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Jejum intermitente no tratamento de sobrepeso e obesidade

Os malefícios do sobrepeso e obesidade são amplamente conhecidos, no entanto, muitas estratégias utilizadas no tratamento resultam em pequenas mudanças no peso corporal e são insuficientes para impacto clínico positivo a saúde. Recentemente, novas propostas dietéticas para redução do peso têm surgido, porém sem evidências científicas suficientes que apoiem sua efetividade. Por estes motivos, Harris e equipe realizaram uma meta-análise para avaliar efetividade do jejum intermitente (JI) comparado ao tratamento convencional (restrição energética contínua – REC) e controle sem tratamento dietético (ST) em adultos com excesso de peso.

Indivíduos com IMC>25kg/m2 foram divididos em três grupos, sendo o grupo JI, grupo REC com redução de 25% das calorias em relação às necessidades estimadas e grupo ST sem intervenção. Os regimes de JI variaram entre os estudos e incluíram jejum em dias alternados, jejum de dois dias e até quatro dias por semana. A duração dos estudos variou de 3 a 12 meses. Tipos de dietas para JI consistiram em 2 dias consecutivos de ingestão média de 500-600kcal/dia durante a semana e outros 5 dias com dieta restrita; alternância entre restrição < 75% das necessidades energéticas estimadas (consumidos entre 12:00 e 14:00 horas) com dieta à vontade; quatro dias por semana com 800kcal e três dias 1200kcal.

Seis estudos clínicos envolvendo 400 participantes foram incluídos nesta meta-análise. Quatro deles incluíram restrição energética contínua como uma intervenção comparativa e dois estudos incluíram uma intervenção sem controle de tratamento. Dados estatísticos mostraram que ambos tipos de tratamentos para perda de peso, JI e REC, alcançaram mudanças semelhantes no peso corporal (aproximadamente 7 kg), sem diferença significativa entre eles (p= 0,156). O grupo JI foi mais eficaz para perda de peso somente quando comparado ao grupo ST (-4,14 kg; IC 95%; p ≤ 0,001). Em relação a medidas corporais, dois estudos mostraram que o grupo JI demonstrou redução significativa da circunferência da cintura e gordura corporal comparado com grupo REC (p<0,05). Em parâmetros laboratoriais, tratamento com JI mostrou diminuição da insulina quando comparado ao REC (p=0,041), no entanto essa diferença não foi encontrada para os demais parâmetros cardiometabólicos como lipídeos totais e frações.

Os autores concluíram que ambos protocolos, JI e REC, tiveram efeitos similares na perda de peso. A restrição energética intermitente mostrou-se mais eficaz na perda ponderal somente quando comparado a nenhum tratamento dietético. A redução de medidas corporais foi mais efetiva no JI em relação ao REC quando avaliado a curto prazo de tratamento, no entanto esses achados devem ser interpretados com cautela devido ao pequeno número de estudos para esta comparação. Pesquisas futuras são necessárias para confirmar os achados desta revisão.

Referência: Harris L et al. Intermittent fasting interventions for treatment of overweight and obesity in adults: a systematic review and meta-analysis. JBI Database System Rev Implement Rep. 2018; 16(2):507-547.

Por: Marcella Gava Brandolis

Diabetes Melito Gestacional e funcionamento renal pós-parto a longo prazo

Diabetes melito gestacional (DMG) é a desordem metabólica mais comum na gravidez e está associado com eventos adversos como pré-eclâmpsia, complicações fetais e aborto precoce. Além das complicações no concepto, o DMG é fator de risco para desenvolvimento de diabetes subsequente (pós-parto) e de suas complicações em longo prazo como o comprometimento da função renal.

No estudo recentemente publicado pelo grupo Diabetes e Saúde da Mulher (DWH), foram estudadas as associações do DMG com a função renal pós-parto em longo prazo. Foram investigadas 607 mulheres com DMG, com ou sem diagnóstico subsequente da doença, e 619 gestantes sem história clínica de diabetes. O acompanhamento das participantes do estudo foi realizado com tempo médio de 13 anos após a última gestação. Durante esse período, foram avaliados a creatinina sérica, albumina urinária, taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) e a relação albumina/creatinina (RAC).

