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Manejo de pancreatite crônica em crianças

Novo posicionamento da Sociedade Norte Americana de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica e o Comitê de Nutrição e Pâncreas reúne as recomendações mais atuais para manejo de pancreatite crônica (PC) em crianças.

Ao considerar que o pâncreas é uma glândula exócrina e endócrina responsável pela secreção de enzimas e hormônios que viabilizam a homeostase glicêmica, digestão e absorção de nutrientes, o comprometimento deste órgão pode levar a insuficiência pancreática exócrina e diabetes mellitus. Em caso de insuficiência pancreática exócrina, a apresentação pode ocorrer de maneira subclínica ou com manifestações como dor e/ou distensão abdominal, gases, fezes fétidas e esteatorreia.

A distribuição de macronutrientes depende do estado de saúde e da idade. Especialistas consideram que a restrição de gordura pode colocar os pacientes em risco desnecessário e, dentre 4 a 18 anos, uma dieta saudável deve consistir de 45% a 60% de carboidratos, 10% a 30% de proteína e 25% a 35% de gordura. Em crianças com PC, as recomendações atuais apoiam dieta normolipídica, a menos que a hipertrigliceridemia seja a etiologia subjacente.

Quando há fibrose cística associada à insuficiência pancreática exócrina, a absorção insuficiente de gordura pode ser associada ao atraso no desenvolvimento puberal, mau estado nutricional, diabetes e doença hepática. Portanto, em pacientes pediátricos com fibrose cística, é recomendada dieta rica em gordura, com um aporte maior que 35% do total diário de calorias. Este padrão dietético deve ser realizado em conjunto com terapia de reposição enzimática pancreática, avaliação de parâmetros de crescimento e monitoramento de atraso puberal.

Há risco de deficiências de micronutrientes em crianças com PC, particularmente das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. A deficiência de vitamina D pode contribuir para maior prevalência de osteopenia e osteoporose em adultos com PC. Em pacientes com fibrose cística, pode haver risco de deficiência de ácidos graxos essenciais, mas não está claro se isso se aplica a todos os pacientes que além da PC também possuem insuficiência pancreática exócrina.

Na vigência de PC associada à insuficiência pancreática exócrina, recomenda-se o uso de terapia de reposição enzimática. Na alimentação via oral, a dosagem pode ser definida de acordo com o peso do paciente ou com o teor de gordura de uma refeição ou lanche. Por peso, considerar de 500 a 1000 unidades de lipase/kg/refeição e pelo teor de gordura de uma refeição de 500 a 4000 unidades de lipase/g de gordura.

A prevalência de diabetes em crianças com PC varia entre 4 a 9% e o risco de desenvolvimento de diabetes tende a ser maior na vida adulta, por volta dos 50 anos de idade. Devido ao alto risco de desenvolvimento de diabetes, é aconselhado que crianças com pancreatite crônica realizem anualmente exames para dosar hemoglobina glicada. O crescimento e a ingestão alimentar devem ser revisados a cada visita clínica, que deve ser feita no mínimo a cada 6 a 12 meses. A análise laboratorial das vitaminas lipossolúveis deve ocorrer a cada 12 a 18 meses, ou conforme indicação clínica.

O documento também traz orientações sobre o estilo de vida, medicamentos a serem usados na vigência de complicações e outras recomendações.

Para acessar o arquivo completo, acesse: https://journals.lww.com/jpgn/Fulltext/2021/02000/Medical_Management_of_Chronic_Pancreatitis_in.30.aspx