Liraglutida na obesidade infantil: dados sobre eficácia e segurança

Liraglutida na obesidade infantil: dados sobre eficácia e segurança

liraglutida na obesidade infantil
Fonte: Canva

A obesidade infantil é um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade, com repercussões de longo prazo que se estendem até a vida adulta. Estima-se que, mundialmente, cerca de 14,4 milhões de crianças e adolescentes sofrem com a condição. 

A complexidade etiológica da obesidade infantil envolve fatores genéticos, metabólicos, socioeconômicos e ambientais, e o fenômeno é subestimado em sua gravidade.

Apesar dos esforços, intervenções baseadas apenas em mudanças no estilo de vida frequentemente demonstram eficácia limitada a longo prazo para o controle de peso nessa população, o que impulsiona a busca por tratamentos farmacológicos. 

Em 2020, a agência estadunidense Food and Drug Administration (FDA) aprovou o uso da liraglutida como parte do tratamento farmacológico da obesidade, mas excluiu a faixa etária abaixo dos 12 anos, devido às evidências limitadas.

Recentemente, uma revisão sistemática buscou sintetizar a evidência disponível sobre a eficácia e a segurança da liraglutida no manejo do sobrepeso e obesidade infantil. Confira a seguir.

Quase 400 crianças e adolescentes foram investigados

A pesquisa investigou quatro ensaios clínicos randomizados (ECRs), englobando um total de 378 participantes, dos 6 aos 18 anos, diagnosticados com:

– Sobrepeso: IMC igual ou superior ao percentil 85 para idade e sexo;

– Obesidade: IMC igual ou superior ao percentil 95.

A intervenção analisada em todos os estudos foi a administração de liraglutida por via subcutânea, em doses que variavam de 0,3 a 3,0 mg por dia

Os grupos controle recebiam um placebo, embora alguns estudos também incluissem intervenções baseadas em modificações de estilo de vida – como dieta hipocalórica, aumento da atividade física e terapia comportamental – ou medicamentos já aprovados.

O principal desfecho avaliado na revisão sistemática e meta-análise foi a alteração no Escore Z do Índice de Massa Corporal (IMC), um indicador padronizado e mais adequado para a avaliação de peso em pediatria. 

Essa classificação baseia-se nos desvios padrão (DP) relativos à média da população de referência, com peso normal definido como um escore z entre -2 e +1 DP, sobrepeso ≥+2 DP e <3 DP, e obesidade com um escore z ≥+3 DP.

Outros desfechos incluíram a redução percentual do peso corporal, e a melhora de parâmetros metabólicos, como os níveis de glicose em jejum e HbA1c. 

Resultados: redução consistente do escore Z do IMC

A liraglutida demonstrou uma redução significativa no escore Z do IMC. A diferença média padronizada (SMD) foi de -1.03.

Um achado importante que confere alta credibilidade a esse resultado é a ausência de heterogeneidade estatística entre os estudos para este desfecho , sugerindo que o efeito é consistente e replicável.

Ademais, apesar da alta heterogeneidade nas meta-análises, os modelos de efeitos aleatórios mostraram uma redução significativa nos níveis de HbA1c e glicemia de jejum no grupo experimental em comparação com os controles.

Os resultados indicaram que a intervenção avaliada não foi associada a um risco significativo de eventos adversos totais em comparação com o placebo. 

Contudo, os achados sugeriram uma possível associação entre a intervenção com liraglutida e um risco aumentado de hipoglicemia, mas sem significância estatística.

Conclusão

Em resumo, os resultados revelaram que a liraglutida está associada a uma redução significativa no peso corporal, representada por uma redução no escore z do IMC, sem evidências significativas de efeitos colaterais importantes.

Assim, sugere-se que a liraglutida pode ser uma opção terapêutica útil na obesidade infantil, especialmente em pacientes que não têm resultados com intervenções convencionais.

No entanto, sua implementação deve ser individualizada, considerando os potenciais efeitos adversos, e um monitoramento rigoroso deve ser realizado para garantir a segurança.

De acordo com os cientistas, estudos futuros com um número maior de participantes e um acompanhamento mais longo poderão fornecer informações mais detalhadas sobre a sustentabilidade do efeito da liraglutida e seu impacto em outros desfechos metabólicos importantes.

Para ler o artigo científico completo, clique aqui.

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