O grupo com história clínica de DMG, com ou sem diagnóstico de diabetes subsequente, apresentaram TFGe significativamente mais elevada que o grupo sem intolerância à glicose (risco relativo (rr) 3,3; IC 95%). O subgrupo de mulheres que tiveram DMG e desenvolveram diabetes subsequente (n=183) também apresentaram RAC significativamente maior [rr 1,3; IC 95%) em comparação ao grupo sem intolerância. RAC não foi significativamente elevada em mulheres que não desenvolveram a alteração metabólica pós-parto.

Os autores do estudo concluíram que as gestantes que desenvolvem DMG tem maior probabilidade de apresentar níveis elevados de TFGe no pós-parto em longo prazo. Esse fator pode indicar estágios iniciais de hiperfiltração glomerular e deve ser monitorado clinicamente para prevenir risco futuro de dano renal.

Referência: Rawal S et al. Gestational Diabetes Mellitus and Renal Function: A Prospective Study With 9- to 16-Year Follow-up After Pregnancy. Diabetes Care. 2018.

Por Priscila Garla

Prevalência de doenças hepáticas e efeito da dieta de muito baixa caloria em obesos candidatos a cirurgia bariátrica

Obesidade é um grave problema de saúde pública mundial e sua incidência está altamente associada a doenças hepáticas gordurosas não alcoólicas (DHGNA) como a esteatose simples (ES) e a esteatose hepática não alcoólica (NASH).

A literatura reporta que a incidência da DHGNA pode atingir entre 75 a 100% dos obesos candidatos a bariátrica, sendo em torno de 24 a 98% dos casos com NASH. No entanto, não está claro se essa porcentagem é registrada no período anterior ou posterior ao consumo de dieta restrita de muito baixa caloria (DMBC) prescrita por período de 1 semana anterior ao procedimento de cirurgia bariátrica. Esse protocolo dietético tem sido instituído em alguns hospitais com o objetivo de reduzir a quantidade de gordura depositada no fígado e diminuir complicações pós-operatórias pela técnica bariátrica por Y de Roux.

Recentemente, pesquisadores canadenses estudaram a incidência de doenças hepáticas e de marcadores bioquímicos metabólicos em obesos candidatos a cirurgia bariátrica que realizaram o protocolo de restrição dietética. O ensaio de coorte transversal prospectivo foi conduzido em 139 pacientes, sendo 73% do sexo feminino com idade média de 44 anos. Todos pacientes consumiram DMBC (900 calorias e 88g de proteínas por dia) por período de 1 semana antes da cirurgia. Durante o procedimento cirúrgico, biópsias do fígado foram coletadas para o realizar o diagnóstico de doenças hepáticas. Além da biópsia, os pacientes foram avaliados pela história clínica, exames laboratoriais, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura e pressão arterial.

Resultados das biópsias mostraram que 76% dos pacientes foram diagnosticados com DHGNA, sendo 62% com esteatose simples (ES) e 14% com NASH. Cerca de 24% dos pacientes operados apresentaram fígado normal sem alterações. Em pacientes com DHGNA, além da alteração em enzimas hepáticas alanina transaminase (ALT) e aspartato transaminase (AST), houve também maior resistência à insulina e diabetes tipo 2 quando comparado com aqueles obesos que apresentavam fígado normal sem alterações (p <0,05). A prática da restrição dietética por DMBC, em ambos os grupos com ou sem doenças hepáticas, resultou na redução significativa do IMC, glicose de jejum, insulina, hemoglobina glicada (HbA1c), colesterol total e frações (HDL, LDL).

