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Suplementação de multivitamínico e Risco de Doença cardiovascular

A suplementação de cápsulas multivitamínicas (CM) tem se tornado popular nos últimos anos. Os seus consumidores buscam melhorar a saúde e prevenir doenças, especialmente as doenças cardiovasculares (DCVs). No entanto, apesar da popularidade do uso de CM, a evidência científica sobre seus benefícios ainda é controversa.

Com objetivo de avaliar eficácia dos complexos vitamínicos na saúde cardiovascular de adultos e idosos, pesquisadores americanos da Universidade de Baltimore realizaram uma meta-análise de 18 estudos clínicos que totalizaram mais de 2 milhões de participantes.  Os estudos apresentaram diferentes doses de CM e do tempo de suplementação. Para diminuir vieses da análise, os autores estratificaram a amostra total dos participantes em subgrupos distintos de acordo com período de suplementação, idade, sexo, dieta, sedentarismo, tabagismo e história prévia de AVC.

Resultados mostraram que não houve associação entre suplementação de CM e redução do risco de mortalidade por DCVs em geral (risco relativo [RR]= 1; IC 95%). Quando avaliado doenças específicas, também não houve diferença na taxa de mortalidade por doença coronariana (RR= 1,02; IC 95%) e por acidente vascular cerebral (RR= 0,95; IC 95%).

Em relação a incidência, o estudo encontrou que a suplementação de CM apresentou menor risco a incidência de doença coronariana na população em geral (RR= 0,88; IC 95%). No entanto, quando análise foi separada pelos subgrupos citados anteriormente, esse resultado não foi significativo. Os autores concluíram que a suplementação com cápsulas multivitamínicas não é garantia de melhora dos desfechos cardiovasculares na população em geral.

Referência: Kim J, Choi J, Kwon SY, et al. Association of Multivitamin and Mineral Supplementation and Risk of Cardiovascular Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. Circ Cardiovasc Qual Outcomes. 2018; 11(7):e004224.

Por: Priscila Garla

Fitoterápicos e Rendimento Esportivo

 

O uso de suplementos a base de plantas tem aumentado em atletas e praticantes de atividade física. Esses produtos, também chamados de fitoterápicos, podem ser extraídos de sementes, raízes, folhas, cascas, bagas ou flores, e conter diversas classes de fitoquímicos como carotenoides, polifenóis, ácidos fenólicos, alcalóides, flavonóides, glicosídeos, saponinas e lignanas. Acredita-se que fitoterápicos podem trazer benefícios para a saúde; e alguns deles tem sido usados com objetivo de aumentar a força muscular e o rendimento esportivo. Neste sentido, um artigo recentemente publicado pela revista Journal of the International Society of Sports Nutrition revisou categorias de suplementos a base de plantas e seus benefícios na performance esportiva.

Panax ginseng (Ginseng) é um dos fitoterápicos mais populares entre atletas e tem sido utilizado para efeito anti-inflamatório, antioxidante, estimulante da função cerebral, anabólico e para melhorar sistema imune e performance física. A cafeína, metilxantina encontrada em algumas plantas, pode ter benefícios de saúde e exercer efeitos ergogênicos em exercícios de endurance e performance anaeróbia, porém seu consumo em doses elevadas (> 400 mg/dia) pode levar a efeitos colaterais negativos. Zingiber officinale Roscoe (Gengibre) foi apontado como seguro e pode apresentar efeitos anti-inflamatórios. O extrato da Camellia sinensis (L.) (Chá verde) tem sido usado ​​para melhorar a massa corporal e a composição em atletas. Outras ervas como Rhodiola rósea L. e Astragalus propinquus ajudam a aliviar dores musculares e nas articulações, mas os resultados sobre os seus efeitos no desempenho esportivo ainda são escassos.

Algumas plantas mostraram efeitos adversos nessa população. O composto bioativo efedrina, que pode atuar na capacidade aeróbica, fadiga e estado de alerta durante exercício (com diminuição do tempo de reação), teve seu uso vedado. Seus efeitos colaterais mostraram aumento de distúrbio do sono, ansiedade, dor de cabeça, alucinação, hipertensão arterial, frequência cardíaca acelerada, perda de apetite e incapacidade de urinar.

