vegetarianas devem ser aconselhadas a consumir alimentos ricos em ácido ascórbico em conjunto aos alimentos ricos em ferro para melhorar a sua absorção, além de usar processos culinários (como por exemplo germinação) que diminua o conteúdo de ácido fítico de cereais e vegetais e assim diminuir o sequestro de ferro. Alimentos fortificados em ferro e zinco são encorajados.

Bebês de vegetarianas tem menores quantidades plasmáticas do ômega-3 DHA. Deve ser estimulado que estas gestantes consumam oleaginosas, linhaça, chia e outros óleos regularmente. Sugere-se limitar o consumo de óleos de milho ou girassol devido ao alto teor de ácidos graxos ômega 6. Suplementos a base de algas são boas fontes de ômega 3 e são indicados para gestantes vegetarianas.

Referência: Agnoli C, Baroni L, Bertini I et al. Position paper on vegetarian diets from the working group of the Italian Society of Human Nutrition. Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases, vol 27, p 1037-52, 2017.

Por: Lenycia Neri

Benefícios da dieta sem glúten e pobre em FODMAPs em portadores de Doença Celíaca

Doença celíaca (DC) é uma desordem multissistêmica autoimune desencadeada pela ingestão de glúten. Os sintomas mais comuns da doença são distúrbios gastrointestinais (diarreia, distensão e dor abdominal). O tratamento dietético para DC é a exclusão de alimentos contendo glúten, que é uma proteína encontrada em grãos, como trigo, cevada, centeio e triticale. Entretanto, mesmo com dieta isenta de glúten, alguns pacientes relatam persistência de sintomas indesejáveis.

Recentemente, a revista científica Nutrients publicou um estudo randomizado duplo-cego de intervenção controlada, que avaliou os efeitos de dieta sem glúten versus dieta sem glúten e pobre em FODMAPs na sintomatologia gastrointestinal e sintomas psicológicos dos pacientes com DC.

Foram avaliados 50 pacientes, alocados aleatoriamente em dos dois grupos. Todos passaram por avaliação médica e nutricional, e responderam questionários a respeito de sintomatologia, gravidade da doença, sofrimento psicológico e qualidade de vida em relação à saúde. Após avaliação, um grupo recebeu orientações quanto à dieta sem glúten e com baixo teor de FODMAP e o outro grupo somente com dieta sem glúten.

Após 21 dias de intervenção dietética, os participantes do grupo com a dieta sem glúten e sem FODMAPs apresentaram maior bem-estar geral, menor queixa de dor abdominal e melhora da consistência fecal quando comparados ao grupo da dieta somente sem glúten. Houve também melhora da saúde psicológica e relatos de qualidade de vida.

Referência: RONCORONI, Leda et al. A Low FODMAP Gluten-Free Diet Improves Functional Gastrointestinal Disorders and Overall Mental Health of Celiac Disease Patients: A Randomized Controlled Trial. Nutrients, 2018; 8: 1023-1027.

Por: Ana Carolina Vicedomini

Mangostão e sua Associação com Resistência à Insulina e Perda de Peso

Obesidade e Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) são condições clínicas com ligações entre si. Tratamentos para melhorar a resistência à insulina têm se mostrado eficazes na prevenção do DM2 e na perda de peso.

Estudo prospectivo e controlado teve como objetivo avaliar os efeitos do Mangostão (Garcinia mangostana L.), árvore tropical, cujos frutos são conhecidos por suas propriedades antioxidantes, sobre a resistência à insulina, controle de peso e estado inflamatório. Vinte e duas mulheres obesas, resistentes à insulina, com idade entre 18 e 65 anos, foram divididas em dois grupos: controle (dieta hipocalórica + atividade física) e intervenção (dieta hipocalórica + atividade física + 400mg de suplemento com Mangostão por dia). Medidas avaliadas incluíram peso, massa magra e massa gorda, circunferência da cintura, pressão arterial, frequência cardíaca, insulina, glicose, hemoglobina glicada, marcadores inflamatórios, e perfil lipídico.

Após 26 semanas de acompanhamento, utilização do Mangostão foi associada a diminuições mais significativas da insulina plasmática (−53,2% vs. −15,2%, p = 0,004) e do índice HOMA-IR (−51,3% vs. −10%, p = 0,004). Comparando valores pré e pós-intervenção, observou-se que o grupo suplementado também apresentou reduções nos valores de PCR e fibrinogênio, e aumento significativo nos valores de HDL colesterol, mas essas alterações não foram significativas quando comparado grupo controle e intervenção. Os pesquisadores concluíram que o Mangostão pode representar uma alternativa para tratamento da obesidade e suas complicações, mas sugerem que mais estudos sejam realizados para comprovar esse benefício.

Referência: Watanabe M, Gangitano E, Francomano D, Addessi E, et al. Mangosteen Extract Shows a Potent Insulin Sensitizing Effect in Obese Female Patients: A Prospective Randomized Controlled Pilot Study. Nutrients. 2018 May 9;10(5).

Por: Michelle Barone

Sarcopenia aumenta taxas de hospitalização e reduz sobrevida em pacientes com pancreatite crônica

A desnutrição é uma complicação bem conhecida da pancreatite crônica e alterações na composição corporal são comuns nessa situação. Olesen e colaboradores realizaram um estudo de coorte prospectivo de 182 pacientes ambulatoriais com pancreatite crônica com o objetivo de investigar a prevalência de sarcopenia, seus fatores de risco associados e resultados relacionados à saúde.