Os autores do estudo concluíram que a prevalência de DHGNA foi menor que o descrito na literatura, e que parte disso pode ser resultado do protocolo dietético adotado antes da intervenção cirúrgica. Apesar da semelhança entre os grupos, eles encontraram diferenças na histologia do fígado após DMBC tanto nos indivíduos que tinham o fígado sem alterações quanto para obesos com doenças hepáticas. Pesquisadores acreditam que a resposta também pode ser influenciada por outros fatores como predisposição genética, diabetes e perfil do microbioma intestinal. Estudos futuros são necessários para investigar o efeito da DMBC a longo prazo, como uma potencial opção terapêutica para DHGNA.

Referência: Schwenger  KJP et al. Non-alcoholic Fatty Liver Disease in Morbidly Obese Individuals Undergoing Bariatric Surgery: Prevalence and Effect of the Pre-Bariatric Very Low Calorie Diet. Send to

Iogurtes com probióticos podem proteger idosos de infecções respiratórias

Infecções respiratórias agudas, como o vírus Influenza, são perigosas para população idosa devido a imunosenescência da idade (deterioração gradativa do sistema imune causada pelo envelhecimento). Além disso, nesta faixa etária existe uma má-nutrição que é caracterizada por déficits de consumo e absorção de calorias, proteínas, vitaminas, minerais, que interferem negativamente na imunidade celular.

Um estudo chinês foi realizado para testar se a suplementação de probióticos poderia proteger pessoas maiores de 45 anos de idade contra infecções agudas de vias aéreas superiores (IVAS).  O grupo intervenção foi formado por 103 participantes com média de 57 anos que recebeu suplementação diária de 300 ml de iogurte enriquecido com a cepa probiótica Lactobacillus paracasei (107 unidades formadoras de colônias) por período de 12 semanas. O grupo placebo (n= 102 participantes; média de 59 anos) foi orientado a manter o estilo de vida habitual sem consumir iogurte com probióticos.

Durante o estudo, 36% dos indivíduos do grupo suplementado apresentou diagnóstico de IVAS, enquanto que no grupo placebo a frequência foi de 51% (p=0,03). O risco relativo para IVAS no grupo com probióticos foi menor que no grupo controle (RR=0,55, IC 95%) e a porcentagem de células imunológicas (linfócitos T CD3+) foi mais alta que a encontrada no grupo não suplementado (p=0,038). Não houve diferença nos marcadores de déficits nutricionais (p>0,05).

Os autores concluem que a suplementação de iogurte com probióticos pode reduzir incidência de infecções respiratórias agudas em idosos, porém estudos clínicos com o grupo placebo-controlado se faz necessário para verificar efeito nutricional e imunológico do uso de probióticos nessa população.

Referência: Pu F, Guo Y, Li M, et al. Yogurt supplemented with probiotics can protect the healthy elderly from respiratory infections: A randomized controlled open-label trial. Clin Interv Aging. 2017 Aug 8;12:1223-1231. doi: 10.2147/CIA.S141518.

Dieta mediterrânea tem efeito mais duradouro no emagrecimento comparado com intervenções dietéticas convencionais

A dieta mediterrânea (DM) é reconhecida por exercer vários efeitos benéficos à saúde. Estudo recente avaliou a eficácia e a durabilidade de uma intervenção dietética intensiva de 3 meses com o objetivo verificar a influência da DM no peso corporal e nos fatores de risco em indivíduos com alto risco cardiometabólico. Cento e dezesseis sujeitos participaram do estudo (71 designados para a intervenção intensiva e 45 para a intervenção controle).  Os critérios de inclusão eram: homens e mulheres com idade entre 30 e 75 anos, circunferência da cintura ≥ 102 cm para homens e ≥ 88 cm para mulheres, índice de massa corpórea (IMC) entre 30 e 40 kg/m², hemoglobina glicada (HbA1c) ≥ 7%, colesterol LDL ≥ 130 mg/dl e/ou pressão arterial ≥ 140/90 mmHg.