Os autores dessa revisão alertam que, apesar de efeitos positivos, os suplementos a base de plantas devem ser usados com precaução, pois altas doses podem causar efeitos colaterais, principalmente no sistema gastrointestinal e renal. A orientação por profissionais de saúde como médico e nutricionista especializados é recomendada para adequado uso de suplementos fitoterápicos com efeito satisfatório e seguro no rendimento físico.

Referência: Sellami M, Slimeni O, Pokrywka A, Kuvačić G, D Hayes L, Milic M, Padulo J. Herbal medicine for sports: a review. J Int Soc Sports Nutr. 2018 Mar 15;15:14.

Por: Lenycia Neri

Sarcopenia e Doença Inflamatória Intestinal: Uma Revisão Sistemática.

A sarcopenia está associada ao aumento da morbidade e mortalidade em cirurgia oncológica e no transplante. Essa condição também tem uma alta incidência em estados inflamatórios crônicos como na Doença Inflamatória Intestinal (DII). Muitos pacientes com DII são jovens, podem ser desnutridos e frequentemente necessitam de cirurgia de emergência. A presença de sarcopenia nessa população pode agravar a necessidade de intervenção cirúrgica e as complicações pós-operatórias, no entanto dados da literatura científica ainda são limitados.

Uma recente revisão sistemática avaliou o impacto da sarcopenia em pacientes com DII e correlacionou com a necessidade de cirurgia. Foram incluídos 5 estudos clínicos na revisão com o total de 658 pacientes. A maioria (70%) tinha diagnóstico de doença de Crohn e a mediana do índice de massa corporal (IMC) e do índice de massa muscular esquelética (IMM) relatados em 4 estudos foram de 16,58 kg/m2 e 44,52 cm2/m2, respectivamente. Quarenta e dois por cento dos pacientes com DII apresentavam sarcopenia, embora nenhum dos estudos analisou o componente anatômico e funcional, necessários para avaliação diagnóstica correta da sarcopenia. Três estudos observaram que pacientes com DII sarcopênica tinham maior probabilidade de necessitar de cirurgia; e a taxa de complicações pós-operatórias foi significativamente maior nesses pacientes.

Os autores concluíram que a presença de sarcopenia está associada a maiores complicações em doentes com DII e pode aumentar necessidade de intervenção cirúrgica. O adequado manejo nutricional através da triagem nutricional e intervenção dietética pré e pós-cirurgia realizada por nutricionista especializado em DII, bem como a fisioterapia pré-operatória podem atenuar o risco de complicações associadas a sarcopenia.

Referência: Ryan E, McNicholas D, Creavin B, Kelly ME, Walsh T, Beddy D. Sarcopenia and Inflammatory Bowel Disease: A Systematic Review. Inflamm Bowel Dis. 2018; 7. Link:

Por: Maria Carolina Gonçalves Dias

Prevalência, motivos e duração da interrupção da nutrição enteral em UTI terciária

A interrupção da nutrição enteral (NE) é uma prática frequente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Entretanto, os motivos, a prevalência e duração das interrupções da NE nem sempre são conhecidas. Lee e colaboradores realizaram uma análise prospectiva para avaliar a interrupção da NE em pacientes críticos adultos em ventilação mecânica, incluindo grupo de doentes que evoluíram a óbito e grupo com sobrevida de até 60 dias.

Foram estudados 148 pacientes que utilizaram NE por mais de 1 dia durante o período de observação máximo de 12 dias. Foram registrados 332 episódios de interrupção de NE, que corresponde a 12,8% (4190 horas) do total de dias avaliados. Para cada paciente, houve interrupção média de 3 dias e a duração total da interrupção para toda a permanência na UTI foi de 24,5 horas. O déficit nutricional mediano devido às interrupções da NE foi de -1780,23 calorias e -100,58 gramas de proteína por paciente. Não houve diferença significativa na duração da interrupção e na quantidade de déficit calórico e proteico entre pacientes que evoluíram a óbito comparado ao grupo com sobrevida de até 60 dias.