A avaliação da composição corporal foi feita por Impedância bioelétrica e teste de função muscular por Dinamometria e Teste “timed-up-and-go”. As características demográficas e de doença, incluindo insuficiência pancreática exócrina (IPE), foram analisadas quanto à sua associação com a sarcopenia. Foi utilizado o questionário EORCT QLQ-C30 para documentar a qualidade de vida e foi analisada as associações entre a sarcopenia e o número de hospitalizações, o número de dias internados e a sobrevida nos próximos 12 meses.

A prevalência de sarcopenia foi de 17% (IC 95%; 11,9-23,3) e 74% dos pacientes sarcopênicos apresentaram Índice de Massa Corpórea (IMC) na faixa normal ou acima do peso (IMC> 18,5kg / m2). A IPE foi um fator de risco independente para a sarcopenia (OR 3,8 IC95% [1,2-12,5]; p = 0,03). Várias escalas e itens do QLQ-C30 foram associados à sarcopenia, incluindo funcionamento físico (p <0,001) e saúde global (p = 0,003). Durante o seguimento, a sarcopenia foi associada a um aumento do risco de hospitalização (OR 2,2 IC95% [0,9-5,0], p = 0,07), aumento do número de dias de internação (p <0,001) e redução da sobrevida (HR 6,7 [95% IC; 1,8-25,0]; p = 0,005).

Os autores concluíram que a sarcopenia é uma complicação comum da pancreatite crônica e está associada a resultados adversos relacionados à saúde. Como a sarcopenia não é reconhecida pelos parâmetros antropométricos convencionais, a avaliação nutricional sistemática deve ser priorizada.

Por: Renata Gonçalves

Referência: Olesen SS et al. Sarcopenia associates with increased hospitalization rates and reduced survival in patients with chronic pancreatitis. Pancreatology. 2019 Jan 14.

Intervenções para melhorar a sarcopenia na cirrose hepática

A sarcopenia é uma complicação bem conhecida da cirrose e está associada ao aumento do tempo de hospitalização e da taxa de morbimortalidade. Estudos recentes têm apontado a sarcopenia como preditora independente de baixa sobrevida em pacientes cirróticos com ou sem câncer hepatocelular.

Em recente revisão sistemática, pesquisadores avaliaram as evidências relacionadas a intervenções nutricionais, hormonais e no estilo de vida na população de cirróticos. Foram avaliados o efeito de suplementação nutricional, exercício físico, estilo de vida, reposição hormonal com testosterona e TIPS (derivação intra-hepática portossistêmica) na síntese de massa muscular, força e função física em pacientes com cirrose.

Foram incluídos 24 estudos randomizados controlados, caso controle e longitudinal que relataram uma relação positiva entre as intervenções sugeridas e melhora da massa muscular. Pesquisadores encontraram que existem fortes evidências da suplementação de BCAA (leucina, isoleucina e valina) na melhora da síntese proteica, no metabolismo de glicose e lipídios, proliferação de hepatócitos, diminuição do estresse oxidativo em hepatócitos e melhora a resistência à insulina.

Dados existentes sobre os efeitos do exercício na cirrose foram limitados, especialmente em pacientes com cirrose descompensada, devido ao risco de indução de estresse oxidativo. Para TIPS, não foram encontradas recomendações e a testosterona deve ser usada com cautela, devido aos efeitos colaterais conhecidos do aumento dos riscos de câncer.

Antes de concluir, os autores do estudo apontaram pontos fortes e limitações dessa revisão; como a inclusão de estudos que foram realizados em pacientes com cirrose compensada (principalmente exercício, suplementação nutricional e estilo de vida) e descompensada (principalmente TIPS). Como limitação, a heterogeneidade da população com diversas causas de cirrose (infecção crônica por hepatite C, cirrose alcoólica, hepatite autoimune e cirrose biliar primária). Tomados em conjunto, concluiu-se que, embora a qualidade das evidências seja baixa, os achados desta revisão sistemática sugerem melhora da sarcopenia na cirrose com melhora do estilo de vida e intervenções nutricionais. Mais estudos prospectivos, com abordagem na modalidade de multitratamento, são necessários.

Referência: Maliha Naseer, et al. Interventions to improve sarcopenia in cirrhosis: A systematic review. World J Clin Cases. 2019 Jan 26; 7(2): 156–170.

Por: Jana Grenteski

Anemia e indicadores de insegurança nutricional

Deficiência de micronutrientes é um problema de saúde pública em todo o mundo, em especial nos países em desenvolvimento. A deficiência de ferro resulta em diminuição dos níveis de hemoglobina, que chamamos de anemia, doença global que acomete cerca de 1,62 milhões de indivíduos. Recentemente, pesquisadores Brasileiros, através de uma revisão sistemática, verificaram quais indicadores de insegurança alimentar estão relacionados a anemia infantil.

Crianças menores de 2 anos, idade materna abaixo de 20 anos, baixa escolaridade materna, bebês do sexo masculino, infecção respiratória e diarreia constante são alguns dos indicadores socioeconômicos que estão associados a anemia. Quanto aos indicadores relacionados à insegurança alimentar e nutricional, foram destacados a ausência ou aleitamento materno insuficiente, baixo peso ao nascer, introdução precoce de alimentação complementar, ingestão de leite próximo a refeições, início tardio do pré-natal e ausência de suplementação materna ou infantil com sulfato ferroso.

Dados relacionados à insegurança alimentar e nutricional são fundamentais para a atuação do nutricionista, que deve orientar sobre aleitamento e introdução de novos alimentos às crianças e, em especial, orientar sobre o uso de fórmulas infantis que contenham leite em sua composição, que interferem na absorção de ferro.

Referência: ANDRÉ, H.P., et al. Food and nutrition insecurity indicators associated with iron deficiency anemia in Brazilian children: a systematic review. Ciência & Saúde Coletiva, 23(4):1159-1167, 2018.

Por: Magda Medeiros