A intervenção intensiva consistiu de 12 reuniões educacionais em grupo semanais e fornecimento gratuito de refeições preparadas de acordo com o modelo da MD. Na intervenção controle houve uma sessão de educação individual junto com reforços mensais de mensagens nutricionais pelo médico. Todos os participantes foram acompanhados por 9 meses. Os dois grupos tinham características pré-intervenção semelhantes. Após a intervenção, o peso corporal médio diminuiu significativamente nos dois grupos (p <0,001). No entanto, o grupo intervenção (DM) perdeu mais peso (6,8 ± 4,0 vs. 0,7 ± 1,3, p <0,0001) e apresentou maior redução na glicemia, triglicérides, pressão arterial e aumento do HDL colesterol que no grupo controle (p <0,01 p <0,002). No subgrupo de participantes com diabetes tipo 2, houve uma redução significativa no nível de HbA1c somente no grupo que recebeu intervenção intensiva (p <0,0001). No seguimento de 9 meses, a perda de peso ainda persistiu no grupo de intervenção (p <0,0001), enquanto foi perdida no grupo controle. Ambas as intervenções reduziram significativamente a pressão arterial a longo prazo (p <0,001). O estudo concluiu que a intervenção dietética intensiva de 3 meses inspirada na Dieta Mediterrânea produziu perda de peso maior e mais duradoura; além de reduzir risco cardiometabólico comparado a intervenção controle.

Referência: Grimaldi M et.al. Intensive dietary intervention promoting the Mediterranean diet in people with high cardiometabolic risk: a non-randomized study. Acta Diabetol. 2018;55(3):219-226.  doi: 10.1007/s00592-017-1078-7.

Preditores antropométricos e demográficos de força do aperto de mão (FAM) e medida da massa magra em indivíduos hospitalizados

A força do aperto de mão (FAM) é um método antropométrico validado e viável para a mensuração da força muscular em pessoas saudáveis e pacientes hospitalizados. Recentemente, a avaliação da qualidade de massa magra, obtida pela FAM e pela medida da massa muscular (MM), tem sido investigada como um indicador preditor de desfechos clínicos negativos de complicações, maior tempo de internação, custos e mortalidade em pacientes hospitalizados.

No estudo publicado por Rossato e seus colaboradores avaliou-se os principais preditores antropométricos e demográficos da medida da FAM e da qualidade da MM em 136 pacientes hospitalizados, de ambos os sexos, com faixa etária entre 18 e 86 anos. As medidas estudadas foram peso, altura, índice de massa corpórea (IMC), circunferência da cintura (CC), FAM avaliada por dinamômetro, MM por bioimpedância elétrica e dados demográficos (sexo, idade). Para identificação dos preditores utilizou-se testes estatísticos de regressão linear padrão e adotou-se nível de significância com p < 0,05.

Resultados do estudo mostraram que os pacientes com baixa FAM eram mais velhos, apresentavam menor peso corpóreo, massa muscular diminuída e menor massa magra quando comparado a pacientes com FAM adequada. Não foram observadas diferenças estatísticas em relação ao IMC, gordura corporal e CC. Para os autores do estudo, o principal preditor da FAM em indivíduos hospitalizados foi a medida de massa magra, que apresentou associação estatística significativa em todos os modelos estatísticos de regressão (p<0,001). Embora tenha sido encontrada uma associação estatística mais baixa, o sexo e a maior proporção de obesidade abdominal foram associados a menor qualidade de massa magra. Novos estudos ainda se fazem necessários para avaliar a influência da composição corporal na força muscular e no prognóstico clínico na população de pacientes hospitalizados.

 

Rossato LT et al. Anthropometric and demographic predictors of handgrip strength and lean mass quality in hospitalized individuals. Clin Nutr ESPEN. 2018 Apr;24:58-61.