O estudo concluiu que 72% das interrupções da NE ocorreram principalmente devido fatores humanos, enquanto 20% ocorreu por intolerância a dieta. Os autores sugerem que interrupções da NE por fatores humanos podem ser minimizados com a implantação de protocolos de nutrição e atuação de equipe multiprofissional de terapia nutricional (EMTN) em UTI.

Referência: Lee ZY, Ibrahim NA, Mohd-Yusof BN. Prevalence and duration of reasons for enteral nutrition feeding interruption in a tertiary intensive care unit. Nutrition. 2018; 31; 53:26-33.

Por: Lidiane Catalani

Eficácia de dieta pobre em FODMAP na melhora dos sintomas de Doenças Inflamatórias Intestinais, Síndrome do Intestino Irritável e Doença Celíaca

Desordens intestinais estão frequentemente associadas com persistência de sintomas gastrintestinais como flatulência, inchaço, diarreia ou constipação e dor abdominal. A causa destes sintomas está relacionada com a funcionalidade alterada do intestino, do sistema nervoso entérico e com a má absorção de carboidratos devido à alta atividade osmótica e fermentativa.

Nos últimos anos, a dieta pobre em FODMAPs vem sendo bastante estudada no manejo dos sintomas associados as desordens inflamatórias do intestino e consiste no uso de pequenas quantidades de oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis (FODMAPs). Dentro desse contexto, recentemente pesquisadores italianos estudaram o efeito da dieta pobre em FODMAPs em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), Síndrome do Intestino Irritável (SII) e na Doença Celíaca (DC).

O estudo envolveu 146 pacientes, sendo 39 com DII, 64 com SII e 43 com DC. Todos pacientes receberam intervenção dietética. A dieta pobre em FODMAPs foi prescrita por um nutricionista pelo período de 12 semanas, no qual os pacientes foram instruídos a comer de acordo com seu apetite e foram orientados a preencher questionários que avaliam a qualidade de vida (questionário SF-36). Esses parâmetros foram avaliados no período zero antes de iniciar a dieta (TO); um mês (T1) e três meses (T3) após o início da dieta. A avaliação final dos resultados incluiu o total de 127 pacientes, sendo 30 com DII, 56 com SII e 41 com CD); o restante interrompeu o estudo devido a dificuldades de seguir a dieta orientada.

Os sintomas gastrintestinais melhoraram significativamente em todos indivíduos após 1 e 3 meses de início da dieta FODMAPs quando comparado ao período anterior (T0) (p <0,001), porém não houve diferença significativa entre os grupos quando comparado o período de 3 meses com dieta. Ao analisar os resultados do questionário SF-36, não foram observadas diferenças significativas entre os três grupos em relação a resposta à dieta, porém houve melhora clínica de sintomas e da qualidade de vida quando comparado os períodos antes e após intervenção (T0 vs T3).

Os autores concluíram que a dieta pobre em FODMAPs é uma ferramenta terapêutica eficaz a curto e médio prazo para combater sintomas gastrintestinais e melhorar qualidade de vida dos indivíduos que sofrem com desordens gastrintestinais.

Referência: Testa A, Imperatore N, Rispo A, et al. Beyond Irritable Bowel Syndrome: The Efficacy of the Low Fodmap Diet for Improving Symptoms in Inflammatory Bowel Diseases and Celiac Disease. Dig Dis. 2018; 15:1-10.

Por: Patrícia Morais

Influência de dietas pobres em glúten e FODMAP em indivíduos com sensibilidade ao glúten não-celíaca

A grande maioria da população sofre com problemas gastrointestinais como flatulência excessiva, inchaço abdominal, diarreia e constipação; que são situações frequentemente relacionadas a má digestão de alimentos. Indivíduos que apresentam a Síndrome do Intestino Irritável ou sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC) apresentam esses sintomas com maior frequência ao consumir certos alimentos e, por esse motivo, estudos mostram que grande parte deles se beneficiariam da dieta com baixo teor de FODMAPs.

