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Questionário NutriBone: nova ferramenta mede conhecimento sobre nutrição e saúde óssea
Questionário NutriBone: nova ferramenta mede conhecimento sobre nutrição e saúde óssea

Nesse contexto, dieta, estilo de vida e atividade física são o foco da prevenção primária, e o conhecimento nutricional influencia justamente as escolhas alimentares. Em outras palavras, oferecer orientações não parece ser suficiente; também é preciso saber o quanto as pacientes realmente entendem sobre o assunto, e focar nas áreas de maior desconhecimento.
Um estudo da Universidade de Parma buscou desenvolver e validar o questionário NutriBone, que avaliou o conhecimento sobre a relação entre dieta, alimentos, hábitos de estilo de vida e saúde óssea em um grupo de mulheres adultas italianas. Conheça-o a seguir.
Como o NutriBone foi desenvolvido?
Os autores, todos especialistas em nutrição e saúde óssea, reuniram 84 questões a partir da literatura sobre conhecimento nutricional e letramento alimentar, usando como base um questionário já existente sobre comportamentos de prevenção da osteoporose e de outras fontes científicas pertinentes.
Cada autor classificou os itens como “essenciais” ou “não essenciais”, e o cálculo da razão de validade de conteúdo reduziu a lista para 30 perguntas.
Ao total, participaram 295 mulheres de 45 a 75 anos, atendidas para densitometria (DXA) no Hospital Universitário de Parma entre 2022 e 2024. A mediana de idade foi de 63 anos. Dentre as participantes, 98,3% estavam na menopausa e 58,2% tinham diagnóstico de osteoporose.
O questionário foi aplicado duas vezes:
- Oralmente, por um pesquisador treinado, no dia do exame;
- Por telefone, de 2 a 4 semanas depois.
Quais perguntas compõem o questionário?
O NutriBone foi composto por questões como:
- Quantas porções (125 g) de leite e iogurte os especialistas recomendam consumir por dia?
- Qual é a necessidade diária média de cálcio para adultos?
- Qual seria uma boa estratégia para aumentar a ingestão de cálcio?
- Qual destes componentes favorece a absorção de cálcio?
- Além do cálcio, qual outro mineral é importante para a saúde óssea?
- Por que uma dieta rica em frutas e vegetais pode ser importante para a saúde óssea?
- Consumir duas porções de 125 ml de leite por dia é suficiente para suprir toda a necessidade de cálcio?
- É impossível, em uma dieta vegana, atingir as necessidades de cálcio?
- Qual destes alimentos contém a maior quantidade de cálcio, considerando o mesmo peso?
- Qual é a quantidade de cálcio presente em uma porção de leite (125 ml)?
- Qual é a quantidade de cálcio presente em uma porção de anchovas (150 g)?
- Qual destes é um fator de risco para a osteoporose?
- Normalmente, quem apresenta maior risco de desenvolver osteoporose?
Cada questão trouxe 3 alternativas e a opção “não sei”, que evita respostas ao acaso e dados faltantes. Cada resposta certa vale 1 ponto, e respostas erradas ou alternativas marcadas como “não sei” valem zero. A pontuação vai de 0 a 30.
O NutriBone é confiável?
Os resultados apontam que sim:
– Estabilidade: a correlação entre as duas aplicações foi de 0,810, indicando alta estabilidade ao longo do tempo.
– Consistência interna: o alfa de Cronbach foi de 0,698, ligeiramente abaixo do 0,7 tradicional, mas dentro do que parte dos autores da área considera aceitável (acima de 0,6).
– Validade de construto: mulheres com formação em nutrição ou saúde pontuaram 19,9, contra 17,9 das demais, diferença que se manteve após ajuste pela escolaridade.
Ou seja, o questionário diferencia quem sabe mais de quem sabe menos sobre nutrição e saúde óssea, independentemente do grau de escolaridade.
Onde estão as maiores lacunas no conhecimento?
A pontuação média foi de 18,2 em 30 pontos. A análise por pergunta mostra onde o conhecimento falha:
- Só 13% das mulheres acertaram quanto cálcio há em uma porção de 150 g de anchovas
- 22% acertaram o teor de cálcio de uma porção de 125 ml de leite
- Apenas 17% souberam a necessidade diária média de cálcio de adultos
- 17% reconheceram um fator de risco para osteoporose
Por outro lado, 96% das mulheres acertaram a pergunta sobre menopausa e 92% identificaram quem tem maior risco da doença.
O contraste sugere que o conceito geral de risco é familiar, mas os números e as fontes de cálcio, justamente a parte mais prática da orientação, ainda são um ponto cego.
Quanto maior a idade e o IMC, mais desconhecimento
A pontuação apresentou associação negativa com idade e com IMC: quanto maiores, menor o conhecimento.
Os autores levantam hipóteses: pessoas mais velhas podem ter menos acesso a informação nutricional atualizada e seguir normas alimentares tradicionais, enquanto quem tem IMC mais alto pode não ter recebido educação nutricional eficaz. São explicações possíveis, mas não demonstradas pelo estudo.
O que o NutriBone muda na prática clínica?
O NutriBone se mostrou um instrumento válido, confiável e de fácil aplicação para avaliar o conhecimento nutricional ligado à saúde óssea em mulheres italianas submetidas à DXA, e pode servir de ponto de partida para ferramentas semelhantes em outros países.
Para o nutricionista clínico, os itens com menos acertos oferecem um mapa de temas para a educação nutricional: quantidades de cálcio, tamanho das porções e fontes alimentares.
De fato, estudos citados pelos autores associaram programas educativos, voltados para o aprimoramento do conhecimento nutricional, a melhores hábitos alimentares, menor perda óssea na coluna e maior ingestão de cálcio em adultos mais velhos.
Vale ressaltar que a pesquisa também apresentou algumas limitações. Por exemplo, a validação externa com outros instrumentos não foi possível. Além disso, o questionário foi validado em italiano e em mulheres; outros países ou populações exigiam adaptações e novos estudos de validação.
Para ler o artigo científico completo, clique aqui.
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Referência:
Callegaro S, Apergi K, Scazzina F, Martini D, Angelino D, Bongrani A, Rosi A, Passeri G. Nutrition knowledge and bone health: development and validation of the ‘NutriBone’ questionnaire for Italian adult women. Public Health Nutr. 2026 Apr 10;29(1):e94. doi: 10.1017/S1368980026102444.
Redação Ganep Educação