Associação entre resistência à insulina e depressão em jovens obesos

Depressão e resistência à insulina (RI) são cada vez mais prevalente entre os jovens e têm sido tradicionalmente compartimentadas, entretanto, evidências recentes sugerem associação entre essas síndromes. No contexto de sintomas depressivos, a RI está associada a estrutura disforme e conectividade funcional na região do córtex cingulado anterior (CCA) e no hipocampo. Esse circuito neural motivacional aumenta a sensibilidade aos aspectos recompensadores da ingestão de alimentos altamente calóricos que levam a ingestão alimentar, mesmo quando saciados. Para investigar esse mecanismo, estudo recente avaliou 42 jovens com depressão e sobrepeso entre 9 e 17 anos. Os pesquisadores investigaram associações entre resistência à insulina, depressão e avaliaram a estrutura e conectividade funcional do CCA-hipocampo. Os resultados mostraram que os jovens com maior RI apresentaram níveis mais elevados de anedonia (perda da capacidade de sentir prazer, comum nos estados depressivos) e maior procura de alimentos. Jovens com altos níveis de RI, CCA mais fino e menores no hipocampo foram associados a sintomas depressivos mais graves, enquanto o oposto foi verdadeiro para os jovens com baixos níveis de RI. A rede motivacional do CCA-hipocampo que auxilia a depressão e a RI separadamente, pode representar uma interação neural crítica que liga essas duas síndromes.

Referência: Singh MK, Leslie SM, Packer MM, et al. Brain and behavioral correlates of insulin resistance in youth with depression and obesity. Horm Behav. 2018 Mar 26. pii: S0018-506X(17)30501-9.

Influência da alimentação ocidental na microbiota intestinal de indivíduos veganos, vegetarianos e onívoros: um estudo transversal

O padrão alimentar e o estilo de vida têm uma forte influência sobre a microbiota intestinal. Apesar dos grandes avanços nessa área, ainda não está claro até que ponto a composição da microbiota intestinal é modulada pela ingestão de produtos derivados de animais, em comparação com uma dieta à base de vegetais.

Estudo publicado esse mês na revista Frontiers in Microbiology, investigou a composição da microbiota intestinal de 101 indivíduos distribuídos em grupos homogêneos para variáveis conhecidas por terem um papel na modulação da composição microbiana do intestino, como idade, variáveis antropométricas, etnia e localização geográfica. Os participantes foram categorizados em três grupos sendo: 26 veganos (não consumiam nada de origem animal), 32 vegetarianos (consumiam ovos e lácteos) e 43 onívoros. Todos os participantes foram avaliados quanto ao estado nutricional, conforme o índice de massa corporal (IMC) e análise de bioimpedância elétrica. Dados quantitativos e qualitativos sobre a ingestão dietética habitual foram avaliados e amostra fecal coletada para análise.

Em relação à microbiota intestinal, os vegetarianos tiveram uma riqueza significativamente maior em comparação aos onívoros. Além disso, o número de bactérias do tipo Bacteroidetes foi maior em veganos e vegetarianos em comparação com os onívoros. Curiosamente, considerando toda a composição da comunidade bacteriana, as três coortes foram muito semelhantes, provavelmente devido à sua ingestão comum em termos de nutrientes, por exemplo, pelo maior teor de gordura e redução da ing

estão de proteínas e carboidratos na dieta. Esse achado sugere que escolhas alimentares influenciam a microbiota, mas não permitem inferir conclusões sobre a composição da microbiota intestinal. Os autores concluem que as pesquisas em que os indivíduos são categorizados com base em seus tipos de alimentação são de uso limitado para estudos científicos, pois precisam de mais variáveis relacionadas ao estilo de vida geral para uma melhor interpretação do perfil da microbiota intestinal.

Referência: Losasso C et al. Assessing the Influence of Vegan, Vegetarian and Omnivore Oriented Westernized Dietary Styles on Human Gut Microbiota: A Cross Sectional Study. Front Microbiol. 2018: 5;9:317.