FODMAP é a sigla em inglês para Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols (oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis) e são compostos alimentares rapidamente fermentados por microrganismos que habitam nosso intestino. A SGNC é caracterizada por sintomas intestinais e extra intestinais desencadeados pela ingestão de glúten. No entanto, têm se estudado que uma dieta reduzida de FODMAP parece melhorar parcialmente esses sintomas.

Um estudo recentemente publicado estudou por períodos distintos a influência da dieta com baixo FODMAP e glúten em sinais clínicos e psicológicos como bem-estar, inflamação e integridade da microbiota intestinal. Dezenove pacientes com SGNC e 10 indivíduos saudáveis ​(controle) ​consumiram dieta padrão com glúten antes de iniciar o estudo. Na primeira etapa, participantes consumiram dieta com baixo FODMAP por duas semanas. Após esse período, participantes realizaram período de transição de cinco dias e iniciaram a segunda parte de estudo com ingestão de dieta sem glúten por mais duas semanas.

Ambas dietas, com baixo FODMAP e glúten, mostraram melhora significativa dos sinais clínicos e psicológicos em indivíduos com SGNC. Diferenças significativas na composição da microbiota intestinal foram observadas em amostras de fezes em todos os participantes, com maior variabilidade nos pacientes com SGNC. No período da dieta sem glúten encontrou-se redução significativa dos linfócitos duodenais intra epiteliais e nas células caliciformes (produtoras de mucina). Os autores do estudo concluíram que ambas as dietas tiveram efeito funcional positivo na SGNC através da diminuição da reação do sistema imunológico e do desiquilíbrio microbiano intestinal, especialmente com uma dieta sem glúten.

Referência: Dieterich W, Schuppan D, Schink M, Schwappacher R, Wirtz S, Agaimy A, Neurath MF, Zopf Y. Influence of low FODMAP and gluten-free diets on disease activity and intestinal microbiota in patients with non-celiac gluten sensitivity. Clin Nutr. 2018: S0261-5614(18)30129-8. 

Por: Mariane Marques

Níveis séricos de vitamina D e câncer de mama triplo negativo

Entre os tipos de câncer de mama, o triplo negativo é o que apresenta pior prognóstico, maior propensão a ser mais agressivo e não há uma terapia alvo bem definida. A sua incidência é maior em mulheres mais jovens, de origem africana, de descendência hispânica e com variante genética para o gene BRCA1. Sendo assim, identificar os fatores de risco modificáveis para esse tipo específico de câncer de mama é um passo importante para reduzir sua prevalência.

É sabido que dentre as muitas funções da vitamina D estão a modulação da proliferação celular, angiogênese, diferenciação celular e apoptose. A partir dessas propriedades antineoplásicas da vitamina D e estudos controversos na literatura até o momento, pesquisadores de Ohio realizaram uma revisão sistemática respondendo a seguinte pergunta: “Existe uma relação entre níveis mais baixos de vitamina D (no soro e plasma) com aumento do risco de câncer de mama triplo negativo?”.

Para a revisão, foram pesquisados artigos originais nas bases de dados Embase e Pubmed. Ensaios clínicos que não forneceram estimativas de risco estratificadas pelo status do receptor foram excluídos. Quatorze estudos foram incluídos nesta revisão sistemática, contabilizando 13.135 casos. Como resultados, pesquisadores encontraram associação significativa entre níveis mais baixos de vitamina D e o diagnóstico de câncer de mama, sendo 37% para todos os tipos de cânceres de mama e 88% para o tipo triplo negativo. Como limitações dessa revisão, os autores relatam que não foi possível agrupar os resultados somente de acordo com o tipo de câncer triplo negativo, as variações nos pontos de corte para determinar os níveis de vitamina D variaram entre os estudos, as associações temporais entre a duração da deficiência de vitamina D e o risco de câncer de mama não puderam ser determinadas, os estudos representaram predominantemente mulheres caucasianas e ausência de padronização nos exames para determinar os níveis (soro ou plasma) de vitamina D.

Para concluir, os achados dessa revisão apoiam a hipótese de que níveis mais baixos de vitamina D aumentam o risco de câncer de mama triplo negativo, embora mais pesquisas são necessárias para determinar se essa associação é causativa. Os autores sugerem que mulheres devem ser rotineiramente rastreadas para deficiência de vitamina D, principalmente as que pertencem a populações vulneráveis.

Referência: Tommie JL, Pinney & Laurie ASM, Nommsen-Rivers. Serum Vitamin D Status and Breast Cancer Risk by Receptor Status: A Systematic Review. Nutrition and Cancer. 2018; 21:1-17.

Por: Jana Grenteski 

Efeito de Azeites virgens com diferentes compostos bioativos na Síndrome Metabólica e em biomarcadores de risco funcional endotelial

A Síndrome metabólica (SM) está associada ao risco aumentado de doenças cardiovasculares (DCV), que é a principal causa de incapacidade e mortalidade nos países industrializados. Sua etiologia está associada a uma resposta inflamatória crônica caracterizada pela produção anormal de citocinas, que leva a disfunção endotelial.

Estudos prévios sugerem efeito protetor dos compostos fenólicos do azeite de oliva na disfunção endotelial. Nesse sentido, em ensaio randomizado duplo-cego controlado, Sanchez-Rodriguez et al., avaliaram o efeito de azeites virgens (AV) enriquecidos com compostos fenólicos e compostos químicos triterpenos em biomarcadores da SM e da função endotelial em adultos saudáveis. O estudo teve duração de três semanas de intervenção envolvendo 58 indivíduos suplementados com dose diária (30 mL) de três tipos de azeite virgem: (1) AV (124 ppm de compostos fenólicos e 86 ppm de triterpenos); (2) AV otimizado (AVO) (490 ppm de compostos fenólicos e 86 ppm de triterpenos); e (3) azeite funcional (AF) rico em compostos fenólicos (487 ppm) e enriquecido com triterpenos (389 ppm). Biomarcadores da SM e da função endotelial foram determinados in vivo e ex vivo.

Após ingestão dos três azeites, houve diminuição dos níveis plasmáticos e em culturas de células sanguíneas do biomarcador endotelina-1 (ET-1), um potente vasoconstritor que aumenta pressão sanguínea. O AV com pelo menos 124 ppm de compostos fenólicos, independentemente do teor de triterpenos, também melhorou os níveis sistêmicos de endotelina-1 in vivo e ex vivo. A ingestão diária de AVO, enriquecido em compostos fenólicos, melhorou o perfil plasmático do colesterol HDL, embora não tenham sido encontradas diferenças ao final das três intervenções. Nenhum efeito de triterpenos foi observado após três semanas de intervenções. Os autores concluíram que os resultados do estudo precisam ser confirmados em indivíduos com SM e comprometimento da função endotelial.

Referência: Sanchez-Rodriguez E et al. Effects of Virgin Olive Oils Differing in Their Bioactive Compound Contents on Metabolic Syndrome and Endothelial Functional Risk Biomarkers in Healthy Adults: A Randomized Double-Blind Controlled Trial. Nutrients. 2018 May 16;10(5).

Por: Renata Gonçalves

Consumo de capsaicina na prevenção da Síndrome Metabólica

A capsaicina, o principal constituinte ativo da pimenta, é um agonista do receptor de potencial transiente vanilóide 1 (TRPV1). Estudo de revisão publicado nesse mês na revista Nutrients, mostrou que o TRPV1 está presente em muitos tecidos metabolicamente ativos, tornando-se um alvo importante para intervenções metabólicas. Sabe-se que resistência à insulina e obesidade são os principais componentes da síndrome metabólica (SM); e aumentam o risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e doença hepática gordurosa não alcoólica.