Efeito da suplementação de probióticos na perda de peso e redução de medidas corpóreas em adultos com sobrepeso e obesidade

Nas últimas décadas, o aumento crescente da população obesa e com sobrepeso se tornou motivo de preocupação na saúde pública global.  Deste então, estratégias dietéticas têm sido investigadas com o objetivo de auxiliar na perda de peso e reduzir incidência de doenças metabólicas relacionadas a obesidade. Recentemente, pesquisadores da Noruega publicaram uma meta-análise, que avaliou o efeito da suplementação de probióticos na diminuição do peso e de medidas corpóreas na população com sobrepeso e obesidade.

Quinze estudos foram incluídos nessa revisão totalizando uma amostra de 957 indivíduos. As mulheres representavam 63% da população estudada. Nos estudos, os indivíduos foram aleatoriamente sorteados para receber suplementação de probióticos por período médio entre 3 a 12 semanas ou suplemento do tipo placebo (grupo controle). Os probióticos suplementados foram de diferentes cepas, em maioria representados por lactobacilos e bifidobactérias, e foram utilizados diariamente na forma de cápsulas em quantidade sugerida pelo fabricante ou realizada pelo consumo alimentar diário de produtos lácteos fermentados.

Dos 15 ensaios clínicos, 13 mostraram diminuição significativa no peso (-0,6 Kg) e no IMC (-0,27 Kg/m²); e 7 estudos encontraram uma redução da porcentagem de gordura corporal (-0,6%) comparado com o grupo placebo, porém não houve redução significativa quando avaliado a gordura corporal em kg (-0,42 kg). Apesar da maioria dos estudos mostrarem a redução significativa das medidas corporais e do peso com uso de probióticos, o impacto dessa diminuição é baixo para reverter o quadro de excesso de peso. Os autores desta revisão concluem que novos ensaios clínicos que investiguem a suplementação de probióticos por período prolongado (>12 semanas) é promissor como parte de uma estratégia dietética adequada para a perda de peso.

 

Referência: Borgeraas H et al. Effects of probiotics on body weight, body mass index, fat mass and fat percentage in subjects with overweight or obesity: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Obes Rev. 2018 Feb;19(2):219-232.

Efeito de dietas hipocalóricas com diferentes distribuições de gorduras na redução do peso e do risco cardiovascular em indivíduos obesos

Estudo publicado em 2018 mostrou que indivíduos que possuem o polimorfismo  rs10767664 do gene BDNF (fator neurotrófico derivado cerebral) apresenta redução na resistência insulínica e nas concentrações plasmáticas de insulina após perda de peso com dieta hipocalórica enriquecida com ácidos graxos monoinsaturados (MUFAs). Nesse estudo foram selecionados adultos obesos que foram randomizados em dois grupos: “GRUPO DIETA P” que recebeu dieta hipocalórica rica em ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) e “GRUPO DIETA M” que recebeu dieta hipocalórica rica em ácidos graxos monoinsaturados (MUFAs). Ambas as dietas continham em torno de 1440 kcal, possuiam a mesma distribuição de macronutrientes e foram seguidas por três meses.

Dos 361 indivíduos estudados, 59,8% apresentaram o genótipo AA e 40,2% apresentaram genótipos AT ou TT. Após a perda de peso com dieta P e dieta M, o IMC, peso corporal total, gordura corporal, circunferência da cintura, pressão arterial sistólica, níveis séricos de leptina, colesterol total e LDL diminuíram de forma significativa em ambos os grupos de dieta e genótipos. Secundário a perda de peso com a dieta M e apenas no grupo que apresentaram genótipo AA, os níveis de insulina e a resistência insulinica diminuiram (p <0,05). Os autores concluíram que o variante rs10767664 do gene BDNF diminui a resistência a insulina e melhora os níveis de insulina após perda de peso com dieta hipocalórica enriquecida com MUFAs.

Referência: de Luis DA et al. Cardiovascular Risk Factors and Insulin Resistance after Two Hypocaloric Diets with Different Fat Distribution in Obese Subjects: Effect of the rs10767664 Gene Variant in Brain-Derived Neurotrophic Factor. J Nutrigenet Nutrigenomics. 2018 Jan 17;10(5-6):163-171.