Estudos in vitro e pré-clínicos estabeleceram a eficácia da baixa dose de capsaicina na dieta para atenuação de distúrbios metabólicos. Estas respostas da capsaicina são mediadas através da ativação do TRPV1, que pode então modular beneficamente processos como escurecimento das células que armazenam gordura (adipócitos), e ativação de moduladores metabólicos incluindo proteína quinase ativada por AMP (AMPK), receptor ativado por proliferador de peroxissoma α (PPARα), proteína desacopladora 1 (UCP1) e peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1). A modulação dessas vias pela capsaicina pode aumentar a oxidação da gordura, melhorar sensibilidade à insulina, diminuir gordura corporal e melhorar função cardíaca e hepática. Segundo os autores dessa revisão, a identificação de formas adequadas de administrar capsaicina a uma dose eficaz justificaria o seu uso clínico através da ativação do TRPV1.

Referência: Panchal SK, Bliss E, Brown L. Capsaicin in Metabolic Syndrome. Nutrients. 2018; 17:10(5).

Por: Priscila Sala

Jejum intermitente no tratamento de sobrepeso e obesidade

Os malefícios do sobrepeso e obesidade são amplamente conhecidos, no entanto, muitas estratégias utilizadas no tratamento resultam em pequenas mudanças no peso corporal e são insuficientes para impacto clínico positivo a saúde. Recentemente, novas propostas dietéticas para redução do peso têm surgido, porém sem evidências científicas suficientes que apoiem sua efetividade. Por estes motivos, Harris e equipe realizaram uma meta-análise para avaliar efetividade do jejum intermitente (JI) comparado ao tratamento convencional (restrição energética contínua – REC) e controle sem tratamento dietético (ST) em adultos com excesso de peso.

Indivíduos com IMC>25kg/m2 foram divididos em três grupos, sendo o grupo JI, grupo REC com redução de 25% das calorias em relação às necessidades estimadas e grupo ST sem intervenção. Os regimes de JI variaram entre os estudos e incluíram jejum em dias alternados, jejum de dois dias e até quatro dias por semana. A duração dos estudos variou de 3 a 12 meses. Tipos de dietas para JI consistiram em 2 dias consecutivos de ingestão média de 500-600kcal/dia durante a semana e outros 5 dias com dieta restrita; alternância entre restrição < 75% das necessidades energéticas estimadas (consumidos entre 12:00 e 14:00 horas) com dieta à vontade; quatro dias por semana com 800kcal e três dias 1200kcal.

Seis estudos clínicos envolvendo 400 participantes foram incluídos nesta meta-análise. Quatro deles incluíram restrição energética contínua como uma intervenção comparativa e dois estudos incluíram uma intervenção sem controle de tratamento. Dados estatísticos mostraram que ambos tipos de tratamentos para perda de peso, JI e REC, alcançaram mudanças semelhantes no peso corporal (aproximadamente 7 kg), sem diferença significativa entre eles (p= 0,156). O grupo JI foi mais eficaz para perda de peso somente quando comparado ao grupo ST (-4,14 kg; IC 95%; p ≤ 0,001). Em relação a medidas corporais, dois estudos mostraram que o grupo JI demonstrou redução significativa da circunferência da cintura e gordura corporal comparado com grupo REC (p<0,05). Em parâmetros laboratoriais, tratamento com JI mostrou diminuição da insulina quando comparado ao REC (p=0,041), no entanto essa diferença não foi encontrada para os demais parâmetros cardiometabólicos como lipídeos totais e frações.

Os autores concluíram que ambos protocolos, JI e REC, tiveram efeitos similares na perda de peso. A restrição energética intermitente mostrou-se mais eficaz na perda ponderal somente quando comparado a nenhum tratamento dietético. A redução de medidas corporais foi mais efetiva no JI em relação ao REC quando avaliado a curto prazo de tratamento, no entanto esses achados devem ser interpretados com cautela devido ao pequeno número de estudos para esta comparação. Pesquisas futuras são necessárias para confirmar os achados desta revisão.

Referência: Harris L et al. Intermittent fasting interventions for treatment of overweight and obesity in adults: a systematic review and meta-analysis. JBI Database System Rev Implement Rep. 2018; 16(2):507-547.

Por: Marcella Gava Brandolis